Covid-19: COMISSÃO PERMANENTE PEDE AO PRESIDENTE DA ANP QUE DESCONVOQUE A SESSÃO ORDINÁRIA

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Os membros da comissão permanente da Assembleia Nacional Popular (ANP) recomendaram ao presidente, Cipriano Cassamá, que desconvoque a sessão ordinária de fevereiro, com fundamento na “situação crítica” da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) na Guiné- Bissau e também pelo facto de o início da mesma ter coincidido com a sessão evocativa em memória do deputado João Seidiba Sané.

A recomendação consta da deliberação n° 09/2021 da comissão permanente, na posse de O Democrata.

Na reunião realizada na sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021, 13 dos 15 membros da comissão permanente analisaram a pertinência da realização da sessão plenária ordinária que havia sido marcada para 25 de fevereiro a 8 de abril e o pedido de autorização para audição do deputado José Carlos Monteiro Macedo.

Lê-se no documento que a comissão permanente aconselhou o presidente Cassamá que convoque uma sessão extraordinária entre os dias 11 de março a 21 de abril, condicionando a sua efectiva realização à evolução da situação da covid-19.

Neste sentido, os membros da comissão recomendaram à administração da ANP que assegure a “obrigatoriedade” de realização de teste de covid-19 a todos os deputados, funcionários e entidades que prestam serviços na ANP, antes da realização da sessão extraordinária.

Sobre o pedido de autorização da audição do deputado José Carlos Monteiro Macedo pelo ministério público, a comissão permanente remeteu o assunto à comissão da ética parlamentar para efeito de emissão “do competente parecer”.

Por: Tiago Seide

MFDC acusa Senegal de violar acordo de paz e fala em “manipulação e intoxicação”

O Movimento das Forças Democráticas do Senegal (MFDC) afirma que os confrontos na fronteira com a Guiné-Bissau são “manipulação e intoxicação”
O líder do MFDC, Salif Sadio, acusa o Senegal de ter violado os Acordos de Roma quando Dakar anunciou a 26 de Janeiro de 2021 que estava a levar a cabo “operações ditas de segurança” na Casamansa.
Através de um comunicado Salif Sadio afirma que as operações militares senegalesas são contrarias aos compromissos estabelecidos em Roma entre o Governo Senegalês e o MFDC no quadro “do processo de negociações para o regresso da paz na Casamansa”, lê-se no documento.
Salif Sadio lembra que a 22 de Fevereiro de 2014 em Roma, após uma reunião da delegação senegalesa, chefiada pelo Almirante Farba Sarr, e do MFDC, liderada por Bourama Cisse, as partes estabeleceram um código de conduta das “Medidas de Confiança mútuas” que estabeleceria a regras que permitiram prosseguir as negociações. Neste quadro, o MDFC proclamou um cessar-fogo unilateral.
Para o líder o MFDC, o código estabelecido foi violado quando a 26 de Janeiro, “em cumplicidade com as suas milícias pagas, alimentadas e mantidas pelo próprio Senegal, o seu exército bombardeia aldeias da Casamansa e aterroriza as populações”.
Fazendo referência às forças que foram atacadas pelo Senegal no sul da Casamansa, Salif Sadio acusa os alvos serem “milícias colocadas pelo Estado do Senegal para cometerem crimes na Casamansa a fim de prejudicar a imagem do MFDC”.
“O que se passa actualmente na fronteira com a Guiné-Bissau é apenas manipulação e intoxicação (….). Os supostos rebeldes do MFDC que o Senegal declara estar a atacar, são as mesmas milícias colocadas pelo Estado do Senegal com as quais o seu exército chega conjuntamente para atacar não apenas o MFDC, mas também para cometer crimes na Casamansa”, tal como aconteceu em Diagnon ou Boffa-Bayott, acusa Salif Sadio.
O líder do MFDC qualifica também de “manipulação e intoxicação” quando “um tal de Nkrumah Abou Sané, que afirma ser secretário-geral do MFDC, declara num comunicado que as suas forças vão atacar as tropas senegalesas na Gâmbia”.
Assumindo ser o Comandante-chefe das Forças Combatentes do MFDC, Salif Sadio “declara”, no mesmo documento, que o MFDC “não reconhece Nkrumah Sané como secretário-geral do MFDC” assim como “rejeita antecipadamente as consequências que podem advir das suas declarações irresponsáveis, tendo em conta que o MFDC nunca se envolve nos problemas políticos dos países vizinhos”.
Por E-Global

PR SISSOCO DECRETA ESTADO DE CALAMIDADE PARA TRINTA DIAS

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O Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, decretou o novo estado de calamidade, por um período de 30 dias, devido ao aumento de casos de covid-19 na Guiné-Bissau. Lê-se no decreto que as justificações que motivaram a declaração do estado de calamidade, em janeiro último, continuam válidas, porque “o número de casos continua a aumentar-se, tendo duplicado entre janeiro e a primeira quinzena de fevereiro”, bem como o internamento motivado pela maior gravidade de infeção”.

O novo estado de calamidade vai terminar a 25 de março, mas o governo avisa que a situação irá ser continuamente avaliada e que o diploma poderá ser alterado a qualquer momento, se as circunstâncias assim o determinarem.

Ao abrigo do novo estado de calamidade,  mantém-se a medida de uso obrigatório de máscaras faciais nas vias públicas, nos espaços fechados de acesso público, nos transportes públicos, nos estabelecimentos de ensino superior para pessoas com idade superior a 11 anos, na venda ambulante, nos mercados e nos transportes coletivos de passageiros.

O governo avisa ainda que a não utilização das máscaras faciais,  quando obrigatória, ou a sua utilização incorreta é passível de coima, cuja cobrança reverte-se a favor do Alto Comissariado, explicando que” considera-se utilização correta da máscara facial quando o nariz, a boca e o queixo estão simultaneamente cobertos pela máscara”.

Os estabelecimentos comerciais devem funcionar em regime de “take away”, mantendo-se encerrados os bares.

O governo mantém também encerrado os ginásios de acesso público, assim como a prática de desporto coletivo, quer em espaços fechados quer em espaços abertos e permitiu a prática desportiva individual e de lazer em espaços abertos “com observância de distanciamento físico mínimo de um metro entre os participantes, não sendo obrigatório o uso de máscara facial.

As medidas são extensivos aos eventos religiosos. O exercício coletivo da liberdade religiosa nas igrejas, locais de culto e de rituais tradicionais de natureza religiosa é proibido.

O governo mantém abertas as fronteiras e realização de voos internacionais, devendo os indivíduos, que entram ou saem do país, apresentarem um certificado de teste de base molecular por RT-PCR e negativo para o vírus de SARS-COV-2.

A pandemia de covid – 19 provocou 48 mortos na Guiné-Bissau. O país regista um total acumulado de 3215 casos de coronavírus.

Por: Tiago Seide

Forças Armadas/Presidente da Republica anuncia negociações com a ONU para  levantamento de sanções impostas à alguns militares guineenses

Bissau, 24 fev 21 (ANG) – O Presidente da República anunciou hoje estar em negociações com  o Secretário-geral das Nações Unidas para possível levantamento das sanções impostas à alguns militares guineenses, na sequencia do golpe de Estado de Abril de 2012.

O anuncio do Chefe de Estado da Guiné-Bissau foi feito, durante a cerimonia de promoção e da posse dos oficiais militares recém nomeados para desempenhar  funções de chefias em alguns aquartelamentos.

O acto foi presenciado pelo Primeiro-ministro Nuno Gomes Nabiam, Ministro do Interior Botche Candé e o da Defesa Nacional Sandji Fati, do Chefe de Estado Maior das Forças Armadas Biague Na Ntam e de outras individualidades convidadas .

 O Presidente da República promoveu  Joaquim Filinto Silva Ferreira de coronel à Major General, Mama Saliu Embaló à Brigadeiro general, o Coronel  Marcelino Alves Pereira, Samuel Fernandes, Saibo Camará , Dinis N´canha  promovidos à Brigadeiros Generais, e o Capitão de Mar e Guerra Vitorino Tegba à Comodoro, sendo este último empossado nas funções de vice-chefe de Estado-maior da Armada.

Os empossados comprometeram dedicar as suas inteligências ao serviço do povo, exercendo as funções para que foram nomeados com total fidelidade à Constituição da República e às leis em vigor no país.

A ocasião serviu para o Presidente Sissoco Embalo apelar aos militares no sentido de manterem as suas posições de não se interferir em questões políticas e reiterou o empenho do executivo em equipar as forças armadas.

Umaro Sissoco Embalo prometeu apoiar o novo Chefe de Estado-maior da Força Aérea na capacitação dos seus recursos humanos.ANG/LPG/ÂC//SG

Guiné-Bissau: Advogados discutem proposta da Presidência após expulsão da sede

Presidência da Guiné-Bissau cedeu um imóvel nos arredores da capital em alternativa à sede da Ordem dos Advogados nas imediações do Palácio Presidencial, segundo a União dos Advogados de Língua Portuguesa.
A União dos Advogados de Língua Portuguesa (UALP) acompanha com atenção o diferendo entre a Presidência da República da Guiné-Bissau e a Ordem dos Advogados guineenses, despoletado há cerca de três semanas por causa da usurpação da sede da instituição representativa daquela classe profissional.
Segundo o presidente da UALP, Luís Paulo Monteiro, a Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau (OAGB) deve reunir-se nos próximos dias para analisar a contraproposta do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, depois do Tribunal Regional de Bissau ter ordenado a devolução do edifício-sede da aglomeração à classe profissional a 17 de fevereiro.
Luís Paulo Monteiro, presidente da União dos Advogados de Língua Portuguesa
“Os advogados guineenses vão reunir-se brevemente em assembleia extraordinária para discutir a proposta da Presidência da República da Guiné-Bissau em ceder à Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau um imóvel duplex nos arredores de Bissau”, diz Luís Paulo Monteiro.
Encerrada a cadeado
A sede da OAGB foi encerrada a cadeado por elementos da Presidência da República, um dia depois de terminar o prazo dado pelo gabinete do Chefe de Estado aos advogados para desocuparem o imóvel.
Segundo os responsáveis de segurança de Sissoco Embaló, a localização do imóvel – nas imediações do Palácio Presidencial – colocava em causa a equipa do mais alto órgão de soberania da Guiné-Bissau.
Luís Paulo Monteiro, que é também bastonário da Ordem dos Advogados de Angola, diz que a UALP vai acompanhar este episódio até ao fim, pois, conforme referiu no seu último comunicado, “a usurpação da sede” da congénere guineense “constitui uma manifesta e deliberada negação do Estado de Direito”.
“Há que repor o direito que assiste a Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau, repor o regular funcionamento da [referida] Ordem e a liberdade do exercício da advocacia por parte dos advogados da Guiné-Bissau“, referiu.
Pedro Pais de Almeida, presidente da Federação dos Advogados de Língua Portuguesa
Violação do Estado de Direito?
Pedro Pais de Almeida, presidente da Federação dos Advogados de Língua Portuguesa (FALP), está, no entanto, convencido de que Umaro Sissoco Embaló irá acatar a sentença judicial proferida pelo Tribunal Regional de Bissau.
“Acredito que a Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau saberá tomar todas as medidas legais adequadas para a defesa dos seus interesses e dos seus direitos, como aliás fez com a providência cautelar, de restituição de posse que foi bem sucedida”, defende.
Para Pedro Pais de Almeida, este episódio, só por si, “não constitui um indício de violação sistemática das regras do Estado de Direito na Guiné-Bissau”.
“Aliás, até diria mais: a Presidência da República da Guiné-Bissau tem aqui uma excelente oportunidade para demonstrar que a Guiné-Bissau é um Estado de Direito, e fá-lo-á na medida em que acate a decisão proferida pelo Tribunal no passado dia 17 de fevereiro”, concluiu.
dw/Conosaba

GOVERNO ANUNCIA RETOMA DAS AULAS EM BISSAU A PARTIR DE TRÊS DE MARÇO

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O Governo anunciou a retoma de aulas, que haviam sido suspensas na sequência da nova vaga da Covid-19, para a próxima quarta-feira, três de março. O levantamento da suspensão do funcionamento de aulas, em todos os níveis da escolaridade, vai abranger as escolas públicas, privadas, autogestão e comunitárias do Setor Autónomo de Bissau (SAB) e dos bairros periféricos, e administrativamente pertencentes à região de Biombo.

A decisão consta do despacho com a data de 23 de fevereiro, assinado pelo Ministro da Educação Nacional e Ensino Superior, Ariceni Jibril Baldé, no qual o governante fundamenta a decisão nas informações técnicas recolhidas junto da Comissão Interministerial composta pelos Ministérios da Educação Nacional e Ensino Superior, da Saúde Pública e alargada ao Alto Comissariado para a Covid-19 e ao Comité Técnico de Implementação do Plano de Contingência.

No despacho a que O Democrata teve acesso, Ariceni Jibril Baldé apela à colaboração de todos os intervenientes no sistema educativo guineense a observarem “rigorosamente” as medidas constantes do Plano de Contingência e dos demais diplomas normativos do governo relativos à prevenção e combate à pandemia da Covid-19 no país.

Também exorta as entidades envolvidas no combate à covid-19 a continuarem a trabalhar em articulação, de modo a cumprir todas as orientações para evitar o contágio do coronavírus, depois da reabertura das escolas.

Recorda-se que o Conselho de Ministros decidiu, na quinta-feira passada, levantar a suspensão do funcionamento das aulas a nível do Sector Autónomo Bissau, em todos os níveis da escolaridade, após término do prazo de vigência do estado de calamidade, ou seja, a 23 de fevereiro, terça-feira.

Uma suspensão que a Alta Comissária para a Covid-19, Magda Robalo, disse que estaria dependente de uma avaliação a ser feita pelas autoridades ligadas à saúde e à educação, por considerar que a situação epidemiológica está “grave” e que a curva de infeção pelo novo coronavírus continua a subir na Guiné-Bissau.

As últimas atualizações indicam a Guiné-Bissau registou mais 41 novos casos de infeção pelo novo coronavírus, aumentando o total de acumulados para 3.156.

Segundo os dados divulgados na terça-feira, 22 de fevereiro, existem 543 casos ativos e que foram dadas como recuperadas mais cinco pessoas, elevando o total de acumulados de recuperação para 2.560 casos.

O governo propôs ao presidente da República, Umaro Sissoco Embalo, o prolongamento do estado de calamidade por mais 30 dias.

Por: Tiago Seide

Cooperação/Guarda Civil espanhola pretende incrementar novos acordos com o Ministério do Interior da Guiné-Bissau

Bissau,19 Fev 21(ANG) – O Oficial de Ligação da Guarda Civil espanhola no país afirmou que pretendem  incrementar novos acordos com o Ministério do Interior guineense nos domínios de segurança.

Em declarações à imprensa, à saída de uma audiência com o ministro do Interior, Francisco Hermeles afirmou que não pretende ainda revelar os termos dos referidos acordos porque são das áreas sensíveis de segurança.

“Contudo, fiz uma visita de cortesia ao ministro do Interior , Botche Candé  e  passamos em revista  o que temos nos planos futuros de cooperação”, explicou.

Abordado sobre as avaliações que faz da cooperação entre a Guarda Civil espanhola e a sua congénere guineense, aquele responsável disse que está como sempre, no bom caminho, acrescentando que,
contudo, actualmente está a ser ensombrada pela pandemia de covid-19.

“Tenho a certeza de que, com o abrandar da pandemia, vamos atingir os objectivos preconizados no domínio de cooperação”, disse Francisco Hermeles.ANG/ÂC//SG

CINEASTA DA LUTA DE LIBERTAÇÃO DEFENDE UMA POLÍTICA DE CINEMA E A CRIAÇÃO DE ESCOLA DE ARTES NA GUINÉ-BISSAU

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[ENTREVISTA_fevereiro_2021] O cineasta guineense, Sana Na N’hada, um dos primeiros cineastas da luta de libertação nacional, defendeu que a Guiné-Bissau aposte no cinema, por ser “uma indústria” e que a Guiné Bissau tenha uma política voltada a produção e realização de filmes.

Em entrevista ao semanário O Democrata, Sana Na N’hada desafiou o governo que, através do Ministério de Educação, crie uma escola de artes, e informou que tem em mangas um novo projeto para o final de 2021 em curso que irá retratar a luta de libertação, nomeadamente a forma como as pessoas deram as suas vidas para garantir a liberdade do país do jugo colonial e o que os guineenses estão a fazer hoje com a independência conquistada com sangue e suor dos combatentes.

Sana Na N’hada foi indicado por Amílcar Cabral para formar-se na área do cinema em Cuba, dado que precisava de formação para jovens em todas as áreas, em particular no cinema.

Explicou na mesma entrevista que, em toda a sua carreira  gravou perto de dez (10) filmes de diferentes metragens que podem ser encontrados na internet, sublinhando que o cinema não foi  escolha sua,  mas sim uma necessidade de luta determinada por Amílcar Cabral.

NA N’HADA: “FUTURO DO CINEMA GUINEENSE ENCONTRA-SE AINDA NOS MEUS OMBROS E NOS DE FLORA GOMES”

Na N’hada é um dos quatro cineastas guineenses que fundaram o Instituto Nacional de Cinema. E juntamente com Flora Gomes, o Zé Bolama e a Fina. A ideia era facilitar a produção de filmes, porque e segundo a sua explanação, carecia de meios para a realização de filmes.

 “Em 1965, o enfermeiro Simão Mendes ofereceu-me um estágio em enfermagem no hospital. Por causa da minha idade, não podia ser maqueiro nem socorrista no campo de batalha. Ocupei-me de medicamentos de 1965 a 1967” explicou para de seguida afirmar que foi escolhido “mais tarde” para fazer medicina em 1966.

“Foi nessa altura que houve o lendário ataque em Morés e Mendes foi morto a 19/02/1966. Fomos para Conacri para depois irmos estudar. Amílcar Cabral disse que alguns deveriam fazer a agricultura e mandou-me com os meus colegas fazer cinema em Cuba, justificou que medicina já tinha muita gente e precisava de pessoas formadas em outras áreas também”, revelou.

O Cineasta que foi também cofundador do Instituto Nacional do cinema em 1977, afirmou que até a presente data, nunca houve um governo que tivesse assinado um acordo com qualquer entidade do cinema estrangeiro nem Programas Estratégicos de Cooperação entre a Guiné-Bissau e Portugal no domínio do cinema.

“Se o governo tivesse assinado algum acordo com a Co-produção de Portugal ou com qualquer outro país, o Instituto do cinema guineense poderia estar a concorrer a fundos destinados a essa área para financiar a produção de filmes, como nos outros países,  como é o caso de Angola, Cabo-Verde, Moçambique que têm acordos de Co-produção com Portugal” explicou o cineasta, que entretanto, avançou que o futuro do cinema encontra-se ainda nos seus ombros e nos de Flora Gomes.

Sana Na N’hada disse na mesma entrevista que é preciso que a nova geração tenha muita paixão pelo cinema, sublinhando que, devido ao fator idade, um dia não terão mais força para dar a continuidade ao cinema e que é preciso passar o bastão de cineasta à juventude.

“Eu não sou um guionista, mas por falta de pessoas nessa área sou obrigado a esforçar-me para sê-lo. Mesmo tendo um guião todo bonito, procuro sempre um guionista para consultas. Eu sou um realizador e operador de câmara, não gostaria de trabalhar como operador de câmara, se existisse pessoas para ocuparem-se dessa parte”, frisou.

PIRATARIA NO SETOR DE CINEMA NÃO AJUDA O SEU CRESCIMENTO  NEM PERMITE VIVER DO CINEMA

Segundo o cineasta, a pirataria de filmes que se regista no país não ajuda no crescimento do cinema nem tão-pouco permite o desenvolvimento dos  intervenientes do setor viverem do próprio trabalho, e  afirmou que nunca teve a ambição de fazer cinema em Hollywood, a indústria privada de cinema nos Estados Unidos da América, defendendo que o seu interesse pelo cinema cinge-se essencialmente em narrar a história africana, em particular a do povo guineense, e que, em Hollywood, ele teria que trabalhar de acordo com o padrão americano.

“Os meus filmes estão a ser estudados nas universidades do Brasil e da América. Os meus filmes estão a servir de fonte em estudos e algumas pessoas vão ter a oportunidade de conhecer a história africana a esse nível. Estou a competir, mas não a produzir um filme de Cowboy’s mas sim filmes de pastoreio de gado”, explicou.

Salientou que fazer filme na Guiné-Bissau é difícil, porque “o cineasta tem que desdobrar-se para conseguir  financiamento no estrangeiro, já que a nível nacional é quase impossível”.

Nesse sentido, destacou que um fundo deveria ser disponibilizado no Orçamento Geral de Estado para o setor do cinema, tendo revelado que fizeram lutas com Fina, Zé Bolama e Flora Gomes para conseguir isso dos sucessivos governos, mas sem sucesso, e afirmou que, enquanto não  houver uma verba destinada para  o setor, não existirá cinema no país.

Apesar das dificuldades que o cinema enfrenta na Guiné-Bissau, o produtor e realizador acredita que ainda se pode mudar o cenário para o futuro mas que é preciso ser perseverante e perspicaz para contar a história e mudar o setor.

Questionado sobre os benefícios que um investimento na área de cinema poderia trazer para a Guiné-Bissau, o cineasta respondeu que seria preciso saber qual o tipo de cinema que o país tem, como é hoje e o que se perspetiva.

O cineasta confessou que em Cuba estudaram muita prática e pouca teoria do cinema, depois de regressarem ao país, Amílcar Cabral mandou-lhes fazer um estágio de aperfeiçoamento no Senegal, para depois, por iniciativa própria, regressarem ao mato para filmar a luta de libertação.

Contou que as primeiras filmagens foram sobre a vida da população nas zonas libertadas e a participação de Amílcar Cabral na semana de informação em Conacri realizada pelo PAIGC. Explicou que naquela altura o que filmava tinha a ver com dores profundas, a canseira, as mortes e a raiva que via nos olhos dos combatentes e lembrou que filmou guerrilheiros  feridos, sangue e cadáveres.

Contou que no início de luta estava a estudar e sua mãe achou mais seguro irem para o mato até a luta terminar, mas ninguém imaginou que a luta duraria tanto tempo e alí mesmo no mato, frequentou a escola, no aquartelamento da guerrilha que mais tarde foi atacado pelas tropas portuguesas.

Recordou que Caetano Semedo, um dos chefes naquela altura, tirou-lhe das mãos da sua mãe e levou-o para a base militar, mas não pegou em armas, porque era menor.

Por: Djamila da Silva

EMIGRANTE GUINEENSE CONFECIONA “BONECAS NEGRAS” PARA RESGATAR VALORES CULTURAIS AFRICANOS

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Uma emigrante guineense, Edviges Tavares Lima, que vive há 20 anos na Europa e neste momento com a residência fixa na Escócia, criou um projeto denominado “Blessing e Love – Bênção e Amor “, que confecciona “Bonecas” de pele negra com tecidos da África, no sentido de “resgatar memória” de filhos de emigrantes sobre valores culturais africanos, principalmente no continente europeu.

A informação foi transmitida ao Jornal O Democrata pela própria mentora da iniciativa, em entrevista via telefone [fevereiro de 2021], com objetivo de debruçar-se sobre a iniciativa que pretende alargar para a América do Sul, em particular no Brasil.

Ainda de acordo com as infirmações apuradas, o projeto começou com a criação da linha chamada “Emadollsema”, 4 bonecas negras, com vestidos de padrões africanos. Além de permitir às crianças conhecer os valores culturais da África, ainda vai ajudar na luta contra discriminação racial entre brancos e africanos.

EDVIGES LIMA: “INTEGRAÇÃO DE AFRICANOS NA EUROPA NÃO PRECISA SER PELA PELE BRANCA OU OLHOS AZUIS”

“O objetivo é mostrar às nossas crianças que independentemente do tom da nossa pele e cabelo, tudo aquilo que queremos a partir do momento em que acreditamos e nos esforçarmos, podemos realizar qualquer sonho, porque acreditar no nosso potencial é meio caminho andado para o sucesso”, disse.

“Por isso, tive esta ideia juntamente com os meus dois irmãos e decidimos criar este projeto que iniciou com lançamento de quatro bonecas, com o objetivo de inclusão dos nossos tecidos africanos, para mostrar que aquilo que temos como africanos é muito bom, por isso, devemos mostrar ao mundo as nossas potencialidades, este é o nosso objetivo sobre este projeto”, explicou Edviges Lima.

Embora reconheça que vários africanos estão a viver em países europeus, Tavares Lima lamenta que as médias internacionais só têm divulgado os valores culturais dos seus respetivos países, uma situação que acaba por influenciar os cidadãos “dissidentes” da África desde a nascença e acabam por não conhecer os valores culturais dos seus países de origem.

Tavares Lima revelou que pretende dar oportunidade às crianças europeias e africanas que nasceram na Europa e que a integração dos cidadãos da África na Europa não precisa ser pela pele branca, olho azul e cabelo lizo.

“Estou a viver na Escócia, mas tenho muito orgulho de dizer que sou da Guiné-Bissau e explicar às pessoas que o meu país está situado na Costa Ocidental da África, mostrar no Google as nossas maravilhosas praias e as pessoas acabam por ficar super admiradas e até questionam as razões da nossa presença na Europa, devido às potencialidades do meu país”, acrescentou.

Edviges Tavares Lima explicou que outro dos objetivos do projeto é lutar contra a descriminação racial, sublinhou que “é ainda uma forma de demonstrarmos igualdade, porque diversas vezes os cidadãos brancos encontram os negros e não sabem como lidar com eles, porque em várias localidades na Europa, há pessoas que nunca tiveram oportunidade de ver um negro. O fato de existirem estas bonecas e a oportunidade de fazê-las chegar a cada residência é um passo alcançado nesta luta”.

O projeto foi lançado na Europa, concretamente na Escócia há um ano, mas a iniciativa tem mais impacto no Brasil, devido aos problemas do racismo e da aceitação das pessoas negras. As as bonecas estão a ter impulso positivo naquele país da América do Sul.

Em relação aos restantes países, a mentora do projeto afirma que o seu maior sonho é sentir o engajamento dos guineenses no projeto, permitindo assim aos seus filhos conhecer a iniciativa, e prometeu continuar a trabalhar neste sentido nos próximos tempos, principalmente na sua divulgação.

Lima transmitiu ao Democrata que ainda não arranjou um espaço físico onde possa expor para venda a produção de “Bonecas” de pele negra com tecidos da África, mas a exposição online está a correr de forma positiva.

Embora nesta fase inicial esteja somente a produzir a partir da China as suas bonecas femininas, Tavares Lima tranquilizou os pais e encarregados de crianças que futuramente vão começar a fazer bonecas masculinas.

Neste momento, a mentora do projeto adquire toda a produção a partir da China, mas abriu a possibilidade de trabalhar futuramente com costureiros residentes na Guiné-Bissau.

Edviges Tavares Lima que deixou a Guiné-Bissau em 1998 devido a guerra civil, foi forçada a viver em Lisboa, Portugal, durante 17 anos, de onde saiu com a sua família a procura de melhores condições de vida na Escócia.

Durante a entrevista ao semanário privado, Lima prometeu que antes do final do ano em curso visitará o país, sublinhando que a visita não só servirá para encontrar a sua família, amigos e colegas de infância, mas também para apresentar o seu projeto junto dos guineenses e abrir uma loja em Bissau.

Casada com o escritor guineense Emílio Tavares Lima, a mentora é formada em Marketing e Relações Públicas. Atualmente, trabalha no setor da educação.

Por: Alison Cabral