OPINIÃO: A Guiné-Bissau e o enterro político de José Mário Vaz

FONTE: Novafrica

A três semanas e meia das eleições presidenciais na Guiné-Bissau, previstas para terem lugar no dia 24, o Presidente cessante e um dos candidatos ao pleito eleitoral, José Mário Vaz, acaba de protagonizar o que pode ser considerado como o seu enterro político.

Mesmo sabendo das limitações de poder que detém, enquanto Presidente cessante, José Mário Vaz, num lance político arrojado demais para quem tem eleições às portas e é um dos principais concorrentes, entendeu avançar, segunda-feira, com um decreto de exoneração do Primeiro-Ministro Aristides Gomes e do seu Governo. Terça-feira, dava posse a Faustino Imbali como novo Primeiro-Ministro.

A Comunidade Económica de Desenvolvimento dos Estados da África Ocidental não tardou a reagir e fê-lo sem dar hipóteses de segundas interpretações, ao considerar ilegal a demissão de Aristides Gomes. A tomada de posição da CEDEAO foi crucial, tendo em conta o papel que esta organização regional tem desempenhado na gestão e acompanhamento da crise política na Guiné-Bissau, que se instalou poucos meses depois das eleições de 2014, com o Presidente José Mário Vaz a desentender-se e a demitir o Governo de Domingos Simões Pereira. De lá para cá, o país andou praticamente sob tensão.

Ao longo destes anos, a CEDEAO organizou vários encontros, no sentido de promover consensos entre os actores políticos guineenses, de modo a viabilizar a normalidade institucional e uma governação com estabilidade.

Porém, postos no terreno, surgiram sempre interpretações diferentes em relação aos acordos alcançados e, quando a expectativa era a de que os desenvolvimentos iriam seguir o espírito e a letra do que tinha sido rematado como corolário das conversas realizadas, eis que um novo dado, um novo elemento é colocado em cena para atrapalhar tudo.

A grande figura controversa em todo este processo acabou por ser sempre o Presidente José Mário Vaz, de quem se esperava, precisamente, que fosse o promotor e garante da estabilidade.

A sua conduta na contramão dos consensos obtidos, de engajamento nos bastidores para subverter os acordos, levou a comunidade internacional a identificá-lo como o principal factor de instabilidade para a governação do país.

José Mário Vaz fez das desinteligências com Domingos Simões Pereira uma questão pessoal e, ao envolver-se nas disputas políticas para prejudicar o líder do PAIGC e essa formação, desvirtuou o papel que a instituição Presidente da República deve jogar como esfera de poder que tem por missão impulsionar o funcionamento harmonioso de todas as demais estruturas governativas.

Tão obcecado estava o Presidente, que não avaliou as possíveis consequências da decisão de demitir o Governo do Primeiro-Ministro Aristides Gomes. A CEDEAO chumbou a medida e advertiu para a possibilidade de aplicar sanções a todos quantos tentarem prejudicar a realização das eleições presidenciais, marcadas para o dia 24.

Acto contínuo, reforçou, através da Ecomib (força de interposição que tem instalada desde Abril de 2012 no país), a segurança e protecção das instituições públicas e dos titulares de cargos do Governo de Aristides Gomes.

Na sequência, o Secretário Geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, e o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, manifestaram apoio total à posição tomada pela CEDEAO. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) juntou a sua voz às manifestações de indignação e reprovação que ecoaram pelo mundo fora.

O que se pode dizer, à guisa de conclusão, é que, em vésperas de início da campanha para as eleições presidenciais, que arranca este sábado, o candidato José Mário Vaz parte numa posição de extrema fragilidade, pois encontra-se isolado da comunidade internacional.

Na cerimónia de tomada de posse de Faustino Imbali, terça-feira, o corpo diplomático acreditado na Guiné-Bissau não se fez presente. As Forças de Defesa e Segurança, representadas por razões meramente protocolares, trataram de sublinhar que estão de fora na crise política.

A garantia, dada à imprensa pelo Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, general Bangué Nam Tam, no final de uma reunião realizada quarta-feira, entre as Chefias Militares e Para-Militares para analisar a segurança no país, era o esclarecimento público que vários sectores guineenses estavam à espera para encarar com tranquilidade o dia-a-dia. No rescaldo dos eventos, olham para o acto do Presidente cessante como um “golpe teatral” mal conseguido.

O resultado é que, com isso, José Mário Vaz acaba, irremediavelmente, de sentenciar a sua derrota antecipada.

Embora não vote, a comunidade internacional não está disposta a continuar a vê-lo como Presidente da Guiné-Bissau. E isso, apesar de aparentemente não contar muito na hora do voto, tem, entretanto, a sua dose de influência em relação à orientação do eleitor.

Depois destes anos todos de turbulência, acreditamos que os guineenses querem sair do estado de “torpor político” em que caíram. E não será, certamente, com José Mário Vaz que o vão conseguir. (Jornal de Angola)

PRESIDENTE CESSANTE JOSÉ MÁRIO VAZ MANTÉM DEMISSÃO DO GOVERNO APESAR DA LIMINAR DA CEDEAO

FONTE: ÁFRICA RÁDIO

O presidente da Guiné-Bissau, José Mario Vaz, disse na noite de domingo que seu governo estava sendo demitido por alguns momentos depois de uma declaração da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) pedindo que ele relatasse a medida a três semanas da eleição presidencial de 24 de novembro.

Vaz, presidente cessante da Guiné-Bissau, eleito em 2014, continua a desafiar a comunidade internacional, mantendo o governo que ele formou na quinta-feira.

Em 28 de outubro, ele demitiu o primeiro-ministro Aristides Gomes e seu governo e nomeou Faustino Imbali, o novo chefe de governo, em 29 de outubro, com uma equipe de 17 ministros e 14 secretários de Estado.

Aristides Gomes, após sua demissão, denunciou “um golpe em preparação para interromper o processo de preparação das eleições presidenciais de 24 de novembro”.

Uma delegação da CEDEAO (15 estados), liderada pelo Ministro de Relações Exteriores da Níger, Kalla Ankourão, denunciou “a natureza ilegal do decreto que desmantela o governo (de um comício de campanha domingo em Pitche, 240 km a leste de Bissau.

“Sou o comandante em chefe das forças armadas e convocarei o Alto Conselho de Defesa, a mais alta autoridade militar do país, após meu retorno a Bissau”, disse ele, dando a entender que estava pronto para continuar.

Amarrado pela comunidade internacional, o Presidente Vaz também disse que conheceu apenas um membro da delegação da CEDEAO no domingo, a quem expressou sua recusa em denunciar a demissão sem revelar sua identidade.

“Meu governo é o único legítimo reconhecido pela comunidade internacional. Continuo com meu trabalho para organizar as eleições (a eleição presidencial) dentro do cronograma”, disse domingo à imprensa Aristides Gomes.

Os enviados da CEDEAO se encontraram no domingo com o presidente Vaz, diplomatas africanos, europeus e da ONU em Bissau, representantes de partidos representados na Assembléia e na Comissão Eleitoral, mas não encontraram o novo primeiro-ministro.

O Conselho de Segurança da ONU pediu na sexta-feira o respeito pela data das eleições presidenciais na Guiné-Bissau, rejeitando a mudança de governo decidida por seu presidente.

A CEDEAO, a União Africana e a União Européia também já negou o Presidente Vaz. Este último garantiu que a eleição presidencial aconteceria em 24 de novembro, com uma possível segunda volta em 29 de dezembro.

A campanha eleitoral foi aberta no sábado e ocorrerá até 22 de novembro, com doze candidatos na disputa, incluindo o Sr. Vaz,

ENCONTRO : Juliano FERNANDES e Tulinabo MUSHINGI

O Embaixador dos EUA na Guiné-Bissau efectuou esta manhã uma visita ao Ministro do Interior Dr° Juliano FERNANDES.
O encontro decorreu no gabinete de trabalho do Ministro do Interior.

O diplomata Americano, informou na reunião que a razão da sua visita é para mostrar e deixar claro à todo o mundo que o Governo dos Estados Unidos da América reconhece e apoia unicamente o Governo de Aristides GOMES.

Os interlocutores passaram em revista vários assuntos, com destaque para o papel do Ministério do Interior na segurança de todo o processo de organização e realização das eleições presidênciais, assim como o foco do Governo dos EUA no acompanhemento pós eleitoral da evolução sócio politico da Guiné-Bissau.

A morte de um manifestante em circunstâncias ainda por esclarecer, foi abordado na reunião e o Ministro do Interior apresentou uma explicação detalhada do ocorrido e aproveitou para manifestar ao diplomata Americano a total abertura para que se crie uma comissão internacional de inquérito sob os auspícios da ONU.

Através do Embaixador MUSHINGI o Governo dos EUA fez saber que vai enviar 50 observadores para as eleições presidenciais.

POSITIVAMENTE

ministerio2019interiorgb@

Guiné-Bissau: “Queremos cumprir nossa missão”, diz Aristides Gomes

Após encontro com missão da CEDEAO, o primeiro-ministro guineense disse que prioridade é garantir a realização das eleições presidenciais a 24 de novembro. CNE garante que todas as condições logísticas estão reunidas.

Aristides Gomes, primeiro-ministro da Guiné-Bissau

Aristides Gomes, primeiro-ministro da Guiné-Bissau

O primeiro-ministro guineense, Aristides Gomes, demitido pelo Presidente José Mário Vaz, mas com o Governo reconhecido pela comunidade internacional, afirmou este domingo (03.11) que a Guiné-Bissau não vive uma crise política, uma vez que o relacionamento institucional continua.

“O mais importante para nós é cumprirmos a nossa missão, levarmos o barco até ao fim, até as eleições presidenciais”, declarou a jornalistas. “A nossa preocupação, o que orienta a nossa ação, é a ação nos limites da Constituição, portanto, na base da legitimidade que nós continuamos a ter, que vem das eleições e da aprovação do programa de Governo na Assembleia Nacional. Isso mostra que não há uma crise política. Quer dizer que o relacionamento institucional continua.”

Leia mais: Quem são os candidatos às presidenciais na Guiné-Bissau?

 Aristides Gomes und José Mário Vaz Guinea-Bissau

O Presidente guineense, José Mário Vaz, demitiu o Governo liderado por Aristides Gomes a 31 de outubro

À saída de um encontro com membros de uma missão da Comunidade Económica de Desenvolvimento dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que chegou este sábado (02.11) a Bissau, Aristides Gomes afirmou que o “Governo continua a funcionar”.

O primeiro-ministro guineense sublinhou que o Presidente José Mário Vaz tem a sua função atual nos limites estabelecidos pela CEDEAO. “O que mantém o Presidente neste momento não é a Constituição. O que mantém o Presidente é a declaração, a arbitragem e o arranjo que foi feito em Abuja no mês de junho”, disse no Palácio de Governo.

Sobre a reunião com a CEDEAO, Aristides Gomes disse que o objetivo foi analisar “a situação que se criou com os decretos do Presidente”. “Sobretudo, sublinha-se, nós tratamos da necessidade de cumprir a nossa missão que é realizar as eleições a 24 de novembro”, disse.

Além de expressar satisfação com o início da campanha eleitoral, o primeiro-ministro felicitou os militares “por terem mantido até agora a distância necessária, por não terem feito uma erupção na vida política” do país.

Conselho de Segurança da ONU

O Conselho de Segurança das Nações Unidas discutir novamente a crise política na Guiné-Bissau esta segunda-feira (04.11). Reunidos na última quinta-feira (31.10), os 15 membros do Conselho assinaram uma declaração unânime em que sublinham a “necessidade urgente de realizar as eleições presidenciais de 24 de novembro, conforme acordado, a fim de concluir o ciclo eleitoral que permite uma transferência pacífica de poder ao Presidente eleito”.

Guinea-Bissau Delegation ECOWAS

Delegação da CEDEAO num encontro com José Mário Vaz em abril

Os membros do Conselho de Segurança reuniram-se pela primeira vez para discutir a tensão política na Guiné-Bissau no mesmo dia em que o Presidente guineense, José Mário Vaz, deu posse ao novo Governo do primeiro-ministro, Faustino Imbali, dias depois de ter destituído o Executivo liderado por Aristides Gomes.

A adoção da declaração do Conselho de Segurança foi resultado de uma reunião à porta fechada convocada a pedido dos três membros africanos deste órgão, nomeadamente a África do Sul, a Costa do Marfim e a Guiné Equatorial. No documento, o Conselho de Segurança manifesta “profunda preocupação com a situação política e social” na Guiné-Bissau e pede “ao Presidente José Mário Vaz e ao Governo liderado pelo primeiro-ministro Aristides Gomes, responsável por liderar o processo eleitoral, que resolvam as suas diferenças num espírito de respeito e de cooperação”.

“[O Conselho de Segurança] exorta os atores políticos da Guiné-Bissau a observarem a máxima contenção, a não recorrerem à violência ou ao incitamento ao ódio e a privilegiarem o diálogo como a única maneira de resolver diferenças e preservar a paz e a segurança no país”, lê-se no documento.

O órgão das Nações Unidas lembra ainda que pode decidir avançar com sanções contra os que desestabilizam o país, e aproveitou para elogiar “a estrita neutralidade” que as forças de segurança e o Exército têm tido até agora. Além da ONU e da CEDEAO, a União Africana, a União Europeia e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) já condenaram a decisão de José Mário Vaz de demitir o Governo liderado por Aristides Gomes e disseram que apenas reconhecem o Executivo saído das eleições legislativas de 10 de março.

CNE e as eleições

O presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau, José Pedro Sambu, também reuniu-se este domingo com membros da missão da CEDEAO para esclarecer como está a decorrer o processo eleitoral em curso. Ao fim do encontro, garantiu que as eleições estão asseguradas e a “andar muito bem”.

Jose Pedro Sambu

José Pedro Sambu, presidente da CNE: “Todas as condições estão reunidas para o processo eleitoral”

“Neste momento estão reunidas todas as condições logísticas e financeiras para que as eleições previstas para o dia 24 de novembro possam realizar-se”, afirmou José Pedro Sambu.

campanha eleitoral arrancou este sábado (02.11) num clima de grande tensão política, tendo o país neste momento dois Governos e dois primeiros-ministros, nomeadamente Aristides Gomes e Faustino Imbali. O primeiro dia de campanha eleitoral foi morno e marcado pela ausência de alguns dos principais candidatos.

Em Bissau, o antigo primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, candidato independente, fez um curto comício já ao final da tarde onde pediu para ser eleito à primeira volta e salientou que o futuro no país está nos jovens. Também na capital guineense, o Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15) marcou o início da campanha num espaço cultural com um encontro com apoiantes, mas sem a presença do seu candidato, o general Umaro Sissoco Embaló, que está em Espanha a realizar encontros com a diáspora. 

Domingos Simões Pereira, candidato do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), optou pelo sul do país, onde manteve durante o dia contato com a população local e terminou com um comício em Buba. Nuno Nabian, candidato da Assembleia Nacional do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB) e apoiado pelo Partido de Renovação Social (PRS), tinha inicialmente previsto uma intervenção em Bissau, mas acabou por adiar o arranque da campanha, o que deve acontecer nos próximos dias, segundo fonte da sua candidatura.

José Mário Vaz, candidato à reeleição, tinha previsto estar em Gabu, mas adiou a sua presença para este domingo. Participam na campanha eleitoral, que vai decorrer até 22 de novembro, 12 candidatos aprovados pelo Supremo Tribunal de Justiça.

Edita DW

PARTIDOS DO GOVERNO DE FAUSTINO IMBALI PEDEM SAÍDA DA CEDEAO DA GUINÉ-BISSAU

MADEM-G15, PRS e APU-PDGB acusam a CEDEAO de ingerir num Estado soberanoOs partidos que suportam o Governo da Guiné-Bissau empossado ontem pelo Presidente, José Mário Vaz, escreveram uma carta ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, a exigir a retirada imediata da Comissão da Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) do páis a quem que acusam de ingerência na soberania do país e de apoiar o Governo demitido.
O Movimento para Alternância Democrática (MADEM-G15), o Partido da Renovação Social (PRS) e a Assembleia do Povo Unido-Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB) disseram estar “surpreendidos com a grosseira ingerência de soberania” de “alguns responsáveis” da CEDEAO, ao “interceder a favor de interesses de uma das partes”.
A CEDEAO, lê-se na carta enviada a António Guterres, “foi convidada a mediar a crise política resultante do bloqueio e encerramento abusivo do Parlamento da Guiné-Bissau”, em 2012, mas “não foi convidada a decidir pelos guineenses, muito menos a suspender a aplicação das Leis da Guiné-Bissau, a ingerir ou definir a organização de um Estado Soberano”.
“Por este motivo, os partidos políticos que representam a maioria no parlamento rejeitam esta mediação e solicitam a retirada imediata da CEDEAO da mediação da Guiné-Bissau”, defendem aquelas formações políticas, indicando a Guterres que a CEDEAO está a violar “preceitos básicos da boa mediação” e “o princípio da soberania guineense”.
O Governo liderado por Faustino Imbali é integrado pelo MADEM-G15, que possui sete ministérios e 5 escretarias, o PRS, com cinco ministérios e seis secretarias, e o APU-PDGB assume três pastas ministeriais e duas secretarias.
O Executivo tem 17 ministérios e 14 secretarias, assumidos por 24 homens e sete mulheres.
Conosaba/Voa

CANDIDATO INDEPENDENTE CARLOS GOMES JÚNIOR INICIOU A SUA CAMPANHA ELEITORAL EM BISSAU

O Candidato independente Carlos Gomes Jr. iniciou a sua campanha eleitoral no centro de cidade de Bissau.
Cadogo filho como é vulgarmente conhecido no país, anuncia aposta na juventude para desenvolver o país.
Carlos Jr. promete cumprir e fazer cumprir a lei magna guineense, tendo referido alguns pontos de sucessos que marcou a sua governação antes do golpe militar que derrubou o seu governo.Conosaba/Aliu Cande

CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU REJEITA MUDANÇA DE PODER DECIDIDA PELO PRESIDENTE DA GUINÉ-BISSA

O Conselho de Segurança das Nações Unidas apelou ao respeito pela data das próximas eleições presidenciais na Guiné-Bissau, rejeitando a mudança de poder decidida pelo presidente guineense.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas rejeitou, por unanimidade, a mudança de poder decidida pelo presidente da Guiné-Bissau, apelando ainda ao respeito pela data das próximas eleições presidenciais naquele país.
A declaração das Nações Unidas foi adotada na quinta-feira, no mesmo dia em que o presidente guineense, José Mário Vaz, deu posse ao novo governo de Faustino Imbali, dias depois de ter destituído o Executivo liderado por Aristides Gomes.
A adoção da declaração do Conselho de Segurança foi resultado de uma reunião à porta fechada na quinta-feira, convocada a pedido dos três membros africanos deste órgão, no caso a África do Sul, Costa do Marfim e Guiné Equatorial, estando já agendada outra reunião para a próxima segunda-feira, dia 04, de manhã.
No documento, o Conselho de Segurança manifesta “profunda preocupação com a situação política e social” na Guiné-Bissau” e pede “ao presidente José Mário Vaz e ao governo liderado pelo primeiro-ministro Aristides Gomes, responsável por liderar o processo eleitoral, que resolvam as suas diferenças num espírito de respeito e de cooperação”, parecendo ignorar a mudança de executivo.
“Exorta os atores políticos da Guiné-Bissau a observarem a máxima contenção, a não recorrerem à violência ou ao incitamento ao ódio e a privilegiarem o diálogo com a única maneira de resolver diferenças e preservar a paz e a segurança no país”, lê-se no documento.
O Conselho de Segurança sublinha a “necessidade urgente de realizar as eleições presidenciais de 24 de novembro, conforme acordado, a fim de concluir o ciclo eleitoral que permite uma transferência pacífica de poder ao presidente eleito”.
O órgão das Nações Unidas lembra ainda que pode decidir avançar com sanções contra os que desestabilizam o país, e aproveita para elogiar “a estrita neutralidade” que as forças de segurança e o Exército têm tido até agora.
A Guiné-Bissau vive um momento de grande tensão política, tendo o país neste momento dois governos e dois primeiros-ministros, nomeadamente Aristides Gomes e Faustino Imbali.
O Presidente guineense deu na quinta-feira posse a um novo Governo, depois de ter demitido o Governo liderado por Aristides Gomes na segunda-feira.
A União Africana, a União Europeia, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e as Nações Unidas já condenaram a decisão do Presidente, José Mário Vaz, de demitir o Governo liderado por Aristides Gomes e disseram que apenas reconhecem o executivo saído das eleições legislativas de 10 de março, que afirma continuar em funções.
O Governo de Aristides Gomes já disse que não reconhece a decisão de José Mário Vaz, por este ser candidato às eleições presidenciais, por o seu mandato ter terminado a 23 de junho — cinco anos após a posse como chefe de Estado – e por se ter mantido no cargo, após o final do seu mandato, por decisão da CEDEAO.
Este sábado arrancou no país a campanha eleitoral para as eleições presidenciais de 24 de novembro.
Conosaba/Lusa

PAIGC NÃO AVANÇA PARA SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA PARA IMPUGNAR NOMEAÇÃO DE FAUSTINO IMBALI


O líder do PAIGC, partido que suporta o executivo liderado por Aristides Gomes, anunciou que não vai avançar para o Supremo Tribunal de Justiça no sentido de impugnar o decreto que nomeia Faustino Imbali como primeiro-ministro.
“Um ato que não existe não precisa ser impugnado no Supremo Tribunal de Justiça”, vincou Domingos Simões Pereira.
Em declaração esta quinta-feira, 31 de outubro de 2019, a imprensa no aeroporto internacional Osvaldo Vieira, em Bissau, de regresso da Inglaterra, Domingos Simões Pereira diz que espera do povo guineense em fazer valer o Estado de Direito Democrático no país.

De acordo com Simões Pereira, em decorrência da observância do Estado de Direito Democrático que os parceiros da Guiné-Bissau vão contribuir para a restauração da normalidade constitucional no país.

Ladeado dos vice-presidentes do partido, Simões Pereira afirma que não houve nenhuma nomeação de um outro primeiro-ministro que não seja o Aristides Gomes, indigitado pelo partido vencedor das eleições legislativas de março último.
Confrontado com a acusação que foi alvo pelo Movimento para Alternância Democrática (MADEM-G15), segundo a qual Simões Pereira está a desencadear mais uma campanha de desinformação, pondo em causa a dignidade e a credibilidade externa do país, o antigo primeiro-ministro guineense limitou a dizer que não trabalha para o Madem.
O Presidente guineense, José Mário Vaz, demitiu, na segunda-feira, o Governo liderado por Aristides Gomes e nomeou Faustino Imbali como primeiro-ministro da Guiné.
O Governo de Aristides Gomes não acatou a decisão do Presidente, que é candidato às presidenciais de 24 de novembro, e contínua em funções.
A União Africana, a União Europeia, a CEDEAO, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e as Nações Unidas já condenaram a decisão do Presidente José Mário Vaz e disseram que apenas reconhecem o Governo saído das eleições legislativas de 10 de março.
Notabanca; 02.11.2019Publicada por notabanca

APU-PDGB:“ATUAL IMPASSE POLÍTICO É ARTIFICIAL E ESTÁ SENDO PERPETUADO COMO TAL PERANTE COMUNIDADE INTERNACIONAL”

03/11/2019 / OdemocrataGB / No comments

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A Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB) diz num comunicado que o atual “impasse” político é artificial e está a ser perpetuado como tal, perante a comunidade internacional, por atores que desejam deturpar as disposições da Constituição da República da Guiné-Bissau.

Num comunicado datado 02 de novembro do ano em curso, a APU-PDG discorda completamente da deturpação dos fatos relacionados com o atual “impasse” político para o qual, segundo esta formação política, alguns atores internacionais tenham contribuído na deturpação no que diz respeito à posição desta formação política com assento parlamentar.

O documento adianta ainda que, após as eleições legislativas de 10 de março de 2019, nenhum partido obteve uma maioria absoluta na Assembleia Nacional Popular para formar Governo. Assim, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), sob a liderança de Domingos Simões Pereira, procurou a APU-PDG, sob a liderança Nuno Gomes Nabiam, para formar uma coligação e posteriormente formar governo. Na base desta coligação o governo foi formado e empossado pelo Presidente da República José Mário Vaz a 3 de julho de 2019, apesar de seu mandato ter expirado a 23 de junho de 2019.

Entre 3 de julho e 28 de outubro, vários desenvolvimentos políticos, não consentâneos com as aspirações dos nossos membros e cidadãos guineenses que confiam em nossa liderança, levando o nosso partido a considerar ilógico e insustentável continuar com a coligação política com o PAIGC no governo.  

No dia 29 de outubro, o nosso partido rompeu a coligação política com o PAIGC ao assinar um novo acordo de coligação com dois partidos com representação na Assembleia Nacional Popular nomeadamente o Partido da Renovação Social (PRS) e o Movimento para Alternativa Democrática (MADEM-G15), lê-se no comunicado.

Aquela formação política liderada por Nuno Gomes Nabiam informa neste mesmo documento que foi esta nova coligação que encaminhou o nome do novo primeiro ministro Faustino Fudut Imbali, ao Presidente da República, acabando assim por ser nomeado e formar novo governo que tomou posse.

“Nosso partido não se juntou à coligação com o PAIGC sob os auspícios da CEDEAO ou de qualquer outro órgão internacional e da mesma forma, não aderimos à nova coalizão sob os auspícios da CEDEAO ou de qualquer outro órgão internacional. Assim apelamos à comunidade internacional e a todos os amigos da Guiné-Bissau que respeitem a constituição de nosso país e a incipiente democracia”, salienta o comunicado.

Por: Aguinaldo Ampa