PAIGC reivindica vitória com “poderes necessários” para governar

PAIGC reivindica vitória com “poderes necessários” para governar
Bissau, 12 Mar 19 (ANG) – O Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC) reivindicou segunda-feira a vitória nas eleições legislativas de domingo, obtendo “os poderes necessários” para governar.

Em conferência de imprensa realizada, em Bissau, o porta-voz do PAIGC, João Bernardo Vieira, não quis esclarecer se o partido tem maioria absoluta, porque não quer substituir-se à Comissão Nacional de Eleições (CNE) .“Não gostaria de entrar nesses detalhes, mas estamos com uma maioria que permite-nos estar um pouco mais confortáveis”, afirmou o dirigente do PAIGC.Disse que assim que a CNE anuncie os primeiros resultados provisórios, previstos para quarta-feira, o líder do PAIGC e candidato a primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira, irá fazer uma análise política das eleições, em conferência de imprensa.Referiu que após uma “campanha eleitoral extenuante”, mas “rica em experiências”, “o mais importante é unir o povo guineense, sem distinção de raça, etnia ou religião. João Bernardo Vieira, salientando que os dirigentes do PAIGC estão “calmos e serenos”, porque “estão criadas as condições para uma governação estável para o país”.“A direcção do partido decidiu convocar a conferência de imprensa , ainda antes do anúncio da CNE, porque têm estado a circular documentos e números falsos por parte de outros partidos sobre as eleições de domingo”, disse Bernardo Vieira.O porta-voz do PAIGC sustentou que o partido dispõe de atas síntese de todas as mesas eleitorais e exige “lisura e transparência no apuramento dos resultados”.“O povo exprimiu a sua vontade inequívoca de o PAIGC dirigir o país”, salientou o membro do Bureau Político daquele partido, numa conferência onde falou em português, inglês e francês, dada a presença de jornalistas internacionais.Na declaração, o partido agradeceu “a renovada confiança” da população: “isto significa que o povo compreendeu e bem a mensagem do PAIGC”, conclui. ANG/Inforpress/Lusa

PNUD GUINÉ-BISSAU

A porta-Voz da CNE, Felizberta Moura Vaz, na conferência de imprensa que teve lugar hoje na CNE pelas 12h20, affirmou que a taxa de participação é muito positiva e que o apuramento dos resulatdos está a ter lugar nas Comissões Regionais Eleitorais. 
Indicou a data de Quarta-Feira 13 de Março para a divulgação dos resultados provisórios.
Agradeceu todos os atores do processo eleitoral e lançou um apelo à contenção da parte dos partidos politicos e dos jornalistas no que concerne a divulgação dos resultados.

PNUD GUINÉ-BISSAU

Eleições Legislativas na Guiné-Bissau

761.000 eleitores foram chamados hoje às urnas das 07h da manhã às 17h da tarde em todo território nacional e na diáspora para eleger 102 deputados de 21 partidos políticos. 
O processo de votação foi acompanhado pela Célula de Monitorização Eleitoral, uma plataforma de composta por membros de várias organizações da sociedade civil que tem por objetivo, assegurar e fortalecer a qualidade da participação da sociedade civil no processo eleitora na Guiné-Bissau através do acompanhamento eleitoral, articulação entre atores, coleta e partilha de informação e ações de sensibilização junto aos eleitores levadas a cabo por 420 monitores em todo o território nacional. 
Em conferencia de imprensa organizada por volta das 19h no Hotel Azalai, Malam Braima Sambu, Secretário Nacional do Conselho Fiscal do Movimento da Sociedade Civil e Porta-Voz da Célula de Monitorização Eleitoral, afirmou que de modo geral, a votação decorreu de forma regular, mas que se verificaram alguns incidentes tal como a interrupção do voto em algumas assembleias devido à troca de cadernos eleitorais ou a ausência dos nomes de alguns eleitores nos cadernos. Segundo o Dr. Augusto Mario da Silva, Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos e membro da Célula de Monitorização, a Comissão Nacional Eleitoral, tem corrigido as falhas reportadas pela Célula de forma atempada. 
A comunidade internacional, saudou a forma “pacifica e tranquila” com que decorreram as eleições assim como o civismo e a maturidade do povo guineense. 
A CNE iniciou o processo de compilação dos resultados das diferentes assembleias de votos do país e da diáspora e afirmou que estará em condições de divulgar resultados provisórios (percentagem de participação e resultados por partido) na Terça-Feira 12 de março.

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FONTE PNUD GUINE BISSAU

UNIÃO AFRICANA SALIENTA CLIMA DE TRANQUILIDADE E PARTICIPAÇÃO CÍVICA

O chefe da missão de observadores eleitorais da União Africana, Rafael Branco, salientou hoje que o ato eleitoral na Guiné-Bissau decorreu de forma tranquila e com uma “participação cívica notável”.
“Temos 15 equipas espalhadas pelo território nacional recebemos um relatório às 08:00 da manhã e outro às 12:00 (mesma hora em Lisboa) e esse dois relatórios coincidem nisto: o clima é de tranquilidade, de uma participação cívica notável e esperamos pelo relatório da noite que nos vai dar uma visão de todo o processo”, afirmou à Lusa o antigo primeiro-ministro são-tomense, depois do encerramento das urnas.

Rafael Branco disse também que assistiu à abertura das urnas na zona do círculo 28, em Bissau, onde visitou várias assembleias de voto, e que o ambiente tem sido o mesmo.
“Agora estamos aqui no fecho e o ambiente vivido de manhã confirma-se novamente esta tarde. Tudo decorre num ambiente bastante tranquilo, há uma ou outra defesa mais acalorada, mas isso é absolutamente normal”, disse.
A União Africana deverá apresentar o seu relatório final sobre a avaliação às eleições legislativas na terça-feira.
A organização faz parte do grupo P5, que inclui também a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, ONU e União Europeia, que tem acompanhado de muito perto a crise política que a Guiné-Bissau vive há mais de três anos.
Mais de 761 mil eleitores guineenses foram hoje chamados às urnas para eleger o novo parlamento do país entre os candidatos apresentados por 21 partidos políticos.
As urnas estiveram abertas entre as 07:00 e as 17:00 locais (mesma hora em Lisboa).

Publicada Radio Voz do Rio Cacheu

EXDIRIGENTE NA ONU CARLOS LOPEZ

Photo de Braima Darame.

O guineense Carlos Lopes, que foi adjunto do secretário-geral das Nações Unidas, manifestou dúvidas sobre a possibilidade do executivo saído das legislativas de hoje poder efetivamente governar e sobre a posição dos derrotados no escrutínio perante os resultados.Na sua página nas re rede social Facebook, Carlos Lopes, natural de Canchungo, no norte da Guiné-Bissau, questionou se “finalmente, as pessoas terão a sua oportunidade” de ter um executivo legitimamente eleito, respondendo de imediato que “sim”.Carlos Lopes foi um dos quadros guineenses que participou na produção do documento estratégico Terra Ranka, com o qual a Guiné-Bissau conseguiu uma promessa de 1,5 mil milhões de dólares, numa mesa-redonda, realizada em 2015, na Bélgica.Também o antigo administrador do Banco Mundial para vários países africanos, o guineense Paulo Gomes, escreveu nas redes sociais que o dia de hoje é “uma etapa importante para a cidadania” e abertura de uma plataforma para reconstituir a confiança, o consenso e promoção do desenvolvimento do país.Paulo Gomes, que também participou na elaboração da estratégia Terra Ranka, aconselhou o próximo primeiro-ministro a “rapidamente realizar chamadas telefónicas e programar visitas” junto dos parceiros da Guiné-Bissau para solicitar o desbloqueamento de fundos prometidos na mesa-redonda.O economista salientou a necessidade de um consenso nacional em torno do líder do futuro Governo, para fazer face ao que classificou como “situação de emergência” para o país.”Espero que haja menos política e promoção de mais desenvolvimento, mais trabalho de equipa”, para a reconquista da confiança que a Guiné-Bissau perdeu desde as últimas eleições gerais de 2014, referiu o economista.Mais de 761 mil eleitores guineenses foram hoje chamados às urnas para eleger um novo parlamento entre os candidatos apresentados por 21 partidos políticos.As urnas abriram às 07:00 locais (mesma 

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Após eleição sem sobressaltos na Guiné-Bissau, resultados provisórios só na terça-feira

Porta-voz da Comissão Nacional de Eleições saudou o civismo demonstrado pela população. Urnas fecharam às 17.00 e 761 mil eleitores estavam chamados a votar nas legislativas.

As urnas eleitorais encerraram às 17:00 na Guiné-Bissau e a Comissão Nacional de Eleições (CNE) promete para segunda-feira, às 12:00, um primeiro balanço da votação para as legislativas que globalmente disse ter decorrido sem sobressaltos.

A porta-voz da CNE, Felisberta Vaz, disse à Lusa que os resultados oficiais provisórios serão conhecidos na terça-feira.

A responsável lembrou que a lei impede a qualquer outra entidade a divulgação dos resultados, parciais ou totais e que apenas a CNE tem aquela competência.

Felisberta Vaz saudou o civismo demonstrado pela população guineense, elogiou a atuação das forças de segurança, mas apelou a que reforcem vigilância contra viaturas não autorizadas que estão a circular pelo país, como determina a lei em dias de eleições.

Uma outra fronte da CNE confirmou o encerramento das urnas às 17:00, salvo nas mesas onde ainda existiam eleitores para votar.

Cerca de 761 mil eleitores foram chamados hoje às urnas em mais de três mil mesas de voto espalhadas pelo território nacional e diáspora.

O dia das eleições ficou marcado pelas queixas de muito guineenses, que possuíam cartão de eleitor, mas não tinham o seu nome nos cadernos eleitorais, feitos a partir de uma base informatizada.

Este erro técnico já fora detetado, mas os partidos que compõem o plenário da CNE decidiram circunscrever o universo eleitoral aos cadernos informatizados, uma situação que afastou muitos guineenses do processo.

Apesar deste e de outros problemas, com mesas que não abriram e alguma descoordenação da distribuição dos meios, todos os partidos e atores políticos consideram que as eleições estão a ser um sucesso.

O ato eleitoral está a decorrer com normalidade, “sem mortes, sem espancamento, sem golpes de Estado, sem prisões arbitrárias, sem prisioneiros políticos, e com liberdade de expressão, de manifestação e imprensa”, afirmou o Presidente, José Mário Vaz, que considerou o país um “campeão da liberdade”.

As eleições legislativas foram impostas pela comunidade internacional após uma longa crise política, criada após a demissão do primeiro-ministro em 2015, Domingos Simões Pereira, apesar de o seu partido – Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC) – ter a maioria absoluta.

Entre os 21 partidos candidatos, três dizem esperar governar: o PAIGC, o Partido da Renovação Social (PRS) e o Movimento para a Alternância Democrária (Madem), este último criado a partir de uma dissidência dentro da maior formação partidária do país.

As eleições acontecem também um dia depois de ter sido feita a maior apreensão de droga no país – 789 quilos de cocaína – um sinal de que o país continua a ter problemas com o tráfico internacional.

A Guiné-Bissau chegou mesmo a ser considerada um narco-estado, que recebia toneladas de droga da América Latina que se destinava à Europa.

A droga seguia num camião, escondida num fundo falso, em vários sacos de 30 quilos, em pacotes pretos, e a rede de traficantes integrava elementos associados à al-Qaida do Magrebe Islâmico.

“A grande luta [do país] é exatamente contra o surto da droga. Por isso, para mim foi uma grande satisfação quando ontem tive conhecimento que aconteceu isso na Guiné-Bissau”, disse José Mário Vaz, questionado pela Lusa sobre a operação policial.


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HISTÓRIA DE GUMBÉ

A música da Guiné-Bissau é normalmente associada com género poli-rítmico denominado de “gumbé,” que constitui a primeira exportação musical do país.

A calabaça ou simplesmente “cabaz” foi um dos primeiros instrumentos musicais da Guiné-Bissau e é usado de uma forma extremamente rápida, produzindo sons que também provocam complexas danças, sejam elas tradicionais ou modernas.

O grande denominador de estilo Gumbé são as canções, muitas delas cantadas em Crioulo e revolvendo à volta de temas tais como a sociedade, as relações humanas e amorosas, a amizade, as controvérsias e muito recentemente noutros tópicos, nomeadamente o Sida e as questões políticas e da estabilidade do país.

A palavra “Gumbé” é sempre usada genericamente, albergando quase todos os estilos musicais da Guiné-Bissau. Todavia, o estilo “Gumbé” tem juntado mais de uma dezena de géneros musicais — conhecidos como músicas folclóricas ou tradicionais. Alguns exemplos destes estilos são: Tina, Tinga, Brocxa, Kussundé (da etnia Balanta), Djambadon (Mandinga), e Kunderé (Bijagós). Muito embora alguns destes estilos sejam apropriados para rituais, cerimónias tradicionais e fúnebres, a pouco e pouco eles estão sendo incorporados na música contemporânea de Gumbé.

Outro elemento relevante quando se fala da música da Guiné é a união que ela incentiva entre guineenses de diversas etnias e religiões. Este é o caso do fenómeno de “mandjuandades”. Como aliás escreveu Maria Manuela Abreu Borges Domingues na sua dissertação ESTRATÉGIAS FEMININAS ENTRE AS BIDEIRAS DE BISSAU, “a prevalência das associações pluri-étnicas indicia a índole iminentemente urbana das mandjuandades de Bissau, onde a coabitação das diversas culturas acabou por originar formas de expressão e solidariedades sociais específicas, fruto das comuns condições de existência material e vivências quotidianas”. Aliás tem sido a maior característica da música Gumbé em suas diversas formas.

Independente desde 1973 (e reconhecida um ano mais tarde pela administração colonial portuguesa), Guiné-Bissau não tem sofrido influências musicais significantes de Portugal (fado), contrariamente daquilo que aconteceu em países como Brasil, Angola, Moçambique e Cabo Verde.

No entanto, a existência de Gumbé só veio à luz do dia depois de 1973, quando Ernesto Dabó produziu em Lisboa o tema “M’Ba Bolama”. Diz-se que a produção desta música ocorreu sob à alçada de Zé Carlos, também o responsável pela formação de uma das mais populares bandas musicais na Guiné-Bissau, Cobiana Djazz. Estávamos em 1972.

Quase uma década depois, viveu-se a “era” de Super Mama Djombo, cujo primeiro trabalho estreiou-se em 1980 com o álbum “Cambança”, tremendamente popular por todo o país.

A história conta-nos de que os primeiros grupos musicais da Guiné-Bissau tais como a Africa Livre, o Chifre Preto e a Kapa Negra tinham relações “tensas” com o poder político dessa altura.

Nas mesmas circunstâncias esteve o histórico Zé Carlos, considerado um crítico do poder colonial e da administração pós-independência. O cantor acabou por morrer num acidente de aviação em Havana, Cuba e até à esta data persistem rumores segundo os quais houve uma conspiração para eliminar fisicamente o músico devido ao conteúdo político das suas canções.

Mais tarde, a orquestra Super Mama Djambo embora tenha suportado o partido no poder, o PAIGC, também sempre criticou aquilo que apelidou de “nepotismo” e “corrupção” dos governantes.

E nos finais de 1980s, estilos Kussundé começaram a ganhar alguma popularidade no país, liderado por Kaba Mané, cujo álbum “Chefo Mae Mae” combinou as forças da guitarra eléctrica com as melodias e ritmos balantas. Na mesma linha de actuação surgiram cantores tais como Ramiro Naka e Tchando que muito contribuiram para a “exportação” da música guineense além das fronteiras.

Mas, em abono de verdade, o poder político sempre esteve preocupado com as mensagens dos artistas guineenses. Um exemplo clássico foi a prossecução do cantor Zé Manel depois do lançamento de “Tustumunhus di aonti” (Os Testumunhos de Ontem) em 1983, cujas letras foram escritas maioritariamente por Huco Monteiro, também ele escritor e poeta.

Hoje são muitos os que têm contribuído para a “evolução” de Gumbé, incluindo artistas tais como Sidónio Pais, Justino Delgado, Manecas Costa, o grupo Tabanka Djaz, Rui Sangará, Dulce Neves, Nené Tuty, Buka Pussick, Maio Copé, entre tantas outras figuras de relevo.

Mais como o Gumbé vai ganhando contornos internacionais, os artistas, músicos, compositores e produtores nacionais vão pesquisando as formas de “incorporar” as tradições musicais da Guiné-Bissau nas novas produções. Exemplos destes esforços são os álbuns “Mom na Mom”, produzido por Juca Delgado; “Paraíso di Gumbé” de Manecas Costas; “Badjapucen” de Silvestre Gomes; o agrupamento «Netos di Gumbé» e os recentes trabalhos de Nino Galissa e de Eneida Marta. E falando da Eneida, ela tem uma das mais belas vozes africanas da actualidade, misturando ritmos de Gumbé com a Morna de Cabo Verde ou o Singa, cantando nas línguas Mandinga, Fula, Crioulo, Futa-fula e Português. O álbum “Lope Kai” exemplifica este esforço.

Outros contributos para o enriquecimento da cultura e música Gumbé devem-se à nova geração dos cantores guineenses que, abraçando o estilo original de Gumbé, vão-se ajustando aos tempos modernos…e daí que muitos têm adicionado o sabor do “rap” aos sons do “nosso” Gumbé.
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DEFINIÇÃO DO ESTILO GUMBÉ
Definição: gumbé é o estilo de música urbana guineense/africana. Melodia que acompanha os poemas dos djidiu nascida da fusão da música crioula ” Badjo Di Sala ” com a música nativa. O gumbé surgiu no princípio da segunda grande guerra; associação multicultural de jovens (várias etnias e religiões), com fins de recreação e interajuda (Skinner, 1978; 199).

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