OBRAS DA ESTRADA SAFIM-JUGUDUL PODEM ARRANCAR NO INÍCIO DO PRÓXIMO ANO ” – Ministro da Economia

 

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O ministro da Economia, Plano e Integração Regional, Vitor Mandinga, anunciou esta quinta-feira, 22 de outubro de 2020, que as obras de construção da estrada que liga Safim/Jugudule a ponte sobre o rio Farim (norte do país) e a estrada Farim (na Guiné-Bissau) e Tanaf (no Senegal) podem arrancar, provavelmente, no início do próximo ano. Mandinga fez esse anúncio à margem do encontro de trabalho com uma delegação senegalesa chefiada pelo ministro da Economia, do Plano e da Cooperação do Senegal, Amadou Hott.

Vitor Mandinga sublinhou que o governo está a dar passos positivos na criação de infraestruturas, no âmbito do programa “Hora Tchiga”. Uma das componentes do programa é a questão dos financiamentos do setor da agricultura. Para Vitor Mandinga, se o financiamento fosse desbloqueado, permitiria que em Bafatá, empresas internacionais ligadas ao setor agrícola trabalhassem em colaboração com empresas nacionais, integrando a produção tradicional.

Sublinhou que nas discussões colocaram a tónica no Programa Nacional do Desenvolvimento, na reforma em curso na Função Pública e a transformação digital.

Vitor Mandinga revelou que graças à intervenção do seu homologo senegalês, o governo poderá conseguir mobilizar do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) cerca de quinhentos (500) milhões de francos CFA, para executar os trabalhos prévios da reforma: atualização de um de conjunto de dados e a instalação dos sistemas de controlo biométrico.

Para além dessa verba, o ministro da Economia referiu que o BAD aceitou também reformular fontes de financiamentos já existentes e, eventualmente, garantir que, uma vez iniciada a reforma, se possa ter dinheiro para reconversão dos incidentes.

O ministro senegalês, Amadou Hott, explicou na sua declaração aos jornalistas que está no país no âmbito de uma visita que visa reforçar a cooperação e a relação da amizade e de fraternidade que liga a Guiné-Bissau e o Senegal. Frisou que a sua missão baseia-se nas instruções dos chefes de Estado dos dois países, Macky Sall do Senegal e Úmaro Sissoco Embaló da Guiné-Bissau.

“Estamos aqui para analisar os pontos precisos da cooperação no plano económico e do desenvolvimento para ver como podemos partilhar experiências para evitar eventuais falhas ou aprender com os erros dos outros, bem como melhorar programas, projetos e as reformas que estão em vias de implementação nos dois países, para melhorar o bem-estar das nossas populações”, assegurou o governante senegalês.

Explicou que no quadro da cooperação, a Guiné-Bissau e o Senegal partilharam igualmente experiências sobre projetos regionais com o propósito de reforçar a cooperação sub-regional, sobretudo nos domínios das infraestruturas e também nos domínios das trocas comerciais e económicas. Neste sentido, lembrou que os dois países partilham uma longa linha fronteiriça, por isso alertou que é importante reforçar a mobilidade das pessoas e bens através d construção de infraestruturas que permitirão melhorar essas condições.

“Foi neste quadro que vamos submeter um projeto de financiamento ao Banco Africano do Desenvolvimento, por exemplo, para financiar a estrada que liga o setor de Farim (Guiné-Bissau) a Tanaf (Senegal), para reforçar a integração sub-regional. Falamos também sobre agricultura e concluímos que é importante começar a pensar na transformação local dos produtos”, contou.

Por: Carolina Djeme/Assana Sambú

Procuradoria Geral da República considera de “desonesta” comunicado do Presidente do Tribunal de Relação

Bissau, 19 Out 20 (ANG) – A  Procuradoria Geral da República considerou  de “desonesta” o comunicado do desembargador Presidente de Tribunal de Relação através do qual nega a existência de qualquer processo no tribunal  contra o ex primeiro-ministro Aristides Gomes.

 A informação consta numa nota à imprensa do Gabinete do Procurador Geral da República feita em jeito de reação ao comunicado do Presidente de Tribunal de Relação divulgada recentemente.

A Procuradoria Geral da República diz que  em relação ao “caso que se discute por via de Comunicação Social”, há dois processos a tramitar nos serviços
do Ministério Público por instruções de Procurador Geral nos quais figura como suspeito, o ex primeiro-ministro, Aristides Gomes.

Por outro lado,  alega   que a luta contra a corrupção é hoje uma realidade na Guiné-Bissau e que assim sendo, é normal compreender o desejo de alguns em empreender o assassinato de caracter de todo aquele que não se vergue perante este mal e, principalmente, contra o magistrado de reputação intelectual ilibada.

Segundo a  nota,  a Procuradoria Geral da República já instruiu o seu serviço competente para a abertura de um inquérito para o apuramento da violação do segredo da justiça resultante da publicação e citação do conteúdo de uma peça processual de inquérito em curso.

Em  comunicado, o Tribunal de Relação fez saber  que nenhum processo-crime contra o cidadão Aristides Gomes deu entrada na Câmara Criminal deste tribunal, muito menos um tal despacho que aplicou medidas de coação contra o  ex-primeiro-ministro. ANG/AALS/ÂC//SG

Vice-presidente da RENAJ defende necessidade da sociedade civil  fiscalizar execução orçamental

 

Bissau, 19 out 20 (ANG) – A vice-presidente da Rede Nacional das Associações Juvenis(RENAJ) Adama Baldé afirmou hoje que a redistribuição das rendas públicas é feita sem um forte crivo social dos atores da Sociedade Civil nem no momento da elaboração do Orçamento, nem na fiscalização e nem na sua execução.

Adama Baldé falava esta segunda-feira na cerimónia da abertura do seminário de três dias subordinado ao tema: “Reforço de capacidade da Sociedade Civil no  domínio da fiscalização de Contas Públicas”.

Justificou que, como  resultado do desacompanhamento da execução orçamental pela Sociedade Civil, há forte subfinanciamento dos setores sociais, nomeadamente a educação, Saúde, Emprego e outros setores relevantes para a melhoria de vida das populações.

“O setor educativo, por exemplo, é fortemente subfinanciado, tendo beneficiado em média de 9% do Orçamento Geral do Estado”, explicou.

Acrescentou que estas realidades vêm reforçar a necessidade da participação das Organizações da Sociedade Civil na definição da prioridade governativa e na fiscalização da execução orçamental, “porque quem gere bens públicos deve prestar contas”.

Baldé prometeu que a sua organização continuará a reforçar a sua intervenção no domínio de fiscalização das contas públicas mediante advocacia junto das autoridades governamentais ou por meio de denúncias.

A Vice-presidente da Rede Nacional das Associações Juvenis (RENAJ) salientou que a Guiné-Bissau tem enfrentado, há anos, um contexto económico frágil marcado por incapacidade de financiamento do próprio orçamento, vivendo num forte financiamento externo do seu Orçamento .

Explicou que o seminário visa reforçar as competências técnicas e funcionais das Organizações da Sociedade Civil, no domínio de fiscalização das contas públicas, no decurso do ciclo orçamental, de modo a estarem aptas a participar da fiscalização orçamental.

Aquela responsável disse que o Estado enquanto gestor de bens públicos, assume um compromisso de prestar contas aos governados, como também de fazer que os cidadãos participem da definição das prioridades governativas ou seja na redistribuição da renda.

Por seu lado, o Representante da Embaixadora da União Europeia (UE), no país, Gonçalves Pombeiro sustentou  que a parceria para o desenvolvimento entre a Guiné-Bissau e a UE é longa, com mais de 40 anos, e abrange diversas áreas estruturantes de uma sociedade moderna entre as quais, as finanças públicas, sublinhando que pela transversalidade da referida área, carece de atenção especial.

“Por isso que a UE tem cooperado com a República da Guiné-Bissau na melhoria das finanças públicas atuando em diversas fases do ciclo orçamental, desde a previsão económica com adaptação da ferramenta “Tcintchor”, passando pela execução orçamental com desenvolvimento de manual de procedimento e despesas pelo controlo interno, capacitação de funcionários de Inspeção Geral do Ministério das Finanças,  elaboração de contas de Estado de vários anos entre outras”, referiu.

Pombeiro afirmou que a pandemia do covid-19 levou vários países a recorrer ao apoio e financiamento externo, o que  torna importante os atores independentes fiscalizarem as ações de liderança política.

Em nome do Representante Residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Luana Nataly destacou que as Organizações da Sociedade Civil têm ganhado  importância nos PALOP e que uma das suas formas de atuação que vêm-se destacando é o papel de influenciar políticas públicas, sem esquecer a sua outra função que é da formação da consciência da cidadania.

 Sublinhou ainda que as Organizações da Sociedade Civil  têm ainda o papel de fiscalizar as ações das lideranças políticas, a fim de cobrir as práticas ilícitas que prejudicam a sociedade no seu todo.

Segundo a Luana, a Sociedade Civil pode ainda ajudar o parlamento a articular interesses de certos setores da sociedade em políticas relevantes, inclusive no orçamento.

Acrescenta que a sociedade civil ajuda também no monitoramento no desempenho do governo, rastreando os gastos públicos a fim de os relatar, acompanhando o resultado das auditorias, bem como a corrupção e a má conduta do governo.ANG/DMG/ÂC//SG

 

 

Postado por ANG às 10:52:00

ACNUR AFIRMA QUE FOI ATRIBUÍDA A NACIONALIDADE DA GUINÉ-BISSAU A MAIS DE SEIS MIL REFUGIADOS

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A chefe do escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Eunice Queta Esteves, afirmou esta segunda-feira, 19 de Outubro de 2020, que foram emitidos registos de nascimento e bilhete de identidade guineense a mais de seis mil refugiados e a maioria é proveniente do Senegal e reside na região de Cacheu, norte do país.

A saída da visita de cortesia ao Presidente da República, Úmaro Sissoco Embaló, Eunice Esteves explicou que, de acordo com o levantamento feito em duas regiões (Cacheu e setor autónomo Bissau), existem cerca de 8000 mil refugiados e apenas cerca de 1900 cidadãos faltam para serem naturalizados.

Contou que está em curso a atribuição de certidão de nascimento aos refugiados que pretendem adquirir a nacionalidade guineense, no quadro do projeto de naturalização aprovado em 2017.

“Eles estão a ser integrados porque a maior parte vive na Guiné-Bissau há muitos anos e já reconstituiram as vidas e suas famílias aqui… E também a ACNUR tem dado muitos apoios para criarem seus próprios negócios na horticultura e avicultura” realçou.

Eunice Esteves lembrou de seguida que quando o refugiado se encontra naturalizado os direitos e deveres mudam, sublinhando que a sua organização está a sensibilizar os refugiados para que, enquanto cidadãos, conheçam os seus direitos e deveres.

“A maioria dos refugiados decidiu optar pela nacionalidade da Guiné-Bissau”, disse.

Por: Epifânia Mendonça

Foto: Cortesia da Presidência da República

Região de Gabú: FÓRUM DE PAZ PEDE COLABORAÇÃO DAS AUTORIDADES LOCAIS PARA IMPULSIONAR SETORES EM DIFICULDADES

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O Coordenador Técnico do Fórum de Paz a nível Nacional, José Carlos Lopes Correia, considerou positivo o balanço da décima segunda reunião de fórum de paz. Segundo José Carlos Lopes, a reunião permitiu observar, entender e acompanhar a situação real de Gabú em termos dos dez campos abordados na entrevista pelos onze grupos dos Kumpuduris de paz.

José Carlos Lopes Correia defendeu que é preciso colaboração, dinâmica e contribuição das autoridades locais e do governo para dar maior ênfase aos setores com dificuldades em termos de funcionamento.

Por sua vez, o governador da Região de Gabú, Eurico Adramane Djaló, afirmou que a falta de boas infraestruturas, estradas, água potável e energia elétrica contribuem negativamente, o não permite que haja a paz na sociedade guineense.

Durante a cerimônia de encerramento do décimo segundo conselho de paz da Rede Nacional de “Cumpuduris di Paz (Fórum de Paz) realizado na região de Gabú, leste do país nos dias 14 a 17 de Outubro, com o objetivo de dar ênfase à partilha,com os deputados da nação eleitos por Gabú, das conclusões da monitoria das situações relevantes nos principais campos de observação em entrevistas com a comunidade, reunindo conhecimentos sobre as dificuldades, preocupações e prioridades de resolução nos setores com maiores dificuldades.

O governador garantiu que as constatações nas auscultações feitas pelos onze grupos de fórum de paz de diferentes regiões administrativas de Guiné-Bissau, na cidade, desde água a estradas, contribuíram negativamente o que não permite que haja a paz na sociedade guineense para que não haja a paz Guiné-Bissau.

Para alcançar a paz, segundo Eurico Djalo, é necessário que haja estabilidade governativa  e união de todos os guineenses, a aceitação de opiniões e divergências e a recusa da divisão para se poder construir um único país e um único povo.

Eurico Djalo disse que, desde as ultimas eleições legislativas, a sociedade guineense está dividida devido às ações  dos políticos.

Eurico Adramane Djaló garantiu, por isso, que os responsáveis legislativos vão levar como preocupações as auscultações feitas em torno dos onze grupos ao governo e outras instituições de república.

O governante apelou a todos os membros de Cumpuduris de Paz de cada região a continuarem a trabalhar a fim de poderem trazer os costumes e usos de cada região, de acordo com os princípios de construção e edificação da paz na Guiné-Bissau.

Eurico Djalo sublinhou que ficou bastante satisfeito com os contactos feitos através dos grupos, apelando-os a trabalharem em colaboração com as ONGs, que atuam nas comunidades todos os dias e chegam às localidades onde o governo não chega.

Os deputados dos partidos presentes no evento consideraram verdade as resoluções e as constatações feitas através de auscultação dos grupos e lamentaram a falta de água potável na região e das tristes situações que sevivem naquela região.

Pediram aos governantes a criação de furos de água e mostraram-se esperançados que mais tarde a Guiné-Bissau vai melhorar em termos de infraestruturas.

Por outro lado, os deputados garantiram que vão fazer passar a mensagem deixada pelos grupos à assembleia nacional popular e garantiram que, para que haja a paz duradoura na Guiné-Bissau, é preciso que todos os guineenses combatam os perfis falsos nas redes sociais.

Por: Carolina Djemé

Fotos:C.D

PM ADMITE QUE POR FALTA DE SENSATEZ A GUINÉ-BISSAU APARECE COMO O ÚLTIMO A CONECTAR-SE AO CABO SUBMARINO

O primeiro-ministro, Nuno Gomes Nabian, admitiu este sábado, 18 outubro de 2020, que talvez por falta de sensatez para resolver os problemas internos do país, a Guiné-Bissau aparece como o último país da Costa Ocidental da África a conectar-se ao cabo submarino que liga África a Europa (ACE).

O chefe de governo falava depois da visita à Estação Terrena onde foi amarrado o cabo submarino em fibra ótica e o Centro de Transmissão, ainda em construção, na localidade de Suru, setor de Prabis, região de Biombo a 23 quilómetros de Bissau.

Aos jornalistas, Nabian disse ter recebido informações em como o Centro de Transmissão será o coração da comunicação da Guiné-Bissau e  a partir do qual vai ser desdobrado o cabo ótico terrestre para Antula [ponto de OMVG), porque “tudo o que tem a ver com a tecnologia de comunicação para o internacional passará pelo centro de transformação de Suru”.

“O cabo submarino permitirá o país ter uma conexão e comunicação mais estáveis com o exterior”, realçou para de seguida assegurar que o governo vai reforçar a segurança do Centro de Transformação de Suru.

Para a execução do projeto, a Guiné-Bissau teve um empréstimo de Banco Mundial (BM) para poder se conectar a um dos cabos submarinos internacionais do consórcio (sociedade) ACE (África to Cost Europe), do qual o grupo Orange é acionista majoritário.

Dados indicam que o valor do empréstimo é de 35 milhões de dólares americanos, dos quais 31,5 dedicados aos trabalhos de cabos submarinos. Porém, segundo Rui Duarte Barros, PCA da Sociedade de Cabos da Guiné-Bissau (SCGB SA) que integra o Governo da Guiné-Bissau, a Orange e a MTN, os trabalhos de construção do Centro de transformação poderão estar concluídos em fevereiro de 2021.”

“A capacidade de internet alocada para Guiné-Bissau permitirá fazer telemedicina, estudos à distância, a governação eletrónica, enfim, “uma revolução total”.

Informações na posse de O Democrata indicam que o Banco Mundial terá condicionado o empréstimo à criação de um consórcio com a participação do setor privado para gerir o cabo, tendo em conta a experiência do projeto de género nos outros países.

Foi constituída a Sociedade de Cabos da Guiné-Bissau (SCGB, SA) em maio de 2018. O governo da Guiné-Bissau detém 49% do capital com 3 administradores, MTN 25,5% com 2 administradores, ORANGE 25,5% também com 2 administradores. O conselho de administração é presidido por Rui Duarte de Barros e a direção executiva será gerida pelos operadores privados.

Segundo as informações, os trabalhos em Suru deveriam ter terminado em junho deste ano, mas por causa da Covid-19 registou-se um atraso que agora poderá condicionar o fim dos trabalhos, prolongando-os até maio de 2021, de acordo com o plano atualizado da empresa executora “Alcatel Submarine Networks”.

O Democrata soube de uma fonte que o conselho de administração da SCGB SA está caduco desde 22 de maio de 2020 e que a assembleia-geral da sociedade não foi realizada para renovar o conselho de administração, porque o acionista Governo da Guiné-Bissau, não indigitou até agora, através do Conselho de Ministros, a figura que vai lhe representar na Assembleia Geral. “Isso pode atrasar a finalização dos trabalhos”, lamenta a fonte.

Entretanto, uma parte da cotização escalonada dos operadores de telecomunicações, como participação no capital social da sociedade SCGB, é destinada para estruturação da Guinetel e Guiné-Telecom, indicou a fonte.

Por: Filomeno Sambú

Fotos: F.S

Conosaba/odemocratagb

Casamento forçado e incesto aumentaram na Guiné-Bissau

As situações do casamento forçado e de incesto aumentaram na Guiné-Bissau com o confinamento social imposto pelas autoridades para evitar o aumento de infeções pelo novo coronavírus, denunciou hoje a Associação Amigos de Criança (AMIC), Laudolino Medina.
A AMIC, uma das mais destacadas organizações guineenses na matéria de proteção de menores, disse não ter um estudo para sustentar a sua tese, mas que indicadores de entrada e saída de meninas no centro de acolhimento em Bissau apontam naquele sentido.
Desde que foi declarado o estado de emergência sanitária no país, em março, até à semana passada, a AMIC já recebeu no seu centro de acolhimento de menores em situação de risco e vulnerabilidade quatro meninas menores de 18 anos.
“Algumas fugiram das suas comunidades ou famílias por tentativa de casamento forçado, outras por maus tratos físicos, outras ainda por tentativa de incesto”, declarou Laudolino Medina, secretário executivo da AMIC.
O centro de acolhimento da associação, situado no bairro de Enterramento, subúrbios de Bissau, tem neste momento seis raparigas, depois de nas últimas semanas ter estado “quase a abarrotar de meninas”, contou à Lusa Laudolino Medina, numa visita guiada pelas dependências da casa equipada com beliches que se assemelham a camaratas militares.
Cinco das meninas que lá se encontram são de aldeias do sul da Guiné-Bissau, mas uma, a Suzete (nome fictício) veio de uma localidade próxima de Bissau. Suzete chegou ao centro da AMIC na terça-feira.
Ao perceber que uma delegação tinha chegado à casa dos pais, com “muita aguardente” e se pôs em “longas conversações”, com os homens, Suzete arrumou poucos pertences e saiu da aldeia, por volta das 04:00 da manhã em direção a Bissau.
Aguardente é um produto que não pode faltar no momento de pedir uma menina em casamento na tradição dos pais da Suzete, contou à Lusa a própria.
Suzete não teve medo de andar no escuro da sua comunidade até Bissau, numa distância de cerca de 25 quilómetros, madrugada dentro, saiu às 04:00 e chegou ao centro de acolhimento da AMIC por volta das 06:00 da manhã.
“Queria só chegar aqui onde, contaram-me, as meninas pedem socorro”, disse Suzete a roer as unhas, pensando no futuro que, disse, passa por não aceitar casar antes de terminar os estudos e formar-se numa área que ainda não escolheu.
O secretario executivo da AMIC deixou que a Lusa falasse com a Suzete, mas já não quis indentificar qual das seis meninas que se encontram no centro foi alvo de incesto.
“É um caso complicado e ainda em investigação da nossa parte”, explicou Laudolino Medina, mas deu como certeza absoluta um claro aumento daquele fenómeno com o confinamento social devido à covid-19.
Conosaba/Lusa

Tribunal da Relação nega processo-crime contra Aristides Gomes

Bissau, 16 Out 20 (ANG) – O presidente do Tribunal da Relação, Tijane Djaló, considera falsa e infundada a notícia que dá conta de que Aristides Gomes não pode sair do país.

Tijane Djaló desmente a autoria do Tribunal da Relação na difusão da suposta ordem como também nega que esteja em curso naquele tribunal qualquer processo de investigação contra o ex-primeiro-ministro.

Aristides Gomes encontra-se refugiado na sede das Nações Unidas em Bissau desde que o seu Governo foi demitido, em Fevereiro passado, por ordens do Presidente Umaro Sissoco Embaló.

Luís Vaz Martins, que integra o colectivo de defesa de Aristides Gomes, precisou que existe um despacho que é atribuído ao Tribunal da Relação, em papel timbrado e com o carimbo daquela instância. Mas sabe-se agora, que, na verdade, diz Vaz Martins, trata-se de um documento forjado pelo coordenador da Vara Crime do Tribunal Regional de Bissau, que não tem competência para esta questão em concreto. Ou seja, não pode, à luz da lei guineense, ouvir um primeiro-ministro.

No despacho considerado falso, o magistrado diz que Aristides Gomes não pode sair da Guiné-Bissau, mesmo tendo dupla nacionalidade, guineense e francesa, por estar indiciado de práticas de crime económico e peculato. ANG/RFI

 

Governo aprova  Regulamento sobre Inspeção de produtos de origem animal e seus derivados

Bissau, 16 Out 20 (ANG) – O governo aprovou o Regulamento
sobre a Inspeção de Produtos de Origem Animal e seus derivados.

A informação consta no comunicado da última reunião do Colectivo governamental realizada quinta-feira à que a ANG teve acesso hoje e que revela  que também foi aprovado com alterações o projeto de Decreto-Lei relativo ao Código Pecuário.

Na mesma sessão foram igualmente aprovados com alterações o projeto de Decreto que estabelece o Regime de taxa de realização de testes de Covid-19 para viagens ao estrangeiro e o projeto de Decreto que adota o Regulamento sobre instalação e funcionamento de talhos.

O governo ainda protela, depois de apresentado, o projeto de Decreto-Lei relativo à Adopção Internacional e, em decorrência, mandatou aos ministros da Justiça, da Mulher e do Interior para, por Despacho Conjunto, ordenar a suspensão em toda a extensão do território nacional, de todos os atos administrativos relativos a adopção internacional de crianças e adolescentes da Guiné-Bissau.

No capítulo das informações, segundo a mesma nota, a ministra da Administração Pública, Trabalho, Emprego e Segurança Social anunciou a elaboração de um Plano Estratégico Operacional para a Modernização da Administração Pública 2020/2024 estribado no Decreto-Lei nº5/2020, de 5 de fevereiro, que aprova as linhas gerais do processo de Reforma da Administração Pública guineense.

O Primeiro-ministro Nuno Gomes Na Bian antes de encerrar a sessão, exortou a todos os membros do governo no sentido de se inteirarem dos mecanismos de transposição das Diretivas Comunitárias quer no quadro da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) quer no quadro da União Económica Monetária Oeste Africana (UEMOA), como prossuposto fundamental para a plena integração da Guiné-Bissau no espaço da União.ANG/DMG/ÂC//SG

ACOBES exige governo construção de  laboratório de “certificação de qualidade” para  produtos alimentares

Bissau, 16 Out 20 (ANG) –  O Presidente da Associação dos Consumidores de Bens e Serviços( ACOBES) exigiu esta sexta-feira ao  governo a construção de  um laboratório de certificação de qualidade para exame de produtos alimentares importados.

Bambo Sanhá que falava em conferência de imprensa alusiva ao Dia Mundial de Alimentação que hoje , 16 de Outubro, se celebra disse que  mais de 800 milhões de pessoas dormem sem comer diariamente no mundo e que a Guiné –Bissau não está  fora desta situação.

Acrescentou que,  diariamente, 20 por cento dos cidadãos guineenses passam fome .

Sanhá afirmou que o país tem dois aspectos negativos em termos de alimentação: “primeiro falta de abastecimento do mercado que é a insegurança alimentar  e segundo  a limitação do consumidor no exercício do seu direito de escolha.

Segundo Bambo Sanhá,  atualmente os mercados da Guiné-Bissau estão inundados de produtos importados e as carnes de bovinos abatidos no matadouro são vendidos nas mesas de madeira que não são desinnfectadas.

Acrescentou que o próprio vendedor pode estar infectado de alguma doença e que os mercados não têm condições higiénicas.

Para Bambo   tudo isso  representa grande perigo para a saúde dos consumidores, além da falta  de laboratório de controle de qualidade dos produtos alimentares nos mercados.

Bambo Sanhá disse que existem várias doenças no país  derivadas do consumo dos produtos importados, nomeadamente os congelados  de origem duvidosa, que são introduzidos nos mercados para obtenção de lucros como consequência de má  governação de sucessivos governos  ao longo de décadas.

Aquele responsável criticou  que não foram criaram condições para uma agricultura mecanizada, não obstante o país reunir todas as condições para ter uma boa alimentação com água em abundância e bom solo para cultivar.

Criticou que os  dirigentes têm gastado mais dinheiro em viagens para o exterior, perdiens e compras de viaturas de luxo ao invés de investir nas infraestruturas, na agricultura ou dar atenção a população naquilo que consome.

Sanhá referiu que o Ministério da Agricultura beneficiou de vários projectos de milhões de dólares mas que em nada beneficiou a  população, frisando que, os sucessivos governos contrariaram  dívidas estimadas em mais de 150  bilhões de francos CFA , aplicados apenas em  pagamentos de salários,  sem nenhuma infraestrutura construída desde estradas, escolas e  hospitais, o que diz ser uma situação  “extremamente grave”.

Recomenda ao  governo a reverter os 15 mil milhões de francos CFA disponibilizados  aos operadores económicos de cajú mas que não foram utilizados devido as exigências dos bancos,  na compra de equipamentos agrícolas
para lavoura das bolanhas.

Em relação as pescas, Bambo Sanha informou que a população não está a beneficiar do pescado no mercado interno devido ao seu alto custo, acrescentando que  não pode comprar um quilograma de peixe no valor de três mil e quinhentos ou quatro mil francos.

 “O país devia possuir a sua frota nacional, é de conhecimento de todos que muitos barcos foram presos e foram lhes aplicadas  coimas mas estes não pagaram. Alguns navios  ficaram afundados nos portos sem qualquer solução quando deviam ser aproveitados para frota pesqueira nacional”, disse.

Questionado sobre a falta de transporte com que a população se debate actulamente, respondeu que é lamentável a situação que os alunos estão a enfrentar neste momento, “porque   saem cedo de casa,  para pegar toka-toka para irem a escola mas  chegam sempre atrasados devido a falta de transportes”.

Bambo Sanhá disse  que em todos os países do mundo o Estado possui transportes para sua população e que a Guiné-Bissau é o único que não tem transporte público.  ANG/JD/ÂC//SG