Guiné-Bissau: Organizações preocupadas com tráfico de droga

GUINÉ-BISSAU

Operação da PJ voltou a levantar questões sobre a situação de segurança na Guiné-Bissau. Oposição culpa Governo pela falta de controlo no combate às drogas. Mas Governo nega e entende acusação como oportunismo.

Cocaína (Foto de arquivo/2018)

Cocaína (Foto de arquivo/2018)

Foi a maior apreensão de cocaína da história da Guiné-Bissau. No âmbito da operação “Navarra”, a Polícia Judiciária (PJ) guineense apreendeu na segunda-feira (02.09), nos setores de Canchungo e Caió, no norte do país, quase duas toneladas de cocaína. Em março, a PJ já tinha apreendido 800 quilos de droga numa outra operação.

A “nova onda” de tráfico de droga no país está a preocupar a sociedade civil. Abílio Aleluia Lopes, secretário-executivo do Observatório Guineense da Droga e Toxicodependência, alerta que, quanto mais aumenta o tráfico, mais aumenta o consumo, principalmente entre os jovens. 

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“Maior apreensão de sempre” de cocaína na Guiné-Bissau

“De 2016 a esta parte, na Guiné-Bissau, os jovens entraram na dinâmica de consumo de drogas injetáveis. Isso é uma preocupação, porque o sistema de saúde guineense carece de condições para responder a essa nova dinâmica e evolução de consumo de drogas”, explica.

Oposição acusa Governo

A oposição, por sua vez, aponta o dedo ao partido no poder. Djibril Baldé, porta-voz do Movimento para a Alternância Democrática (MADEM-G15), maior partido na oposição, responsabiliza o Governo do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) pela falta de controlo no combate às drogas.

“Responsabilizamos o Governo pela deterioração das condições de controlo do território nacional e da ausência da vontade e determinação política em combater o tráfico de drogas e o crime organizado transnacional, que constitui uma ameaça à segurança nacional”.

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Guiné-Bissau: Organizações preocupadas com tráfico de droga

“Acusação infundada”

Em comunicado, o PAIGC lamentou “profundamente a perigosa e infundada acusação, por um determinado partido, numa clara tentativa de aproveitamento político”.

O partido no poder encoraja o Governo e a Polícia a continuarem com os esforços que vão de encontro aos apelos do Conselho de Segurança das Nações Unidas, preocupado com a questão do narcotráfico e do crime organizado, transnacional na Guiné-Bissau.

O Partido de Renovação Social (PRS) acusou, entretanto, o primeiro-ministro, Aristides Gomes, de ser responsável pela introdução de cocaína no país e pediu às instâncias judiciais para lhe instaurarem um processo-crime.

Em outubro de 2018, o Governo guineense deu posse a uma comissão técnica com a missão de elaborar um plano nacional de combate ao tráfico de drogas. Contudo, o fenómeno continua a ser uma ameaça à estabilidade do país, segundo Baite Badjana, secretário-executivo do Fórum Nacional da Juventude e População.

Nas vésperas das eleições presidenciais, preocupado com a origem dos fundos das formações políticas, Badjana pede transparência aos partidos políticos e aos candidatos presidenciais guineenses: “Que não enveredem por financiamentos duvidosos, porque isso acarretará transtornos, do ponto de vista da estabilidade do país. O país, por si só, é débil e, quando abrimos brechas às situações que não ajudem o processo de estabilização, não é bom”, advertiu. 

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