RESULTADOS PROVISÓRIOS DAS PRESIDENCIAIS GUINEENSES SERÃO CONHECIDOS NA QUARTA-FEIRA 


A Secretária executiva e porta-voz da Comissão Nacional de Eleições(CNE), declarou que os resultados provisórios da segunda volta das eleições presidenciais realizadas hoje, serão divulgados na quarta-feira, 1 de janeiro de 2020.

Felisberta Moura falouhoje no segundo briefing com à imprensa sobre o ponto de situação do processo de votação, cujas Assembleias de voto  encerraram as 17 horas em todo o território nacional e na diáspora.

“Aproveito aqui para apelar a tolerância, serenidade, conduta cívica e sentido de responsabilidade de todas as candidaturas, órgãos de comunicação social e outros implicados neste acto nobre”, exortou.

A porta voz da CNE aproveitou a ocasião para refutar  as informações, que considera de levianas, que estão a ser veiculadas nas redes sociais relativamente a tentativa de fraude eleitoral.

“O apanágio e a imagem histórica desta nobre administração eleitoral não podem e nem devem, em nenhuma circunstância, compactuar com falácias, intrigas e outros males que tendem a desvirtuar os seus propósitos”, disse Felisberta Moura.

Adiantou que a CNE aproveita para exortar ao público a se manter calmo, sereno e vigilante contra manobras atentatórias e vã tentativa de comprometer o desenrolar do processo eleitoral que se pretende pacifico e ordeiro.

A porta voz da CNE sublinhou que todos devem ficar atentos para não permitir que os valores e princípios da integridade eleitoral e das conquistas granjeadas pela aquela instituição, ao longo de décadas da história eleitoral da Guiné-Bissau, sejam desvirtuadas.

“Apelo, mais uma vez, a comunidade nacional e internacional, em particular as candidaturas concorrentes, órgãos de comunicação social nacional e estrangeira a se absterem de veicular informações conducentes aos resultados eleitorais, porque esta competência se insere, exclusivamente, nas atribuições da CNE”, referiu Felisberta Moura.

A segunda volta das eleições Presidenciais de hoje, 29 de Dezembro, foi  desputada entre Domingos Simões Pereira, apoiado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e Umaro Sissoco Embaló, apoiao pelo Movimento para a Alternância Democrático (MADEM-G15), que passaram à segunda volta das presidenciais depois de uma primeira votação realizada em 24 de novembro.

Notabanca; 29.12.2019

PRESIDENCIAIS 2019 – Carlos Lopes: Guiné-Bissau deve escolher entre oportunismo político e transformação a favor de populações

Os guineenses foram domingo às urnas para eleger o seu novo Presidente da República.Afectado pelo clima de crise política dos últimos anos,o país da África ocidental, busca um novo rumo que vise a melhoria das condições de vida da população, como prometeram os dois candidatos em liça, na segunda volta da eleição presidencial, Umaro Sissoco e Domingos Simões Pereira. Segundo o economista Carlos Lopes, a Guiné Bissau terá que escolher entre o oportunismo político e a transformação do país.

Depois de uma crise política quase endémica, que afectou a Guiné-Bissau nos últimos anos, os dois finalistas candidatos à eleição presidencial, Umaro Sissoco e Domingos Simões Pereira, prometeram melhores dias aos guineenses.

Embora a mudança seja a tónica dominante do discurso de Sissoco e Pereira, o que está em causa, segundo o economista Carlos Lopes, é o funcionamento estrutural da sociedade bissau-guineense dominada pelo oportunismo político e pelo rentismo.

De acordo com Lopes, para que o país da África Ocidental possa encetar uma nova Era, terá que escolher entre o oportunismo da sua elite política e o rumo da transformação.

O economista bissau-guineense considera, que o estabelecimento de um regime novo implica o fim da sociedade do rentismo e a criação de condições para transformar a Guiné-Bissau num país que atende às necessidades das suas populações, designadamente no capítulo económico.

Carlos Lopes destacou, como um dos males da Guiné-Bissau, o recurso ao Estado como meio para a constituição do património individual.Lopes sublinhou igualmente que a dependência externa da Guiné-Bissau, representa um entrave ao desenvolvimento do país africano,que desde a sua independência em 1974 tem passado por vários períodos de instabilidade política.

O que está em jogo na Guiné-Bissau, segundo o economista, é uma escolha clara entre um regime novo e o rentismo predominante na ex-colónia africana de Portugal.

Segundo a nossa enviada especial às eleições presidenciais, Neidy Ribeiro,as mesas de voto na Guiné-Bissau encerraram às 17h00 locais (18 GMT), ainda assim quem esteve nas filas de voto pode exercer o seu direito cívico.

Em declarações à imprensa, os observadores internacionais presentes no país garantiram que o processo eleitoral decorreu com normalidade .

A abstenção na primeira volta ultrapassou os 20%.Na segunda volta os votos das pessoas que não foram às urnas podem fazer toda a diferença. Há um receio que esta época de festas possa contribuir para a taxa de abstenção.

A eleição presidencial de domingo tornou-se fonte de muita expectativa pelos guineenses que anseiam por outros rumos, para o país.

Esperançados num novo futuro,os guineenses acordaram muito cedo para votar no domingo.As três da manhã já havia pessoas com cadeiras para assegurar os lugares nas filas de voto.

Eleitores expressaram ao microfone da RFI mensagens de esperança e sublinharam ainda que o desafio, do próximo presidente, é unir os guineenses e retirar o país do marasmo económico.

Reportagem da nossa enviada especial a Bissau, Neidy Ribeiro
Se considerarmos o economista Carlos Lopes, a escolha dos guineenses deverá ser efectuada entre oportunismo político, rentismo e novos rumos para uma transformação da Guiné-Bissau. RFI

Votação presidenciais 2ª volta: CHEFE DE MISSÃO DE OBSERVADORES DA UNIÃO AFRICANA CONSIDERA POSITIVO O PROCESSO DE VOTAÇÃO

O chefe da missão de observadores da União Africana, Rafael Branco, disse que a sua equipa presenciou a abertura de várias assembleias de voto, bem como está a acompanhar o desenrolar do processo em todo o país incluindo nas ilhas, tendo assegurado ainda que até neste momento o processo da votação é positivo.

O ex-primeiro-ministro são-tomense que chefia a missão de observadores da União Africana fez essa consideração  durante a sua declaração aos jornalistas para fazer a avaliação do desenrolar do processo da votação a nível do território nacional.

“Tudo está a correr tranquilamente, os cidadãos a exercerem os seus direitos de voto. Havia delegados dos dois candidatos presentes, portanto estamos habitados a esse comportando cívico exemplar do povo guineense”, notou para de seguida, acrescentar que até no momento não se registou nenhum incidente.

“Em relação à primeira volta, a mesma hora, eu noto um aumento de participação dos eleitores. Não será muito significativo, mas há que registar um aumento da participação. Espero que isso continue assim”, espelhou.

Para o chefe da missão de observadores eleitoral da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Soumeylou Boubèye Maiga, o processo da votação está a decorrer como na primeira volta com a total tranquilidade. Acrescentou ainda que em todas as mesas de voto visitadas, quase 50 por cento de eleitores inscritos que já tinha exercido o seu direito de voto.

Por: Assana Sambú

Votação presidenciais 2ª volta: COMISSÁRIO DE POLÍCIA CONSIDERA FALSAS E ABSURDAS DECLARAÇÕES DE ÚMARO SISSOCO EMBALÓ

O Comissário Nacional da Polícia de Ordem Pública (POP), Brigadeiro-general Armando Nhaga, considera falsas e absurdas as acusações proferidas em Gabú pelo candidato do Movimento para Alternância Democrática (MADEM), Úmaro Sissoco Embaló, que alega ter na posse informações de preenchimento de boletins de voto no Ministério do Interior.

Em declaração aos jornalistas no pátio do Ministério do interior, Armando Nhaga nega que não exista uma única urna naquele ministério e muito menos as 40 urnas avançadas por Úmaro Sissoco Embaló, onde alegadamente estariam a ser preenchidos os boletins de votos.

“Queremos dizer aqui que não há nenhuma possibilidade de colocar as urnas aqui. Temos diferentes forças aqui, desde a Polícia da Ordem Pública, Guarda Nacional, Militares, Proteção Civil, Polícia Judiciária, a Interpol e o Comando da Ecomib da CEDEAO, que garante a capacidade operativa de todas estas forças. Essa pessoa deve conhecer o sistema democrático existente ou ainda pensa que estamos num Estado monopartidário, onde as coisas se imperam nos ministérios”, sublinhou.

Assegurou ainda que a Guiné-Bissau é um Estado democrático, onde existe a separação de poderes e a polícia simplesmente cumpre com a Constituição e demais leis do país. Por isso, sustentou que as declarações de Úmaro Sissoco Embaló são falsas e absurdas.

“Se de facto essa pessoa foi militar e conhece bem como funciona o militar, portanto lamento! Acreditamos que lhe falta um sentido de responsabilidade em termos profissionais e jurídicos”, disse.

Por: Assana Sambú      

Guiné-Bissau: Qual o contributo das mulheres guineenses para as presidenciais?

Na véspera do fim da campanha para a segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau, a plataforma de mulheres guineenses nega estar em letargia. A PPM fez saber que promove sensibilização junto aos eleitores.

    
Integrantes da Plataforma Política das Mulheres da Guiné-Bisau             Integrantes da Plataforma Política das Mulheres da Guiné-Bisau

A intervenção das mulheres na vida política e social guineense ganhou mais força desde a aprovação da Lei de Paridade, em agosto de 2018, que estabelece a participação mínima de 36% das mulheres na esfera decisória do país.

Desde as eleições legislativas, realizadas em março de 2019, as mulheres têm tido uma participação e intervenção ativa na consciencialização da sociedade, principalmente nas políticas públicas que visam o desenvolvimento do país.

Mas nesta segunda volta das eleições presidenciais, marcadas para 29 de dezembro, que opõe Domingos Simões Pereira, apoiado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e Umaro Sissoco Embaló, apoiado pelo Movimento para Alternância Democrática (MADEM G-15), alguns setores têm questionado o alegado silêncio das mulheres guineense

Guiné-Bissau: Qual o contributo das mulheres guineenses para as presidenciais?

No entanto, a presidente da Plataforma Política das Mulheres (PPM), Silvina Tavares, nega esta observação e lembra que a sua organização está no terreno a trabalhar, e de ter feito inclusive vários apelos nos órgãos de comunicação social aos candidatos.

“Estamos a fazer sensibilizações em todas as regiões do país, porque o nosso trabalho não é só numa única direção, a dos candidatos, vai também em direção do eleitorado. Trabalhamos não só em apelos em órgãos de comunicação social, como também vamos ao terreno falar com o eleitorado, de forma a saberem em quem, como e para quê votar”, garante Silvina Tavares.

Próximos desafios

Olhando para os próximos desafios, que ao serem ultrapassados podem levar o país ao desenvolvimento, Silvina Tavares não tem dúvidas que a participação feminina pode influenciar o arranque do país: “Está provado que sem a participação e a contribuição das mulheres, dificilmente qualquer país arranca”.

“É preciso que todos os filhos, de qualquer país que seja, tenham uma contribuição a dar, de forma dizer que faço parte do país, porque a minha voz se faz ouvir, ainda que seja através de outras pessoas”, reforçou.

Da mesma forma, para a jornalista Djelma Fati e para a cidadã Rozimélia Saqui, o contributo das mulheres guineenses é inquestionável. A jornalista lembrou que, “no campo político, as mulheres tiveram um papel muito importante na última crise política, com atividades de gerenciamento de conflitos e encontros com líderes políticos, encontros que tiveram resultado satisfatório e plausível”.

Guinea-Bissau Frauen Präsidentschaftswahlen Djelma Fati, jornalista guineense

Já Rozimélia Saqui considerou que “o papel da mulher é fundamental em qualquer situação polítco-social”. Para esta cidadã guineense, “a palavra de uma mulher e o seu sentimento são importantes, porque valem muito mais e podem ajudar no desenvolvimento da sociedade e de qualquer país”.

Entretanto, a campanha eleitoral para a segunda volta das presidenciais termina esta sexta-feira (27.12). Os dois candidatos vão fechar os comícios em Bissau, sendo que na noite desta quinta-feira, (26.12), vão estar frente a frente num debate televisivo, que promete mobilizar milhares de guineenses.

Também nesta quinta-feira (26.12), forma chamados às urnas para o voto antecipado os membros das forças de defesa e segurança, que no dia das eleições estarão de serviço. A votação decorre ao longo do dia em todo o território nacional, segundo informações da Comissão Nacional de Eleições.

Eleições presidenciais de 29/12/2029: CNE APELA CIDADÃOS ELEITORES A EXERCEREM SEUS DIREITOS A VOTO

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O Presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE), José Pedro Sambú, apelou ao cidadão eleitor de não hesitar e muito menos  abdicar de exercer o seu direito fundamental, que é de votar. Sambú fez esta chamada de atenção durante uma conferência de imprensa para apelar os eleitores de irem votar no dia de voto.

O presidente da CNE disse estar determinada, de forma inequívoca,  em observar integralmente todos os parâmetros das democracias modernas e pluralistas, “como tem sido  apanágio  neste segundo sufrágio  das eleições presidenciais  de 29 de dezembro de 2019, bem como garantir  que o mesmo tenha lugar num ambiente  de civismo e de exercício  de cidadania e, na certeza porém de que as eleições  serão livres e transparentes e os resultados  serão justos e credíveis”.

Na sua mensagem de apelo a voto, presidente da CNE, José Pedro Sambú, apelou ao cidadão eleitor de não hesitar e muito menos  abdicar de exercer o seu direito fundamental, conservar o seu cartão de eleitor, porque sem o qual não poderá votar.

Neste sentido, exortou igualmente as duas candidaturas concorrentes na segunda volta das presidenciais de próximo domingo a regularizarem  a situação dos seus delegados  de lista (fiscais) junto às Comissões Regionais de Eleições(CRE), entregando cartões  de eleitor  para os efeitos de confirmação, caso contrário, não poderão exercer o seu direito de votar. Como também a não abdicarem do direito que a lei lhes assiste, de junto a cada assembleia de voto, colocar um delegado de lista e respetivo suplente.

José Pedro Sambú  aproveitou ainda o momento para anunciar que  a Comunidade Internacional, através  das missões de observação eleitoral, nomeadamente: a CEDEAO, CPLP, União  Africana, Organização Internacional de Francofonia, Organização da Cooperação Islâmica, Estados Unidos da América, Parlamento Britânico, entre outras, já se encontram no país  para verificar a regularidade de várias fases do processo, “nos termos da lei”.

Informou igualmente que  diferentes organizações da sociedade civil do país, congregadas  numa célula de monitorização  das eleições, estarão no terreno e me toda a dimensão  do território nacional , para o acompanhamento das operações  de votação e de apuramento local.

Por: Filomeno Sambú

OPINIÃO: Eleições presidenciais na Guiné-Bissau: Os riscos da instabilidade

Por: Jaime Nogueira Pinto

Os apelos religiosos e tribais a que vem recorrendo Umaro Sissoco trazem a divisão entre muçulmanos e não muçulmanos e o confronto entre etnias; conflitos aos quais, até hoje, o país foi poupado.

Eleições presidenciais na Guiné-Bissau: Os riscos da instabilidade
Os apelos religiosos e tribais a que vem recorrendo Umaro Sissoco trazem a divisão entre muçulmanos e não muçulmanos e o confronto entre etnias; conflitos aos quais, até hoje, o país foi poupado.

No próximo Domingo, 29, a Guiné Bissau vai a votos para a eleição do Presidente da República. Os candidatos em presença são Domingos Simões Pereira e Umaro El Mokhtar Sissoco Embaló.

Simões Pereira é o actual líder do PAIGC, foi Ministro e Primeiro-ministro da Guiné-Bissau e Secretário-executivo da CPLP. É conhecido no país e no exterior como um político com experiência e moderação e respeitado nos meios político-diplomáticos europeus e africanos.

Sissoco, que se descreve como “cientista, político e militar”, apresenta um CV impressionante: uma licenciatura em Relações Internacionais (da qual não há registo) pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa (onde esteve de facto matriculado), um doutoramento pela prestigiada Universidade Complutense de Madrid (onde nada consta) e uma (também altamente duvidosa) promoção ao generalato.

Este apanhado de graus académicos e castrenses imaginados e imaginários não parece grande recomendação para a chefia de Estado – os casos semelhantes que tivemos em Portugal, ainda que menos exuberantes, também não deram grande resultado.

Outra prestidigitação de Sissoco é trazer no bolso um Príncipe saudita, um dos homens mais ricos do mundo. Segundo Umaro Sissoco o dito magnate ter-se-á comprometido a investir a módica quantia de um bilião de Dólares na Guiné, caso ele, Sissoco, ganhe a eleição. Será verdade? E se for, estarão os sauditas dispostos a comprar abertamente uma eleição num país africano? E estarão os guineenses dispostos a vender-se assim por um punhado (ainda que substancial) de Dólares?

É difícil de acreditar.

Umaro Sissoco tem também procurado apresentar-se como o escolhido pelos poderes regionais, exibindo apoios senegaleses, marfinianos nigerianos e de líderes muçulmanos da região e da CEDAO. Há mesmo a convicção declarada de alguns ministros do Senegal de que, se Sissoco for eleito, as relações entre os dois países irão ter uma franca melhoria, já que este “amigo do Senegal” estará pronto a facilitar, em nome da boa vizinhança, um acordo simpático para a partilha do petróleo nas fronteiras marítimas dos dois Estados.

Mas independentemente dos aspectos caricatos da eleição e da máquina de propaganda de Sissoco, o facto é que os outros candidatos, vencidos na primeira volta, se juntaram a ele para derrotar Simões Pereira, numa espécie de aliança que tem muito mais que ver com invejas e ressentimentos pessoais que com aspectos ideológicos ou doutrinários.

É claro que se os candidatos derrotados fossem senhores dos votos, Domingos Simões Pereira perderia: teve 40% na primeira volta, contra os 27% de Sissoco; e bastaria que os candidatos vencidos que se pronunciaram a favor de Umaro Sissoco – Nuno Nabian, José Mário Vaz e Carlos Gomes Júnior – somassem os seus votos aos dele para lhe darem a maioria.

Só que esta maioria conducente à eleição de Sissoco levantaria problemas: em primeiro lugar, semelhante coligação negativa, de tão diversa e frágil, iria entrar em crise interna forte no dia a seguir às eleições, agravando a instabilidade; mais, sendo o governo actual e a maioria parlamentar do PAIGC, o conflito com a Presidência iria manter o país na incerteza do poder em que tem vivido nos últimos quatro anos.

E mais ainda, os apelos religiosos e tribais a que vem recorrendo Umaro Sissoco trazem a divisão entre muçulmanos e não muçulmanos e o confronto entre etnias; conflitos aos quais, até hoje, o país foi poupado.

De qualquer forma, embora a indicação de voto tenha a sua influência tendencial, a verdade é que entre os partidários dos candidatos afastados há divisões: na Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), de Nuno Nabian, parte da direcção dissociou-se da indicação de voto do líder em Umaro Sissoco e proclamou o seu apoio a Domingos Simões Pereira; e o mesmo aconteceu entre os partidários de Carlos Gomes Júnior (eleitores urbanos de Bissau) e de José Mário Vaz.

Que “a transferência de votos a favor do candidato da oposição Umaro Sissoco Embaló está longe de estar garantida” é também o que se conclui no número especial sobre África da revista Jeune Afrique.

Riade e o príncipe herdeiro desmentem Sissoco

Mohammad Bin Salman Bin Abdulaziz Al Saud, o príncipe herdeiro da coroa saudita afirmou em Riade que o seu irmão, o príncipe Alwaleed Bin Talal Al Saud, “não prometeu apoiar nenhum candidato” às eleições presidenciais na Guiné-Bissau

“Aproveitamos para informar que o Reino da Arábia Saudita não tem tradição de envolver nos assuntos políticos de qualquer país”.

Em 2018, o príncipe Mohammad Bin Salman assassinou o jornalista saudita, Jamal Kashoggi, na Embaixada da Arábia Saudita na Turquia.

ESTÁ DESMONTADA MAIS UMA MENTIRA DO CANDIDATO DO MADEM G-15.

QUEM FEZ A LUTA ARMADA NÃO SELECIONOU ETNIAS”

O régulo de Bafatá, Seco Mussá Sidibé, alertou os guineenses que quem fez a luta pela independência da Guiné-Bissau não selecionou etnias e que todos contribuíram com o seu “quinhão”, criticando quem faz campanha aquele discurso.

A Guiné-Bissau é constituída por um mosaico étnico e, portanto, quem fez a luta não selecionou as raças (etnias), todas as que surgiram participaram na luta e tem o seu quinhão”, afirmou Seco Mussá Sidibé.

O régulo de Bafatá, cidade situada a cerca de 150 quilómetros a leste de Bissau, falava à Lusa no âmbito da campanha eleitoral para a segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau, marcadas para dia 29, que tem sido marcada por um discurso étnico e religioso.

“É a primeira vez que está a surgir no nosso país. O meu alerta vai para os meus conterrâneos guineenses para não verem esta questão da religião e a questão étnica e para verem, primeiro, o que significa uma eleição e, de seguida, o que é um cartão de eleição, que é um voto”, afirmou Seco Mussá Sidibé.

Para o régulo de Bafatá, o problema está no índice de analfabetismo que existe no país.

“Estamos na dinastia do analfabetismo e uma pessoa só orienta mil pessoas e não deve ser. Uma pessoa deve saber que tendo o seu cartão de eleitor na mão vai deixar o seu voto na urna”, salientou.

Para o régulo, as pessoas devem pensar, primeiro, no país e perceberam que com o voto na urna, enquanto cidadãos, estão a contribuir para o círculo de decisão do país.

“As pessoas estão a ver coisas novas nestas eleições e o que todo o mundo quer é que as pessoas votem conscientemente”, acrescentou.
Questionado sobre se o discurso étnico e religioso vai prosseguir após o fim do ciclo eleitoral na Guiné-Bissau, Seco Mussá Sidibé disse que os guineenses se entendem muito facilmente.

“É só neste época e nesta fase, terminando as eleições voltamos a estar alinhados. Estamos a fazer isto, porque muitas pessoas são orientadas”, explicou.

Para o futuro Presidente da Guiné-Bissau, o régulo de Bafatá aconselhou que a sua primeira obra seja banir aquele discurso e ser um “pai da pátria, sem excluir ninguém”.

Mais de 760.000 guineenses escolhem no dia 29 o próximo Presidente da Guiné-Bissau entre Domingos Simões Pereira, apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e Umaro Sissoco Embaló, apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15).

Notabanca; 25.12.2019