LÍDER DO PAIGC NA ONU AFIRMA QUE “NÃO SE PODE ACEITAR QUE HAJA HESITAÇÃO POR PARTE DA CEDEAO


Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, partido maioritário na Guiné-Bissau, viajou na Quarta-feira para Nova Iorque no intuito de discutir a situação da Guiné-Bissau na ONU.
Para Domingos Simões Pereira, trata-se designadamente de lembrar aos membros Conselho de Segurança a resolução das Nações Unidas que “chama a necessidade de respeito dos resultados eleitorais” das legislativas de Março na Guiné-Bissau.
Ao evocar o que foi dito e feito nos últimos dias no país, Domingos Simões Pereira voltou a abordar as suas declarações antes de viajar para Nova Iorque.
Ao reconhecer ter dito que “José Mário Vaz tinha intenção de nomear um Primeiro-ministro da sua iniciativa e um governo escolhido por ele”, o que -a seu ver- “configuraria um Golpe de Estado”, Domingos Simões Pereira considera que José Mário Vaz “só não avançou porque não teve o apoio que ele procurava junto da sub-região”.
E ao recordar as relações de cordialidade que refere ter com o Presidente do Senegal, apela “para o sentido de respeito daquilo que é a escolha livre do povo guineense”.
Referindo-se à Cimeira de Chefes de Estado e de governo da CEDEAO este fim-de-semana na 

Nigéria, uma cimeira em que deverá ser abordada a situação da Guiné-Bissau, o líder do PAIGC diz esperar “que a CEDEAO seja coerente e que compreenda que a cooperação internacional existe para o reforço das instituições democráticas”.
Para Domingos Simões Pereira “não se pode aceitar que haja hesitações por parte da CEDEAO, porque isso configuraria alguma cumplicidade naquilo que tem sido o registo da situação polvítica do país”.
Quanto ao voto ontem no parlamento guineense pela maioria constituída pelo PAIGC e seus parceiros de uma resolução retirando os poderes a José Mário Vaz e instituindo a sua substituição pelo Presidente da Assembleia Nacional Popular, sustentando-se no facto do mandato de Jomav ter oficialmente terminado no Domingo, o líder do PAIGC considera que há “uma vacatura no posto de Presidente da República que a Assembleia Nacional Popular tenta colmatar”.

Notabanca; 28.06.2019 

ESTUDANTES DE TCHICO TÉ PROMOVEM VIGÍLIA FRENTE AO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO NACIONAL


Os estudantes da Escola Normal Superior “Tchico Té”, promoveram hoje em Bissau, uma vigília à frente do Ministério da Educação Nacional exigindo o normal funcionamento das aulas naquela escola de formação de professores.
À saída do encontro com o Diretor Geral da Escola Superior de Educação (ESE), Malam Djafono, o chefe da delegação dos estudantes, Quintino Bonson, disse que o motivo da vigília tem a ver com as paralisações das aulas motivadas pelas ondas de greves decretadas União Nacional dos Trabalhadores da Guiné(UNTG) e a Confederação Geral dos Sindicatos Independentes(CGSI-GB).
Segundo Bonson, este ato serve para a demostração do descontentamento dos estudantes sobre  essa situação que já durou quase dois meses, em que os estudantes só assitem as aulas nas segundas e sextas-feiras de cada semana.
” O Diretor geral da ESE prometeu para breve reunir com todos os directores da escola de educação a nível nacional para encontrar uma solução para este problema, e, na próxima quarta-feira, deverá  comunicar a resolução aos estudantes”, disse.
Questionado sobre se o presente ano escolar está em risco de ser anulado, Bonson disse que o que falta para concluir em termos de conteúdos programáticos não sobrou tanto e que se as aulas retomaram normalmente até o mês de agosto, tudo será concluído. Disse que já foram executados 90 por cento dos conteúdos programados para este ano.
Este responsável dos estudantes de Tchico Té avisou que, se as suas exigências não forem atendidas, irão promover uma marcha pacífica para reivindicar os seus direitos de as aulas voltarem a funcionar normalmente.
Escolas públicas têm estado a funcionar durante dois dias semanais, devido a greve na Função Pública em curso desde Maio.

 Notabanca; 28.06.2019

DSP: “Direitos na Guiné-Bissau serão respeitados mesmo se a CEDEAO não assegurar”

O presidente do partido mais votado nas legislativas na Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, disse hoje em entrevista à Lusa que vai garantir com parceiros internacionais o respeito pelos direitos do povo, caso a organização regional CEDEAO não o faça.

Em visita à sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, no que denomina de “visita quase rotineira”, o presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) disse esperar que a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) seja “coerente” e assuma as responsabilidades depois de ter garantido em 2016 o Acordo de Bissau, que mais tarde se transformou em Acordo de Conacri – e que possibilitaram as eleições legislativas de março deste ano.

Na terça-feira, Simões Pereira acusou o Presidente guineense, José Mário Vaz, de ter montado “uma operação de golpe de Estado” com o objetivo de empossar um Governo da sua iniciativa, mas que esta intenção teria sido abortada porque “não teria recebido luz verde do padrinho da sub-região [o Presidente do Senegal, Macky Sall], que tem coordenado toda esta operação e outros desmandos do Presidente”.

Em declarações hoje à Lusa sobre as expectativas quanto à medição da CEDEAO no processo político da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira disse esperar a intervenção da Comunidade para a implementação de uma solução governativa no país, passados mais de três meses depois de eleições legislativas, e para a realização de eleições presidenciais, marcadas para 24 de novembro.

O presidente do PAIGC defendeu que, “da mesma forma que a CEDEAO tomou medidas que garantiram a realização das eleições legislativas, pode e deve acompanhar e assistir as instâncias competentes da Guiné-Bissau para a realização de eleições presidenciais”.

Domingos Simões Pereira lembrou que essas medidas terão de estar em conformidade com as leis internas do país e com a resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre as eleições da Guiné-Bissau.

O representante do PAIGC sublinhou que a Guiné-Bissau quer continuar a ser parte da CEDEAO e respeitar a comunidade, mas avisou: “Se a CEDEAO demonstrar dificuldades em respeitar os direitos do povo guineense, nós iremos a outras instâncias”, como por exemplo o Conselho de Segurança da ONU, a Comissão de Consolidação da Paz da ONU, a União Africana ou o Grupo Internacional de Contacto para a Guiné-Bissau.

“Não estamos aqui para fazer nenhuma espécie de `plaidoyer` [argumentação ou reivindicação] contra uma ou outra entidade, mas queremos garantir que os direitos do povo guineense serão respeitados por todas as instâncias”, declarou Domingos Simões Pereira.

O pedido de Domingos Simões Pereira surge num momento em que acredita que “ninguém que acompanha minimamente a situação da Guiné-Bissau terá dúvidas sobre o verdadeiro propósito do Presidente da República [José Mário Vaz], que é comprometer a realização das eleições presidenciais”.

“Eu espero que a cimeira da CEDEAO possa ajudar o Presidente da República a compreender que tem de aceitar a regra do jogo”, referindo-se ao encontro de líderes regionais, este sábado em Abuja, Nigéria.

O Presidente guineense demitiu Domingos Simões Pereira do cargo de primeiro-ministro em 2015, o que desencadeou uma crise política que obrigou à mediação internacional que culminou com os acordos de Bissau e Conacri, e recusou indigitá-lo como chefe de um novo Governo, apesar de ter sido o nome indicado pelo partido vencedor das legislativas de 10 de março passado.

A maioria dos deputados da Assembleia Nacional Popular (parlamento do país) aprovou na quinta-feira uma resolução que determina a cessação imediata das funções constitucionais do Presidente da República e a sua substituição no cargo pelo presidente do parlamento.

A crise política continua na Guiné-Bissau depois de José Mário Vaz, que terminou o seu mandato de cinco anos no domingo, ter recusado por duas vezes nomear para o cargo de primeiro-ministro Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC, partido mais votado nas eleições de 10 de março.

O vencedor das eleições acabou por indicar Aristides Gomes, nome aceite pelo Presidente, que, no entanto, não nomeou o Governo indicado pelo novo primeiro-ministro até ao dia 23 de junho, violando assim o prazo estipulado pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para o fazer.

José Mário Vaz marcou, na semana passada, eleições presidenciais para 24 de Novembro. Lusa

VOLUNTÁRIOS DA CRUZ VERMELHA ESTUDAM MECANISMOS PARA PREVENIR POSSÍVEIS CALAMIDADES

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A Cruz Vermelha, através do departamento de catástrofes, iniciou, esta quarta-feira (26), uma acção de formação aos sessenta (60) voluntários sobre a Prevenção e Gestão de Catástrofes Naturais e Humanos nas Zonas Expostas de maior Vulnerabilidade de Inundação e Tempestade

Esta iniciativa visa sensibilizar as populações sobre as inundações e tempestade que recorrentemente acontecem na Guiné-Bissau e em especial as periféricas húmidas e com pouco conhecimento em como reagir para prevenir catástrofes.

Na sequência da tempestade que assolou a Guiné-Bissau, no dia 27 de Julho de 2018, que causou a distribuição de centenas de casas e infra-estruturas sociais.

Perante esta situação, o presidente Nacional da Cruz Vermelha da Guiné-Bissau (CVGB), Sadna Na Bita, considerou a região de Bolama Bijagós, Bafatá, Biombo e Sector Autónomo de Bissau (SAB) como zonas mais vulneráveis para a calamidade.

“Avaliação feita destaca-se que a região de Bolama Bijagós, Bafatá, Biombo e Sector Autónomo de Bissau são as regiões com forte índice de probabilidade de calamidade uma vez que as pessoas constroem as casas nas zonas húmidas sem nenhuma árvore que o protege”, revelou o presidente da Cruz Vermelho da Guiné-Bissau.

No ano passado no dia 27 de Julho de 2018, cerca de duas  mil famílias, num total de 11.541 pessoas, foram afectadas pelo mau tempo, que provocou três mortes e a destruição de 420 habitações no bairro Militar, Antula, São Paulo Gabuzinho.

Na Bita disse ainda que esta formação visa reforçar a capacidade dos voluntários que estarão na segunda fase de intervenção da cruz vermelha sobre catástrofes naturais têm vindo a perturbar a sociedade guineense nos últimos tempos.

“No presente ano aconteceu em Binar, na região de Oio, por isso é preciso trabalhar para evitar a esta situação”, aconselha.

Um dos voluntários, Umaro Bubo Camara, apela o governo para abraçar esta iniciativa a fim de ajudar as comunidades com altos riscos de catástrofes naturais.

“Este tipo de iniciativa que o Estado devia abraçar com duas mãos que irá beneficiar as pessoas mais carenciados que precisam ser sensibilizadas em como construir as casas para evitar os danos”, sustenta.

A formação de dois dias organizada pela Cruz Vermelha da Guiné-Bissau (CVGB) com o apoio da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV-CV) vista prevenir possíveis calamidades no país.

A Guiné-Bissau continua a ser um dos países de risco “muito elevado” a Catástrofe natural, ocupando o lugar número 19 do ranking mundial segundo os dados do ano 2018.

Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos / Marcelino Iambi

Imagem: Marcelino Iambi

CONVIDADO PodcastDSP: “Não se pode aceitar que haja hesitações por parte da CEDEAO

Em entrevista à RFI, Domingos Simões Pereira desfaz boatos de alguns sectores confucionistas sobre Senegal

Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, partido maioritário na Guiné-Bissau, viajou na Quarta-feira para Nova Iorque no intuito de discutir a situação da Guiné-Bissau na ONU. Para Domingos Simões Pereira, trata-se designadamente de lembrar aos membros Conselho de Segurança a resolução das Nações Unidas que “chama a necessidade de respeito dos resultados eleitorais” das legislativas de Março na Guiné-Bissau.

Ao evocar o que foi dito e feito nos últimos dias no país, Domingos Simões Pereira voltou a abordar as suas declarações antes de viajar para Nova Iorque. Ao reconhecer ter dito que “José Mário Vaz tinha intenção de nomear um Primeiro-ministro da sua iniciativa e um governo escolhido por ele”, o que -a seu ver- “configuraria um Golpe de Estado”, Domingos Simões Pereira considera que José Mário Vaz “só não avançou porque não teve o apoio que ele procurava junto da sub-região”. E ao recordar as relações de cordialidade que refere ter com o Presidente do Senegal, apela “para o sentido de respeito daquilo que é a escolha livre do povo guineense”.

Referindo-se à Cimeira de Chefes de Estado e de governo da CEDEAO este fim-de-semana na Nigéria, uma cimeira em que deverá ser abordada a situação da Guiné-Bissau, o líder do PAIGC diz esperar “que a CEDEAO seja coerente e que compreenda que a cooperação internacional existe para o reforço das instituições democráticas”. Para Domingos Simões Pereira “não se pode aceitar que haja hesitações por parte da CEDEAO, porque isso configuraria alguma cumplicidade naquilo que tem sido o registo da situação política do país”.

Quanto ao voto ontem no parlamento guineense pela maioria constituída pelo PAIGC e seus parceiros de uma resolução retirando os poderes a José Mário Vaz e instituindo a sua substituição pelo Presidente da Assembleia Nacional Popular, sustentando-se no facto do mandato de Jomav ter oficialmente terminado no Domingo, o líder do PAIGC considera que há “uma vacatura no posto de Presidente da República que a Assembleia Nacional Popular tenta colmatar”.

RFI

Na ausência do governo: MOTORISTAS E TRANSPORTADORES ANUNCIAM QUE NÃO VÃO PAGAR FUNDO RODOVIÁRIO

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A Confederação Nacional dos Motoristas e Transportadores da Guiné-Bissau anunciou que doravante os associados da organização não vão pagar o Fundo Rodoviário a nível nacional, enquanto não tiver um interlocutor legítimo com quem possa analisar a situação da restauração das estradas urbanas e semi-urbanas do país.

A posição da Confederação foi tornada pública esta quinta-feira, 27 de junho de 2019, por Bubacar Frederico Ofer, presidente da organização, em conferência de imprensa realizada em Bissau, na paragem central situada nas periferias do bairro do Enterramento. Na sequência dessa decisão, Bubacar Frederico Ofer pede a colaboração de todos os associados no sentido de não pagarem o fundo rodoviário até que as condições das estradas sejam melhoradas.

O ativista ameaça ainda desencadear novos mecanismos e avançar para paralisações a nível nacional, se  a implementação do memorando do entendimento assinado com o governo continuar a ser violado.

“Não vamos pagar o fundo a nível nacional e se houver reação contrária, isto é, da parte do fundo rodoviário, vamos avançar para o passo seguinte, as paralisações, direito que a lei nos reserva”, ameaçou, exigindo ao mesmo tempo que os responsáveis ligados ao setor assumam  as suas responsabilidades para resolver, com maior brevidade, os problemas das estradas do país.  

Por seu lado, Aristides Francisco Mendes, presidente de associação dos motoristas do Sector Autônomo de Bissau pediu a harmonização nas cobranças de multas, passando a ser uma única coisa para todos e atribuiu responsabilidades aos agentes da viação por todas as atrocidades que ocorrem nas estradas, pelo que devem assumir as responsabilidade dos  seus atos  e  as tarefas que lhes cabem.   

Aristides Francisco critica ainda a Câmara Municipal de Bissau, que acusa de proceder às cobranças na paragem, sem reunir as condições necessárias para os motoristas, nomeadamente: espaço para os motoristas, falta da água potável canalizada nem saneamento básico. Ou seja, A edilidade camarária  não faz  nenhuma conservação higiénica no espaço onde funciona atualmente a paragem central. Por isso, ameaça suspender, para breve, todos os  pagamentos que os motoristas fazem à Câmara Municipal de Bissau se se mantiver a situação.

Por: Carolina Djemé 

O democrata

Guiné-Bissau: “Jomav no poder é um golpe de Estado”, entende constitucionalista português Jorge Miranda

O constitucionalista português Jorge Miranda entende que a decisão do Parlamento pela cessação imediata das funções do Presidente e sua substituição no cargo pelo presidente do Parlamento tem validade constitucional.

Jorge Miranda

O constitucionalista português Jorge Miranda disse hoje que a permanência de José Mário Vaz no poder um golpe de Estado ao “género de Maduro” na Venezuela.

José Mário Vaz terminou o mandato no domingo (28.06.) e para constitucionalista português Jorge Miranda “devia ter abandonado logo nessa altura as funções”. Miranda sublinhou à agência Lusa que “o Parlamento destituiu-o, já não é Presidente”.

Por outro lado, explicou, as eleições presidenciais, entretanto marcadas para 24 de novembro, “deveriam ter sido convocadas de maneira a que o novo Presidente tomasse posse no dia em que ele cessava o mandato”.

“[José Mário Vaz] ia marcar eleições para novembro quando o mandato já tinha terminado e depois o Presidente eleito eventualmente só tomaria posse em janeiro. Iria manter-se no poder seis meses mais do que aquilo que a Constituição permite”, notou.

O constitucionalista entende, por isso, que a resolução, aprovada na quinta-feira (23.06.), pelo Parlamento a determinar a cessação imediata das funções do Presidente da República e a sua substituição no cargo pelo presidente do Parlamento tem toda a validade constitucional.

“Juridicamente ele já tinha terminado o mandato. [A resolução] dos deputados nem sequer foi um ‘impeachment’ no sentido norte-americano ou como tem sido também utilizado no Brasil, foi uma declaração simples de que o Presidente tinha terminado as funções”, esclarece.

Jomav está a fazer um golpe de Estado

Cipriano Cassamá, presidente do Parlamento guineense

Já depois de o Parlamento lhe ter retirado os poderes, a Presidência guineense anunciou que José Mário Vaz viaja hoje para a Nigéria para participar na cimeira da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que analisará a situação política no país.

Para Jorge Miranda, esta viagem configura uma situação “absolutamente incrível e inconstitucional”.

“O Parlamento destitui-o e ele diz que continua em funções. É incrível. Mas então o parlamento admite que ele vá representar a Guiné-Bissau numa reunião internacional”, questionou.

 “Já não é Presidente e está a fazer um golpe de Estado do género do Maduro na Venezuela”, reforçou, apelando para uma tomada de posição firme da comunidade internacional, particularmente da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Domingos Simões Perereira, líder do PAIGC, partido vencedor das legislativas de março

Solução pode passar por via militar

Perante o impasse, Jorge Miranda admitiu que a solução para a crise venha “infelizmente a depender da força militar” e assegura: “Não sei como os militares estão a reagir, mas [a permanência do Presidente José Mário Vaz] é uma situação totalmente inconstitucional, ilegal e contrária ao direito internacional”.

A crise política continua depois de José Mário Vaz, que terminou o seu mandato de cinco anos no domingo, ter recusado por duas vezes nomear para o cargo de primeiro-ministro Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC, partido mais votado nas eleições legislativas de 10 de março.

O vencedor das eleições acabou por indicar Aristides Gomes, nome aceite pelo Presidente, que, no entanto, não nomeou o Governo indicado pelo novo primeiro-ministro até ao dia 23 de junho, violando assim o prazo estipulado pela CEDEAO para o fazer.

DW

JOMAV PEDE ATORES POLÍTICOS PARA CONSERVAR PAZ E ESTABILIDADE NA GUINÉ-BISSAU

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, a quem o parlamento tirou os poderes na quinta-feira, pediu esta sexta-feira, 28 de junho de 2019, os atores políticos guineenses conservar a “paz e estabilidade” alcançada durante cinco anos da sua presidência.

“Estou preocupado somente com uma coisa: a paz e estabilidade que conquistamos ao longo dos últimos anos, por isso, peço a todos filhos da Guiné-Bissau para preservar esta conquista, mesmo não continuando como Presidente guineense, para o futuro Chefe de Estado goza desse legado”, referiu Mário Vaz.

“Jomav” falava no aeroporto Internacional Osvaldo Vieira, em Bissau antes da partida para Abuja, Nigéria, onde participa na 55ª cimeira da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que analisará a situação política na Guiné-Bissau.

Na sua breve declaração sem direito a perguntas dos jornalistas, Mário Vaz revela que vai continuar advogar para que haja a “unidade, coesão e solidariedade entre os irmãos guineenses.

Além de Mário Vaz, participam na cimeira o líder do parlamento guineense, Cipriano Cassama e o primeiro-ministro, Aristides Gomes, segundo informações disponíveis.

Por: Alison Cabral

Posted by FALADEPAPAGAIO

WELKET CONSIDERA GUINÉ-BISSAU “DIAMANTE EM BRUTO” PARA A PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA

27/06/2019 / OdemocrataGB / No comments

 

[ENTREVISTA] O jovem realizador e argumentista luso guineense, Welket Bungué, disse que a Guiné-Bissau ainda é um “diamante em bruto” para o seu trabalho de produção cinematográfica, sobretudo pelas “Histórias” que tem do seu passado e da própria escrita e “Histórias” da cultura guineense, sobretudo de ponto de vista do seu potencial funcional. Welket Bungué, que estreou no passado mês de maio o seu filme de curta-metragem intitulado “Arriaga” que estreou no IndieLisboa (Festival Internacional de Cinema 2019), esteve no país no âmbito da semana de “Krioulofonia” que se realizou, em Bissau, no mês de maio último e para acompanhar também o dia a dia dos guineenses.

Sobre o assunto, o cineasta revelou em entrevista conjunta concedida ao semanário O Democrata, à Radiodifusão Portuguesa/África (RDP – África) e à Rádio Jovem que, a parte da semana da “Krioulofonia”, que já aconteceu, sentiu a necessidade de fazer um registo (filme) sobre o estado em que se encontra a cidade Bissau para mostrar ao mundo o quotidiano dos citadinos de Bissau.

Ou seja, na sua constatação, é um aspeto que vai para além de se tratar de apenas uma coisa bonita ou menos bonita. Disse que o que está a tentar fazer é dar cobertura àquilo que é a rotina quotidiana das pessoas em Bissau, tentar perceber determinados lugares por onde tem passado, nomeadamente: o Ilhéu do Rei, o Memorial da Escravatura em Cacheu, o projeto da Irmã Solange, em Canchungo e a imagem de uma criança que vive no bairro de Cuntum Madina, bairro tradicional nas imediações de Bissau e sobretudo as imagens registadas na capital sobre a dinâmica que acontece no centro, um projeto que o levou a descobrir e perceber como é que as pessoas reagem quando veem alguém com uma câmera na mão e que de alguma maneira quer captar aquilo que de mais belo há no dia-a-dia delas.

Em relação à produção cinematográfica guineense, Welket Bungué disse que o cinema guineense está numa fase embrionária, não obstante ter uma estrutura reflexo na cinematografia de Flora Gomes e Sana Na N’Hada. Sustentou que é uma cinematografia que tem como objetivo resgatar os valores da cultura guineense através de produções feitas localmente ou fora da Guiné-Bissau.

WELKET QUER RETRATAR A ROTINA DIÁRIA DOS ESTRANGEIROS QUE ESCOLHERAM A GUINÉ-BISSAU

No fundo, um dos objetivos do realizador é compilar uma recordação sobre essa Guiné em permanente desenvolvimento que tem uma geração de pessoas que, embora tenham ido lá para fora, têm cada vez mais vontade de investir no país. Welket Bungué esclarece que decidiu escolher o bairro de Cuntum Madina porque estava a acompanhar a sua pareceira Kristin Bethge (Fotógrafa) que recebeu uma encomenda de uma revista alemã para seguir o cotidiano de uma criança ou de uma família tradicional guineense.  

Para, além disso, destaca que também tinha ido lá visitar a sua família e percebeu que o bairro tem algo. Decidiu então escolhê-lo para ver e acompanhar como as pessoas sobrevivem e tentar perceber os seus hábitos e como contornam algumas precariedades que o bairro tem e que enfrentam no seu dia a dia, do ponto de vista estrutural.

“Isso para nós que viemos de fora, onde a princípio temos tudo como um dado adquirido e garantido, mas quando fomos conforntados com a realidade do país percebemos que há uma grande contradição. Perceber que há ainda pessoas que têm muito pouco e que ainda assim conseguem levar a acabo as suas rotinas e as suas necessidades”, observou.

Enquanto realizador e argumentista, Welket Bungué acredita que a Guiné-Bissau ainda é um “diamante em bruto” para o seu trabalho, sobretudo pelas “Histórias” do seu passado e a própria escrita e “Histórias” da cultura guineense, sobretudo do ponto de vista do seu potencial funcional.

“Temos vários lugares que são autênticas paisagens cinematográficas. É o caso de tudo o que vemos no dia-a-dia dos guineenses enquanto acontecimentos e gestos de corporalidade. Literariamente, se captarmos o que as pessoas dizem e a forma digo, muito especial, que o guineense têm de se dirigir a outro ou então de tratar assuntos sérios com uma certa poesia, através do uso dos ditos e ditados, são esses aspetos que fazem com que esta cultura tenha muito potencial para alguém que produz cinema”, realçou.

REALIZADOR LEVA A IMAGEM DO QUOTIDIANO DE BISSAU PARA OS ECRÃS DO MUNDO

Para além dos aspetos iniciais mencionados no início da entrevista, o argumentista quis narrar uma história, um documentário de ficção através de imagens filmadas que, na produção do filme, serão intercaladas com depoimentos de cidadãos guineenses, mulheres, homens e crianças) de diversos setores.

“Temos pessoas que trabalham com canoas que vêm deixar, por exemplo, castanhas de cajú diariamente nos portos de Bissau e que têm que dormir aqui porque não têm como voltar para as suas casas no mesmo dia. Depois são obrigadas a carregar os barcos para voltar com carga (e rentabilizar o serviço). Temos o caso de um alfaiate que se formou no Senegal e que veio montar o seu negócio em Bissau, mas que não conseguiu progredir. Mora no bairro de Sintra, Bissau, um bairro tradicional. Temos ainda uma captura de imagens que retrata o mercado de Bandim, uma feira que tem muitos negociantes que vendem seus produtos em muitos lugares. É interessante saber como lidam no seu dia-a-dia comunitariamente, sobretudo quando um não consegue vender. A questão é como conseguem, de alguma maneira, apoiarem-se mutuamente, porque depois, numa outra altura, poderá ser outro a precisar de ajuda para conseguir vender”, detalhou.

Relata que a capital Bissau tem ainda outra situação que lhe é caraterística, a questão das curtas deslocações. Nesse caso coloca-se, de alguma maneira, a questão das acessibilidades em Bissau, muito condicionadas. As pessoas acabam por ter de viajar de táxi ou de Toca-tocas e a sinalização é precária nas estradas. Por último, destaca a situação da juventude, senão mesmo da infância guineense, em que se tenta perceber como brincam as crianças, quais os seus sonhos e para onde querem ir.

Welket Bungué diz acreditar que no fim, poderá encerrar todas essas valências e paralelamente a isso fará, com certeza, uma leitura do estado da cidade.

“Somos muito abençoados, porque neste período em que aqui estamos presenciamos uma ou duas greves na função pública e paralisações em vários setores, que foi algo único. Presenciamos também alguns dias do Ramadão na Guiné-Bissau e a retoma da vida após o Ramadão. Portanto, do ponto de vista de imagem, são muito ricos os momentos que consegui captar aqui da cidade. É claro que será um trabalho muito árduo. Vou levar o filme para a Europa e terei que ser eu a fazer a montagem porque foi filmado com uma técnica muito específica, minha, e farei o máximo possível para que o resultado final seja dignificante para a cidade Bissau”, assegurou.

O argumentista luso guineense revelou que sempre foi sua preocupação retratar a rotina diária dos estrangeiros que escolheram a Guiné-Bissau como sua segunda pátria e disse que a Christine, a sua colega de equipa, quando vinha à Guiné-Bissau sabia, naturalmente, que vinha captar imagens da beleza guineense. E o fato de o país ter acolhido a exposição da Christine no Centro Cultural Português, em Bissau, representa algo especial e único, porque ela tem gravado na Alemanha, sobretudo no Brasil, várias realidades e chegou a vez de gravar imagens de Bissau para que estivessem naquela exposição.

“Este é o tipo de trabalho de prazer que temos e felizmente, o fato de conseguirmos viajar muito em trabalho proporciona-nos estas dádivas. Temos contatos com pessoas, podemos capturá-las e dentro das nossas possibilidades, evidenciar para o mundo aquilo que de melhor há naqueles lugares, para desconstruir estigmas que há em relação a determinadas classes sociais, pessoas e territórios”, notou.

Segundo Welket Bungué, a curta-metragem “BASTIEN”, primeira peça do realizador luso guineense, nasceu de um estudo ou intenção artística de discutir quais os problemas das diásporas africanas nas áreas periféricas de Lisboa.

“Neste filme, temos uma multiculturalidade, porque assim é que se convive naquelas áreas. Temos pessoas brancas, mulatas, negras e nativas de determinados lugares e, do ponto de vista narrativo, o problema que se coloca são os sonhos que muitas vezes são hipotecados, a juventude deixa de poder levar avante o seu sonho ou desejo em deterimento de uma estrutura social que, aparentemente, existe para proteger e defender o interesse dessa minoria vulnerável, mas no fundo não é o que acontece”, observou.

Para Welket Bungué, essas estruturas sociais e políticas fazem com que essas pessoas sejam cada vez mais marginalizadas, porque de início não conseguem legalizar-se devido a muitos entraves e como famílias acabam por ficar disfuncionais, sobretudo no concernente à falta de emprego, de acesso a determinados lugares que empoderá-las e permiti-las ter poder de decisão sobre as suas vidas, para sobretudo influenciar outras pessoas para que lhes possam fazer chegar aquilo que elas também precisam, acabam por resvalarem para caminhos contrários ao destino, que é o caso do “BASTIEN”, ele quer ser pintor, mas para conseguir pintar teve que se meter em situações litigiosas.

“Portanto, na altura em que ele estava para dar o passo e ser reconhecido como tal e, se calhar ter sucesso, ele tinha que pagar uma dívida que contraiu. O filme é visto em primeira instância como uma questão simplesmente vivencial, mas não. O que quero dizer aqui é falar das diferenças estruturais e institucionais que favorecem mais uma classe e menos outras”, detalhou, criticando, contudo, a forma como a terceira geração da diáspora africana é tratada em Portugal.

No entendimento de argumentista luso guineense, essa geração são pessoas que nasceram em Portugal, ou seja, negros africanos portugueses, nasceram lá. Neste sentido, defende que sejam considerados portugueses, não só do ponto de vista legal como também de direitos e de vivências. Mas, segundo disse, como essas pessoas estão a ser permanentemente empurradas para uma situação de desigualdade, isto justifica muitas vezes as tomadas de decisões que lhes colocam em lugares errados.

“NÃO POSSO SER PULSEIRA DE UM PAÍS, PORQUE SOMOS MUITOS E PODEMOS SER MUITO MAIS SE AJUDARMO-NOS”

Solicitado a pronunciar-se sobre a crise política e governativa que tem abalado a Guiné-Bissau, Welket Bungué disse que prefere falar mais da arte do que da política. 

Contudo fez algumas observações sobre a situação política do país e lança um repto no qual diz “se alguém neste momento está acomodado ou passivo perante a situação em que nos encontramos, então é porque essa pessoa não tem consciência de onde o guineense pode chegar”.

“Se estamos contentes com o lugar onde estamos neste momento, é porque nós não temos noção de onde podemos chegar. Eu tenho sido muitas vezes parabenizado na rua, mas não é isso que quero ouvir! Eu não posso ser pulseira de um país, porque somos muitos e podemos ser muito mais se ajudarmo-nos uns aos outros na direção certa. Muitas coisas aconteceram nesta terra para nós cidadãos comuns entendermos que o Estado é responsável pela estagnação do nosso país e que não consegue sair da situação. Nós, enquanto cidadãos desta terra, devemo-nos unir para reivindicarmos o nosso direito, porque não podemos deixar apenas aqueles que beneficiam da posição de elite ou de uma posição prestigiante tomarem decisões que nos impliquem”, espelhou.

Assegurou que, enquanto realizador e artista, vai trabalhar na sua área para o desenvolvimento daquele setor, por isso apela que cada cidadão dentro do seu setor dê a sua contribuição para o crescimento do país.

Questionado sobre a produção cinematográfica guineense, Welket Bungué disse que o cinema guineense está numa fase embrionária, não obstante ter uma estrutura reflexo da cinematografia de Flora Gomes e Sana Na N’Hada. Contudo, sustentou que é uma cinematografia que tem como objetivo resgatar os valores da cultura guineense através de produções feitas localmente ou fora da Guiné-Bissau.

“O desafio que deixo aqui é tentar perceber quem são essas pessoas que produzem cinema e assinam enquanto guineenses? Que filmes existem? Para entendermos que filmes podem ainda ser feitos e, sobretudo, entender que ramos como cinema ou pintura, música e todos os ramos artísticos em geral que só fazem sentido se houver uma representação honesta da população de quem se fala. Muitas vezes nós artistas criadores, estando numa situação de precariedade, prometemos mundo de fundos às pessoas que nos apoiam, mas quando estamos no topo, às vezes faltamos com os nossos compromissos que são justamente dar vozes às pessoas que nos apoiam”, notou.

PERCURSO PROFISSIONAL DE WELKET BUNGUÉ

O realizador luso guineense nasceu no sector de Xitole, região de Bafatá, no leste da Guiné-Bissau. Aos três anos de idade deixou o país e foi viver para a Lisboa (Portugal), em 1991 na companhia dos seus pais que emigraram a procura de uma vida melhor.

Cresceu em Lisboa e depois foi enviado pelos seus pais para um internado no sul de Portugal. Entrou no mundo da arte aos 19 anos através de apresentação de peças teatrais. Devido ao talento demostrado, conquistou os realizadores que o convidaram para o mundo de sétima arte (cinema), para participar num filme português “EQUADOR”. 

Em 2002 mudou-se para o Brasil, para a cidade do Rio de Janeiro, onde nos últimos tempos tem trabalhado mais com os produtores brasileiros na produção de filmes.

Esteve no festival do filme na Alemanha com o filme “JOAQUIM”, no qual desempenhou o papel de protagonista principal, em 2017. O filme retrata o período pré-abolicionista no Brasil e foi seleccionado para a competição naquele festival de Alemanha.

Em 2018 participou no filme de longa metragem alemão que tem estreia ainda este ano e que considera o projeto da sua vida neste momento. Começou a trabalhar como realizador do filme em 2014, mas já escrevia argumentos do filme há muitos anos.

Realizou a Curta-Metragem “BASTIEN” e integrou o elenco de “Joaquim” de Marcelo Gomes, como também o do filme “KAMINEY” do realizador indiano Vishaal Bahardwaj.

Recebeu o ‘Prémio AEGBL’ de Artista Revelação pela Associação de Estudantes Guineenses em Lisboa na Faculdade de Letras de Lisboa, em 2011. Em 2012 foi distinguido com o “Prémio de Melhor Ator” em “MUTTER”, no Primeiro Festival de Cinema Quinta Praia – ESMERIZ. Em 2017 foi nomeado para os Prémios de Cinema Cineuphoria na categoria de melhor Ator em Curta-Metragem pela sua interpretação no filme ‘BASTIEN’.

De 2006 a 2017 interpretou personagens em duas dezenas de filmes (cinema), 8 telenovelas e 8 teatros. Welket é fluente em português, crioulo e inglês. Bungué é também locutor para entidades internacionais, bem como desenvolve Escritas Dramáticas, Argumentos de Cinema e Performances.

Por: Assana Sambú/Filomeno Sambú