LÍDER DO PAIGC ADMITE CANDIDATURA PRESIDENCIAL SE NÃO FOR NOMEADO PRIMEIRO-MINISTRO


O presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, admitiu hoje em entrevista à Lusa uma candidatura presidencial, caso não seja nomeado primeiro-ministro.
“Se o meu partido entender que o desígnio de derrotar José Mário Vaz nas eleições se sobrepuser aquilo que tem sido o nosso desígnio neste momento eu sou militante do PAIGC, eu sou cidadão guineense, não posso descartar essa possibilidade”, afirmou Domingos Simões Pereira, quando questionado se poderia ser candidato às presidenciais.
O presidente do PAIGC salientou, contudo, que se o Presidente guineense, José Mário Vaz, aceitar a proposta feita pelo seu partido para ser nomeado primeiro-ministro e formar Governo não é candidato presidencial.
O mandato de José Mário Vaz termina a 23 de junho e as eleições presidenciais deverão realizar-se ainda este ano.
“Eu enquanto político, enquanto presidente do PAIGC, nunca tive dúvidas sobre aquilo que pretendo e naquilo que eu acredito em poder ter uma contribuição mais positiva. Sempre afirmei que de acordo com a nossa Constituição e com as nossas leis, a minha ambição é servir o país enquanto Governo, candidatei-me para esse efeito e eu sou candidato do PAIGC a primeiro-ministro, a chefe do Governo”, sublinhou.
Quase três meses depois das eleições legislativas, o Presidente guineense, José Mário Vaz, ainda não indigitou o primeiro-ministro, o que permitirá a formação do governo, alegando um diferendo para a eleição da mesa da Assembleia Nacional Popular (ANP).
“Não é competência do Presidente da República questionar isso, porque são dois órgãos de soberania completamente diferentes e de acordo com o nosso arranjo constitucional, havendo qualquer dúvida sobre a interpretação daquilo que é o exercício na Assembleia Nacional Popular, aquilo que os outros partidos fizeram é o que está previsto, recorrer ao Supremo Tribunal de Justiça enquanto Tribunal Constitucional e dirimir essa questão. Portanto, não é da competência do Presidente da República”, afirmou Domingos Simões Pereira.
O presidente do PAIGC disse também que “não há nenhum problema” e “nenhuma crise.
“Os membros da mesa da Assembleia Nacional Popular são indigitados pelos partidos em função dos seus resultados e dos lugares que ocupam na assembleia, mas os nomes proposto têm de ser sufragados e precisam de uma maioria absoluta dos seus pares para ser legitimados”, disse.
Questionado sobre as razões para o atraso na sua nomeação, Domingos Simões Pereira disse que o que se passa é a continuação do que se tem vivido nos últimos anos.
“Penso que há uma clara dificuldade em conviver com as regras da democracia e enquanto as instituições democráticas não se consolidam o povo guineense terá de fazer frente a esta situação em que interesses particulares e de grupo se sobrepõem aquilo que é a afirmação da soberania”, afirmou.
Notabanca; 02.05.2019

OPINIÃO AAS: Causa e Efeito de um descalabro

A entrevista do Coordenador do Madem no programa Causa e Efeito da televisão estatal portuguesa, revelou duas coisas: primeiro, um político absolutamente despreparado tanto do ponto de vista intelectual como moral.

Sê meigo, Zoão 

Costuma-se dizer que mentir, ou faltar à verdade, é inerente ao exercício político. Mas o arcaboiço de um político também se mede pela sua capacidade em  navegar subtilmente na fronteira entre a verdade e a mentira. E os efeitos podem ser devastadores. 

Como é possível começar uma entrevista com uma mentira tão óbvia – “a maioria do povo guineense votou no Madem” – se perdeste as eleições?

Este não foi apenas um lapsus linguae, mas revela a verdadeira personalidade de um indivíduo que não mede o que diz, mesmo diante das câmaras de uma televisão que é vista por milhões de pessoas, mesmo sabendo que essa revelação é tão grosseira e intragável. 

O resto da entrevista foi a continuação dos mesmos episódios de contra-verdades e incoerências, que obrigavam o jornalista a corrigi-lo com tacto.

O artigo 27 do Regimento da ANP? O entrevistador leu-lhe o artigo para lhe provar que o que estava a dizer é mentira. A exibição dos cartões de votação (sim, não, abstenção)? O entrevistador perguntou-lhe se estaria hoje a reclamar se o seu nome tivesse sido votado favoravelmente.

Enfim, toda a entrevista foi um descalabro, um festival de asneiras que dá vergonha e até dói. 

Mas havia mais. Um segundo facto que esta entrevista veio confirmar: a costumeira atitude do Madem e dos seus responsáveis em responsabilizar tudo e todos menos a si próprio. 

Sem argumentos para justificar o péssimo desempenho do seu líder, foram pelo caminho mais fácil: um ataque directo e desenfreado contra o João Rosário, o jornalista que o entrevistou e que desmontou a paródia em se estava a tornar a coisa.

Mas quando a moeda caiu na ranhura, o jornalista que antes se deixara fotografar alegremente no estúdio com o Braima Camará, seria, segundo o Madem, “um apoiante do PAIGC, um pau mandado do Presidente do PAIGC”, etc, etc. 

Este comportamento é revelador daquilo que é a idiossincrasia política do Madem: a culpa para todos os problemas, quaisquer que sejam eles, é do PAIGC e do seu líder.

A entrevista do Coordenador do Madem correu mal? A culpa é do PAIGC e do seu Presidente. A ANP não elege o Coordenador do Madem para o cargo de II Vice-Presidente? A culpa é do PAIGC e do seu Presidente. O Presidente não nomeia o Primeiro-Ministro? A culpa é do PAIGC e do seu líder. 

Quanto à exposição mediática do seu Coordenador, o Madem devia encarar a coisa com mais seriedade. O homem não tem preparação para a política, todos sabemos.

Agora, das duas uma: ou aconselham-no a evitar as luzes da comunicação social (como aliás faz, e bem, o líder do PRS) ou então obriguem-no a preparar-se devidamente antes de ir a uma entrevista. É que não é a primeira vez que o Coordenador do Madem passa por semelhante humilhação. 

Não se trata só de um problema de sotaque da língua portuguesa, como alguns dos seus apoiantes tentam justificar. Sotaque, quase todo o não nativo de Portugal tem e não constitui problema nenhum.

O problema é a falta de conteúdo, a fraca articulação e uma tendência febril em fazer afirmações que toda a gente sabe que não é verdade.

Esta entrevista, essa é a verdade, afundou ainda mais a imagem do líder do Madem, por mais que os seus apoiantes tentem tapar o sol com a peneira. AAS

Edita: Ditadura de Consenso.

DR. PAULO GOMES PREVÊ DIFICULDADES PERANTE IMPASSE POLÍTICO NA GUINÉ-BISSAU

Economista prevê dificuldades perante impasse político na Guiné-Bissau

O economista guineense e ex-candidato à Presidência da República, Paulo Gomes, antevê dificuldades para a Guiné-Bissau, que pode conduzir a uma recessão, se persistir o impasse político no Parlamento.
A Guiné-Bissau ainda aguarda por um novo Governo, mais de dois meses após as eleições legislativas. Entretanto, o Presidente José Mário Vaz já anunciou que só vai nomear um novo primeiro-ministro depois que terminar o impasse para a eleição da mesa da Assembleia Nacional Popular.

Tomada de posse do novo Parlamento guineense a 18 de abrilMas o antigo administrador do Banco Mundial para 24 países africanos, Paulo Gomes, que foi candidato às ultimas eleições presidenciais guineenses, disse, em entrevista à Lusa, que não se percebe a demora do líder do país, José Mário Vaz, na indicação do novo Governo, e alerta: as consequências serão sentidas brevemente.
“Neste momento já acumulamos muitos atrasados externos, em termos de pagar os nossos compromissos, temos muitos atrasados internos com salários (…) acredito que temos o risco de entrar em recessão com consequências sociais enormes”, observou Paulo Gomes.
Dinamizador de uma fundação que atua na área da conservação do meio ambiente e conselheiro de vários lideres africanos, Gomes não tem dúvidas de que se José Mário Vaz não nomear um novo Governo o Estado guineense terá dificuldades enormes para atender aos pedidos da população em relação à educação, saúde e energia.
Retirada de apoios
O mais grave ainda, alertou o economista, é a retirada de apoios para tapar o buraco no orçamento e para financiar reformas, prometidos ao país pelos parceiros internacionais.
“Os parceiros podem retirar promessas de apoios, agora que estamos a chegar ao mês de junho, os parceiros podem alocar esses recursos para outros países mais estáveis. Estamos num ciclo em que há muitos pretextos para que os parceiros virem as costas à Guiné-Bissau”, sublinhou Paulo Gomes.
Sobre o seu futuro político, Gomes disse não ser importante neste momento saber se é ou não candidato às próximas eleições presidenciais que, de acordo com o calendário eleitoral e as exigências da comunidade internacional, devem ter lugar ainda este ano.
“Estou preocupado com o futuro do país, mas neste momento o mais importante é fazer tudo para que haja um Governo que possa estabilizar o país e fazer eleições (presidenciais)”, disse Gomes.
Ameaças na sub-região
Segundo Gomes, há ameaças que pairam sobre o país devido às vulnerabilidades decorrentes da persistência da crise política, tensões sociais internas e dinâmicas terroristas na sub-região.
O economista disse ter informações “muito fortes de certos grupos que estão com planos para desestabilizar vários países no Sahel” entre os quais os da África Ocidental, onde se inclui a Guiné-Bissau, alertou.
Há ameaças na sub-região. Há centros de vulnerabilidade. A Guiné-Bissau é um dos centros de vulnerabilidade. O Presidente deve entender, precisamente, que a Guiné-Bissau é um dos centros de vulnerabilidade, os outros dirigentes da sub-região não vão deixar que se instale o caos na Guiné-Bissau”, sublinhou Paulo Gomes.
Instado a clarificar de que ameaças fala, Paulo Gomes disse tratar-se de “muitos casamentos”, nomeadamente o tráfico de droga, crime organizado, fundamentalismo religioso e grupos de bandidos, que, notou, consideram rentável a atividade de desestabilização de países vulneráveis. 
Conosaba/DW

PRIMEIRA SESSÃO PARLAMENTAR ORDINÁRIA DE DÉCIMA LEGISLATURA TERÁ LUGAR DE 11 JUNHO A 22 DE JULHO

Primeira sessão parlamentar ordinária da décima legislatura terá lugar de 11 de Junho a 22 de Julho, notícia a Rádio NACIONAL

Segundo a Rádio NACIONAL, a deliberação é da Comissão Permanente da Assembleia Nacional Popular, ANP.
A Comissão Permanente da ANP exorta o Presidente da República para nomear o novo Primeiro-ministro, resultante das eleições legislativas de 10 março.

Comissão Permanente do Parlamento está reunida sob os seguintes pontos da Ordem do Dia

Conosaba/faladepapagaio

NOVO GOVERNO COM O FIM DO IMPASSE NO PARLAMENTO

01/06/2019 / OdemocrataGB / No comments

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O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, voltou hoje a afirmar que só vai nomear um novo Governo após terminar impasse para a eleição da mesa da Assembleia Nacional Popular.

De regresso da cimeira da Organização da Conferência Islâmica, que decorreu na Arábia Saudita, José Mário Vaz, disse, em curtas declarações aos jornalistas no aeroporto de Bissau, que aguarda “que haja um compromisso, um diálogo franco, entre os deputados” para de seguida nomear o novo primeiro-ministro e consequentemente o Governo.

O Presidente guineense disse ter ficado triste com o que viu logo no primeiro dia dos trabalhos do novo parlamento, saído das eleições, mas espera que os deputados saibam ultrapassar as diferenças para desta forma “fazer o país arrancar”.

José Mário Vaz afirmou ainda que é também triste quando os políticos não conseguem acatar os conselhos, de diálogo e compromisso, que são feitos pelos líderes religiosos, quando usam a sociedade civil para atiçar divisões ou quando tentam envolver as Forças Armadas nas disputas políticas.
Mas, por ser “um homem de crença”, o Presidente guineense acredita que o país vai ultrapassar o impasse político em que se encontra.

José Mário Vaz aproveitou as suas declarações, sem direito a perguntas, para agradecer e felicitar as Forças Armadas, as quais pediu que se mantenham nas casernas e em obediência à Constituição do país.

O líder guineense aproveitou a ocasião para criticar, sem citar nomes, aqueles que se vão envolvendo nos problemas internos do país.

“O mais triste é que as pessoas aproveitam-se desta situação para se intrometerem nos assuntos que não têm direito, porque isto é um país soberano”, observou José Mário Vaz, salientando que todos os países do mundo têm problemas, mas que nunca viu nenhum a vir à Guiné-Bissau pedir conselhos.

Em relação à cimeira, o Presidente guineense lamenta que não tenha assistido pessoalmente à conferência já que não conseguiu chegar ao lugar onde decorria, acabando por acompanhar, a partir de um hotel, por videoconferência.

Tínhamos agendado um encontro com sua Majestade (o rei da Arábia Saudita), mas infelizmente, no lugar onde ele estava era impossível vir até o hotel para esse encontro bilateral”, afirmou José Mário Vaz que se mostrou satisfeito com os resultados da conferência que debateu o terrorismo, a unidade e solidariedade entre os países da OCI.

Mais de dois meses depois das eleições legislativas, a 10 de março, o novo primeiro-ministro da Guiné-Bissau ainda não foi indigitado pelo Presidente guineense e o novo Governo também não tomou posse devido a um novo impasse político, que teve início com a eleição dos membros da Assembleia Nacional Popular.

Depois de Cipriano Cassamá, do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), ter sido reconduzido no cargo de presidente do parlamento, e Nuno Nabian, da Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), ter sido eleito primeiro vice-presidente, a maior parte dos deputados guineenses votou contra o nome do coordenador do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), Braima Camará, para segundo vice-presidente do parlamento.

O Madem-G15 recusou avançar com outro nome para cargo e apresentou uma providência cautelar para anular a votação, mas que foi recusada pelo Supremo Tribunal de Justiça.

Por outro lado, o Partido de Renovação Social (PRS) reclama para si a indicação do nome do primeiro secretário da mesa da assembleia.

O parlamento da Guiné-Bissau está dividido em dois grandes blocos, um, que inclui o PAIGC (partido mais votado nas legislativas, mas sem maioria), a APU-PDGB, a União para a Mudança e o Partido da Nova Democracia, com 54 deputados, e outro, que juntou o Madem-G15 (segundo partido mais votado) e o PRS, com 48.

O Presidente guineense termina o seu mandato a 23 de junho.

In Lusa

Investimento mineiro de 180 milhões na Guiné-Bissau arranca em 2021

A diretora nacional da Guiné-Bissau do Banco Central dos Estados da África Ocidental disse hoje em Macau que arranca em 2021 um investimento mineiro de mais de 200 milhões de dólares (180 milhões de euros) no país.

“No setor mineiro está em curso um investimento de mais de 200 milhões de dólares para exploração de fosfato a partir de 2021”, afirmou Helena Nosolini Embaló, durante uma conferência do 10.º Fórum Investimento e Construção de Infraestruturas (IIICF, na sigla em inglês), que termina hoje em Macau.

“Estes investimentos poderão mudar a médio prazo a nossa estrutura de exportação, contribuindo desta forma para um crescimento económico mais robusto, consequentemente criando emprego e riqueza”, sustentou a responsável que, à margem do evento, questionada pela Lusa, não quis prestar declarações.

Com 36.125 quilómetros quadrados e uma população que não chega aos dois milhões de habitantes, a Guiné-Bissau situa-se na costa ocidental de África, entre o Senegal e a Guiné-Conacri, e tem mais de 80 ilhas no arquipélago dos Bijagós, a maior parte desertas.

Apesar de ter recursos naturais relativamente intactos, com reservas de bauxite e fosfato e eventualmente de petróleo, a economia do país centra-se no caju, o principal produto de exportação.

“A Guiné-Bissau está em busca de diversificar a sua exportação”, sublinhou a diretora, lembrando que “a exportação com destino à China atingiu 71,4 milhões de dólares em 2017, superando largamente o máximo atingido em 2015, num montante de 37 milhões de dólares”, sendo que os produtos exportados foram principalmente a castanha de caju e as madeiras nobres”.

A Guiné-Bissau é um dos países que integra a União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA), uma organização de integração regional criada por sete países da África Ocidental que têm em comum uma moeda única.

“As nossas economias [da UEMOA e da China] complementam-se e as relações económicas devem ser aprofundadas”, defendeu Helena Nosolini Embaló, acrescentando que “o papel de Macau enquanto uma plataforma de serviços representa uma oportunidade” para serem criadas e aprofundadas sinergias. Lusa