PESCADORES ALERTAM SOBRE POSSÍVEL ESCASSEZ DE PESCADO NA GUINÉ-BISSAU 


O presidente da Associação Nacional de Pescadores Artesanais (ANAP) fez esta terça-feira uma alerta sobre as possibilidades de o pescado vier a faltar no mercado nacional.

“Já estamos no período  mais difíceis de pescar, que são  meses de Julho, Agosto  e Setembro em que  se torna difícil capturar os peixes na Guiné-Bissau, a não ser com embarcações de grandes capacidades que atingem as milhas, disse Augusto Dju em entrevista à ANG.

Acrescenta quen muitos pescadores são agricultores,   que quando chega a época chuvosa vão todos para o campo de lavoura.

 

Sustenta que a maioria dos pescadores não tem pirogas com capacidades para levar muitos dias no alto mar e que só usam  pequenas canoas de remo  que fica dentro de rio e na época de chuva o mar fica mais agitado pelo que muitos guardam suas canoas para se  dedicar a lavoura.

Por outro lado, disse que, não  há muito peixe agora por causa da invasão dos pescadores dos países vizinhos:   Guiné Conacri nas localidades do sul do país e de Senegal, no norte e até Serra-leoneses e Ganeses refugiados, que acamparam  no país e se dedicam atualmente a faina.

Dju adianta  contudo que a partir de dia 15 de Agosto   haverá falta de pescado do tipo tainha, bagre e djafal tendo em conta que vão emigrar porque vai haver  muita água doce.

“Os peixes precisam de mistura de águas doce e salgada e nesse tempo começa-se  a verificar a subida do preço do pescado, por rutura do  stock”, afirmou.

Referiu que, nas zonas das ilhas neste momento existem  muitos pescadores bijagós que deixaram de praticar a faina para irem ao cultivo de arroz e que só em Outubro, quando já terminarem a colheita, é que voltam à pesca e se dedicam ao mar 100 por cento.

Augusto Dju explicou que está-se agora no período de água morta em que a pesca diminui bastante, acrescentando que, daqui a pouco, o mar vai entrar no seu período de água subvivo em que os  peixes reproduzem muito.

Notabanca;28.07.2020

Secretário Executivo da AMIC  diz que o fenómeno é uma realidade na Guiné-Bissau

 

Bissau, 29 Jul 20 (ANG) – O Secretário Executivo da Associação de Amigos das Crianças(AMIC)  afirmou hoje  que o tráfico de seres humanos é uma realidade na Guiné-Bissau.

Em entrevista exclusiva à ANG, Laudolino Medina disse que a

 denúncia do deputado Conduto de Pina na sessão da ANP sobre  alegado caso de tráfico de crianças na ilha de Canhabaque por  uma cidadã francesa de nome Miriam Lídia Barbie, é muito contundente e  que reforça um conjunto de denúncias feitas ao longo dos anos sobre o fenómeno de tráfico de pessoas na Guiné-Bissau, em particular de mulheres e crianças.

Disse  que este fenómeno de tráfico de mulheres e crianças não se verifica  só na zona insular mas também em muitas localidades do norte e leste do país.

Referiu  que a AMIC denunciou recentemente um caso  de uma cidadã estrangeira sob capa de adopção de um menor de meses na zona sul do país, mas que o objectivo era tráfico, acrescentando que felizmente foi interceptada pela Polícia Judiciária e presa preventivamente.

“Muitas meninas foram enganadas várias vezes por cidadãos da sub-região alegadamente para trabalharem no Senegal, Guiné-Conacri e Gâmbia, mas na verdade é para a prostituição,”revelou.

Laudolino Medina explicou ainda que no ano transacto, a AMIC denunciou o caso das meninas que foram interceptadas pela Polícia Interpol em Casablanca /Marrocos,  retornadas e entregues às famílias, em  Bissau.

Aquela organização das crianças explicou que também houve  uma  outra intercepção de cerca de 60 crianças na zona sul que supostamente estavam a ser traficadas para a Gâmbia, e que o caso foi traduzido para o tribunal de Bafatá, houve uma mão invisível que interviu e o caso não deu em nada.

Lamentou que desde a existência de lei de tráfico de seres humanos na Guiné-Bissau, existe sempre vítimas e a são recebidas no centro de Acolhimento da AMIC , mas que nunca os criminosos foram traduzidos à justiça.

Laudolino pede a Polícia Judiciária e ao Ministério Público para fazerem os seus  trabalhos neste caso da denúncia do deputado porque “já têm elementos para investigar e  traduzir a suposta criminosa à justiça”.

Advertiu que a sua organização,o Instituto de Mulher e Criança e o Parlamento Infantil estarão empenhados a seguir o caso até que seja julgado.

O Deputado Francisco Conduto de Pina denunciou segunda-feira no parlamento que uma senhora de nacionalidade francesa estaria supostamente a traficar uma criança sob protesto de adopção, na ilha de Canhabaque, Sul da Guiné-Bissau..ANG/JD/ÂC//SG

Editorial: SILENCIAR JORNALISTAS COM TERROR NUNCA VENCERÁ NA GUINÉ-BISSAU!

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Este país já viveu crises, experimentou golpes, contra golpes, assassinatos de todo tipo e tudo dentro de água de impunidade que sistematicamente tem alimentado as crises cíclicas. Apesar desse quadro sombrio, a Guiné-Bissau tinha vindo a salvaguardar um aspeto que orgulha qualquer cidadão que milita pelos ideais democráticos: a liberdade de expressão e de imprensa. Custa hoje acreditar que essa conquista que custou sangue e pesados sacrifícios está posta em causa por um regime falido e acima de tudo violento.

Espancamentos, sequestros e perseguições contra individualidades nacionais não bastaram. Agora é a vez da imprensa ser vítima da brutalidade armada no calar da noite.

O ataque contra a Rádio Capital, para além de um ato covarde e vergonhoso é um claro atentado à liberdade de expressão e de imprensa, consagradas na Constituição que há muito tornou-se uma carta morta colocada a porta do lixo.

A banalização e a anarquia já são uma realidade diária, encarnada por autoridades com elevada carência de legitimidade. Senão, o que justificaria tantas ameaças contra homens e mulheres da imprensa que, em árduas condições laborais, nunca renunciaram ao seu sagrado dever de informar a opinião pública? Como explicar a violência seletiva encomendada, e até assumida publicamente por atores políticos contra jornalistas no exercício da sua função?

A história já provou que o estado de selva nunca triunfou perante a resiliência de um povo determinado. O povo guineense aspira construir um país livre, pacífico e independente. Qualquer projeto que vise destruir essa aspiração enraizada é condenado ao fracasso.

A tentativa de semear divisão no seio da classe jornalística para melhor reinar não surtirá efeitos porquanto os profissionais guineenses, saberão se livrar desse “game”.

Os jornalistas não são “meninos de mandado” como muitos impreparados políticos julgam. Os jornalistas são fazedores de histórias que alicerçam o processo de construção da República.

“Só há democracia sólida com imprensa estável e livre”, lembrava num discurso o atual Presidente português, Marcelo Rebelo Sousa. As disputas pelo poder, as ameaças, os ataques sejam quais forem e executados por quem quer que seja, nunca levarão os jornalistas guineenses à resignação.

A liberdade custou vidas para a edificação deste país, e nenhum aventureiro, nenhuma autoridade, substrairá esse valor ao povo guineense!!!

Aterrorizar e vandalizar como arma de silenciar imprensa nunca vencerá. A Guiné-Bissau sempre terá uma imprensa livre.

Por: Redação

Nb: edição completa da versão

Bissau: Revelações sobre um plano para assassinar o primeiro-ministro Aristides Gomes

FONTE: LSI ÁFRICA

No dia seguinte à sua tomada de posse em 28 de fevereiro de 2020 em um hotel em Bissau, violando a constituição, Umaro Sissoco Embalo assinou um decreto exonerando o primeiro-ministro Aristides Gomes, ainda reconhecido pela CEDEAO e pelos países. Vindo do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Aristide Gomes foi alvo durante vários meses de uma caçada humana sem precedentes.

“A investidura de Embaló é um golpe de estado e revela uma afronta ao Supremo Tribunal e ao Parlamento” declarou no final de fevereiro de 2020, o ex-chefe de governo e primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Aristides Gomes.

Uma declaração qualificada como “provocação inaceitável”, que despertou a ira de Umaro Sissoco Embalo e seus apoiadores. Desde esse incidente, o ex-primeiro-ministro tem sido alvo de várias tentativas de seqüestro e prisão, que muitas vezes se deparam com a intervenção das Nações Unidas e de alguns chefes de Estado africanos.

Sob a proteção da ONU por quase seis meses, os dias de Aristides Gomes estão em perigo, de acordo com nossas informações exclusivas.

De fato, vários apoiadores de Umaro Sissoco Embalo, incluindo Muhammadu Buhari, Mahamadou Issoufou, Macky Sall e recentemente Roch Kaboré pressionariam a Representante Especial da ONU em Bissau, Rosine Sori-Coulibaly para que este liberte Aristides Gomes, o que facilitaria a sua prisão.

Para a família do ex-primeiro-ministro, ela toma a comunidade internacional como testemunha e responsabiliza a ONU pelo destino que será reservado a Aristide Gomes.

O ex-chefe de governo, cujo estado de saúde se deteriorou nas últimas semanas, continua denunciando os abusos do regime de Embalo e ameaça entrar em greve de fome nas próximas semanas.

Fontes próximas ao sistema das Nações Unidas em Bissau, a saúde do ex-primeiro-ministro exige uma evacuação médica. “Umaro Embalo quer matar Aristides Gomes, ele ofereceu bilhões para deixar o PAIGC, mas o nosso primeiro-ministro permaneceu digno e disse que não.

É por isso que ele procura eliminá-lo, impedindo-o de deixar o território nacional enquanto Embaló, todo envergonhado, declarou a seus colegas na France24 que ele está sendo tratado em Paris”, disse-nos Agapito Nilmar, professor-pesquisador cabo-verdiano.

A imprensa amordaçou e aterrorizou

A deriva autoritária do autoproclamado presidente da Guiné-Bissau não tem limites. Durante a noite de 25 a 26 de julho, as instalações da Capital-FM foram saqueadas por soldados sob as ordens do governo. Os transmissores e todo o equipamento técnico foram destruídos.“

Condenamos veementemente esse ataque, que visa silenciar jornalistas que estão apenas cumprindo suas funções, solicitamos que seja realizada uma investigação para identificar e punir os autores desse ato, o que constitui um sério obstáculo à liberdade de imprensa. imprensa “, disse Assane Diagne, diretor do escritório da Repórteres Sem Fronteiras na África Ocidental.

Por seu lado, o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde , em um comunicado de imprensa do qual tínhamos uma cópia, denunciou “a barbárie e a deriva ditatorial do regime de Umaro Sissoco Embalo “e “apoia” jornalistas e funcionários da Capital-FM”.

A Guiné-Bissau ocupa atualmente a 94ª posição da edição 2020 do Ranking Mundial de liberdade de imprensa estabelecido anualmente pela RSF.

Paulo Gassama

IBAP satisfeito com trabalhos de preservação dos mangais

Bissau 27 Jul 20 (ANG) – O Diretor-geral do Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas(IBAP), Justino Biai, disse estar satisfeito com os ganhos tidos com o projeto desencadeado há décadas no setor de preservação e plantação de mangais nas zonas costeiras na Guiné-Bissau.

Justino Biai que falava hoje em entrevista exclusiva à ANG, no quadro do Dia Internacional da preservação dos mangais, assinalado no Domingo 26 do corrente, em todo o planeta, manifestou a  satisfação e preocupação da sua instituição em matéria de preservação da biodiversidade e em especial o setor de mangais.

De acordo com o Diretor-geral de IBAP, a Guiné-Bissau é um dos países mais interessados na defesa dos mangais, por ter nove por cento do seu território nacional, que corresponde 326.087 hectares cobertos por mangais.

Segundo este responsável, a região de Cacheu é aquela que tem maior área ocupada por mangal e com parques naturais de mangais do Rio Cacheu com 39.777 hectares.

 “Com avanços na informação e sensibilização para fazer conhecer a importância de mangais no país, a ação humana está constituindo ainda enorme preocupação com comportamentos nocivos devido as construções nas zonas da plantação do mangal, resíduos tóxicos e cortes para outros fins” ressaltou Justino Biai

Aconselha a população em geral para mudarem de comportamentos, na forma de lidar com o meio ambiente e salienta que, para  além da contribuição na produção da vida marinha, o mangal protege as catástrofes naturais, pelo que deve ser bem tratado tendo em conta que o país consta na lista de países com risco de inundações com a subida do nível da água.

A Guiné-Bissau assinalou pela primeira vez o Dia Internacional de Conservação do Ecossistema do Mangal com um convite lançado pelo IBAP para se continuar a dinamizar e renovar  a restauração ecológica e preservação de mangal, tidas como essencial para o planeta e os seus habitantes.

De acordo com uma nota de imprensa do IBAP, o mangal protege as zonas costeiras da erosão, graças aos seus  raízes, servindo de barreira para diminuir o impacto dos ventos fortes, as ondas e correntes de água e das inundações periódicas.

O documento do IBAP refer ainda que o mangal é importante para a segurança alimentar e para a sobrevivência das comunidades, porque é ali que os peixes, os camarãos, carangueijos, ostras e outros mariscos reproduzem e crescem. ANG/CP/ÂC//SG

DEPUTADO GUINEENSE DENUNCIA SUPOSTO TRÁFICO DE CRIANÇAS NAS ILHAS BIJAGÓS

O deputado da bancada parlamentar do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Conduto de Pina, eleito no arquipélago dos Bijagós, disse que tem provas de um caso de suposto tráfico de crianças por parte de uma cidadã estrangeira, dona de uma escola na ilha de Bubaque. Numa intervenção no parlamento guineense, na semana passada, Conduto de Pina falou sobre o caso, e em declarações à Lusa explicou os contornos da situação que disse estar longe de ser um processo de adoção de crianças.

“Não se trata de adoções, porque adoção teria de passar por trâmites normais, constitucionais, até à produção de uma sentença por um tribunal. Ela não, ela faz subtração (de crianças)” observou o deputado, para de seguida afirmar que a autora do alegado crime, que neste momento se encontra em França, trabalha em Bubaque, mas tenta retirar crianças da ilha de Canhabaque, onde, disse, a maioria dos pais são analfabetos.

O deputado disse que por ter feito denúncias ao comportamento da autora daquilo que considera ser tráfico, pelo menos cinco crianças de Canhabaque tiveram de voltar para a Guiné-Bissau quando já se encontravam no Senegal.

“Na sexta-feira era para fazer embarcar cinco crianças a partir de um voo que partia do Senegal para a Tunísia e de lá para Antígua, Barbados, para depois poderem entrar na Europa”, afirmou Conduto de Pina.

Deste grupo, acrescentou o deputado, consta uma criança do sexo feminino que a autora do esquema tentou levar para a Europa, em 2019, a partir do Senegal com um passaporte daquele país, disse.

“A criança viajou até Marrocos, onde foi barrada. Ela regressou com a criança e tentou novamente este ano levar a mesma criança no grupo dos cinco. Não sei como é que ela vai fazê-las entrar se está tudo fechado na Europa Schengen”, referiu o deputado.

Conduto de Pina disse que desta vez e com a sua denúncia “o esquema abortou”, mas tem informações de que a mesma pessoa conseguiu, no passado, levar para fora da Guiné-Bissau três crianças das ilhas. Segundo o deputado, seriam crianças com idades entre os sete e os 17 anos.

Sobre a forma de funcionamento do que chama de “esquema bem montado”, Conduto de Pina indicou que a autora tem uma escola francesa na ilha de Bubaque, que depois transformou num orfanato, mas que, entretanto, se tornou um hotel, enfatizou.

“A forma como ela lida com as crianças leva os pais a entregarem os filhos à senhora”, observou Conduto de Pina, que acusa a mulher de estar a levar crianças para fora do país há mais de três anos.

O deputado exibiu à Lusa documentos, cópias de bilhetes de identidade e de passaportes das crianças alegadamente envolvidas no esquema, bem como papéis que seriam declarações dos pais a autorizar a viagem dos menores na companhia da mulher.

“Ao que consta, ela forja a autorização dos pais das crianças através de papéis escritos em inglês, francês e português. Vou agora tentar descobrir os pais biológicos das crianças, que supostamente são pessoas analfabetos”, afirmou Conduto de Pina.

Segundo disse, o parlamento vai mandar, brevemente, para as ilhas elementos de três comissões especializadas para averiguar a situação.

Em junho, fonte da Associação Amigos da Criança disse à Lusa que a Polícia Judiciária guineense, com o apoio da Interpol, intercetou em Marrocos seis raparigas, que estavam a ser levadas para um país asiático para prostituição. A associação acredita que situações do género acontecem “desde sempre”, envolvendo raparigas guineenses, que são aliciadas com promessas de trabalho em países vizinhos da Guiné-Bissau, Europa e Ásia, mas que parece agravar-se com a pandemia da covid-19.

Contactada pela Lusa, fonte da Polícia Judiciária guineense confirmou que o caso está a ser investigado.

O Democrata/Lusa

CHOVE SOLIDARIEDADE PARA COM RÁDIO CAPITAL DESTRUÍDAS EM BISSAU 


Antigos ministros, jornalistas, organizações da sociedade civil e partidos políticos da Guiné-Bissau manifestaram hoje indignação com o ataque contra a Rádio Capital FM, em Bissau, perpetrado por um grupo de homens armados e que destruiu a emissora.
Em comunicado divulgada na rede social Facebook, a Liga Guineense dos Direitos Humanos considerou o ataque como uma “vã tentativa de intimidar os profissionais” e exigiu ao “Ministério Público, através da Polícia Judiciária, a abertura de um inquérito urgente, transparente e conclusivo, com vista à identificação e consequente responsabilização” dos responsáveis por aquele “ato cobarde”.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos apelou também à solidariedade internacional para a mobilização de fundos e materiais para que a rádio volte a emitir rapidamente.

A organização não-governamental manifestou também a sua determinação em “combater sem tréguas todas as ações que visam limitar ou restringir abusivamente os princípios da liberdade de imprensa e de expressão na Guiné-Bissau”.

O Sindicato dos Jornalistas e a Ordem dos Jornalistas da Guiné-Bissau também já reagiram ao ataque.

Para o bastonário da Ordem dos Jornalistas, citado pela agência de notícias guineense, aquela é uma “nova narrativa” de fazer com que os jornalistas tenham medo, salientando que o atual ministro da Justiça, Fernando Mendonça, como antigo jornalista deve exigir uma resposta e responsabilizar os envolvidos no ataque.

O Sindicato dos Jornalistas considerou o ataque como um atentado à liberdade de expressão, mas também à democracia.

“Vamos continuar a lutar e que fique claro que não vamos baixar a guarda”, afirmou a presidente do sindicato, Indira Correia Balde.

O Partido de Renovação Social (PRS), terceira força mais votada do parlamento guineense, também condenou o ataque, salientando que as “liberdade de expressão repousa numa louvável conquista mundial, expressa em diversos documentos internacionais”.

O Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), vencedor das legislativas de 2019, mas que não está no Governo, considerou o ataque como um ato “bárbaro e inaceitável em pleno XXI”.

“Este facto caracteriza o atual regime golpista que desgoverna e atemoriza os guineenses, na sua tentativa vã de calar as vozes, que defendem a liberdade, a democracia e o Estado de Direito democrático”, refere, em comunicado divulgado à imprensa, o partido.

Na rede social Facebook, jornalistas, antigos ministros e órgãos de comunicação social também condenam o ataque, que o Governo da Guiné-Bissau já repudiou.

“É uma triste imagem que a Guiné-Bissau está a transmitir ao mundo”, disse o ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Serifo Jaquité, durante uma visita à rádio Capital FM.

As instalações e os equipamentos de emissão da rádio Capital FM, assumidamente crítica ao regime vigente na Guiné-Bissau, foram vandalizados hoje de madrugada por desconhecidos e ficará sem emitir nos próximos dias.

Os Estados Unidos manifestaram-se a semana passada preocupados com as “questões de liberdade de expressão” no país.

Notabanca; 26.7.2020

COMBATE À COVID-19 EXIGE ESTRATÉGIAS DELINEADAS E BEM APERTADAS

A pandemia do coronavírus, detetada a 7 de janeiro de 2020, através de testes laboratoriais realizados pelas autoridades chinesas, que o identificaram como o agente causador da doença, passou a ser conhecida por covid-19, pôs em causa a capacidade de resposta de todos os Estados do mundo, tanto no plano social como económico. O recurso a medidas restritivas (estado de emergência) parece ter sido a via mais correta para conter e evitar a propagação da doença. Porém, os efeitos colaterais destas medidas estão sendo graves, principalmente para as famílias de baixo rendimento.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou, no dia 30 do mesmo mês, a epidemia da covid-19 como emergência internacional de saúde pública devido à sua rápida disseminação pelo mundo. Desde então, os casos de pessoas infetadas aumentaram significativamente.
A Guiné-Bissau, um país com aproximadamente dois milhões de habitantes, fortemente afetado pela constante instabilidade político-governativa, onde a maioria da população vive com menos de 1 dólar por dia, também não escapou a este flagelo. O país revelou oficialmente os primeiros casos no dia 25 de março deste ano e, a partir desta data, o número de casos não para de subir, não obstante as medidas adotadas pelas autoridades nacionais através das sucessivas declarações do estado de emergência feitas pelo Presidente da República, incluindo o encerramento de fronteiras, mercados e o recolher obrigatório, entre outras e que, mesmo assim, não conseguiu limitar o alastramento da doença que já infetou 1.949 pessoas, tendo-se registado entre elas 26 óbitos.
Entretanto, para fazer face aos desafios que se impõem em matéria de prevenção, as organizações da sociedade civil desencadearam uma mobilização em massa a fim de criar uma frente comum de combate a esta pandemia, que ganha proporções alarmantes a nível mundial.
A Rede Paz e Segurança para as Mulheres no Espaço da CEDEAO (Rempsecao), ao tomar conhecimento da existência da pandemia do novo coronavírus divulgada pela OMS e de que a Guiné-Bissau podia não escapar, elaborou de imediato um plano de emergência, promoveu uma campanha de informação sobre a existência da pandemia e difundiu medidas de prevenção, com maior incidência nas mulheres, tendo em conta a sua vulnerabilidade, pois são elas o pilar e o sustento das famílias guineenses.

Conforme a presidente desta organização, Elisa Tavares Pinto, a rede tem trabalhado em colaboração com a Câmara Municipal de Bissau no mercado improvisado do Bairro da Ajuda e, mais tarde, nos mercados de Péfine, Bairro Militar e Caracol, sensibilizando as mesmas e outros ocupantes, sobre as medidas de prevenção contra a doença, concretamente a lavagem frequente das mãos, uso de máscaras e manter o distanciamento físico.
Conforme esta responsável, houve uma grande resistência no início da transferência por parte das mulheres dos mercados da Chapa de Bissau e da Subida de Cabana para o mercado improvisado do Bairro, conforme determinação das autoridades. Daí que a Rempsecao, em colaboração com os moradores do Bairro da Ajuda e os voluntários da Cruz Vermelha Nacional dirigiram-se para o local com forte campanha de sensibilização, mostrando-lhes a vantagem e a segurança do futuro espaço para onde o Governo pretendia transferi-las.
“Com um pequeno apoio financeiro da ONU, através da Unidade do Género da Uniogbis, a Rempsecao conseguiu oferecer e vender máscaras num valor inferior ao que se pratica no mercado, tendo colocado também baldes com águas, sabão e lixívia para a lavagem frequente das mãos. Tinha no terreno 54 jovens e mulheres que interagiam diariamente com as feirantes e as que iam fazer compras”, disse.
Segundo Elisa Pinto, a Rempsecao, numa primeira fase, consciencializou as mulheres sobre a real existência do vírus que, a cada dia que passa está a ceifar muitas vidas, provocado pelo não cumprimento de medidas de prevenção, agravado pela fragilidade do nosso sistema de saúde, que perspetiva ver melhoradas as condições dos mercados, contando com a intervenção imediata das autoridades responsáveis deste setor.
Com a descentralização dos mercados irão diminuir os riscos de contaminação e evitar-se deslocações de longas distâncias, o que contribui para a libertação das vias públicas que, atualmente, funcionam como mercados, como acontece nos espaços da Chapa de Bissau e Subida de Cabana, sem mencionar outros bairros da capital.
Numa outra dimensão está a Plataforma Política das Mulheres (PPM) que concentrou a sua ação nas regiões do país, com a campanha de sensibilização denominado “nô passa mensagem pa tadja coronavírus na comunidade”, que terá a duração de um mês, com a divulgação diária de mensagens sobre a covid-19 através dos órgãos de comunicação social, o modo como se transmite, o risco de contágio e respetivas medidas de prevenção.
Conforme a presidente desta organização, a propagação rápida do vírus e a sua possível transmissão em cadeia (transmissão comunitária) obrigou a elaboração de um “miniprojeto de sensibilização” direcionado aos deputados, autoridades regionais, enquanto representantes do povo junto da Assembleia Nacional Popular.
Para a nossa entrevistada, o comportamento da população perante o incumprimento das regras estabelecidas leva à ideia de que talvez a população não esteja a levar a sério a presença da doença na Guiné-Bissau e, em consequência, limitam-se a não cumprir com as medidas restritivas impostas pelo Governo contribuindo, assim, para o caos sanitário que actualmente se verifica. Por isso, a PPM pretende e está a desenvolver uma campanha de sensibilização que envolve deputados e autoridades regionais, apostando forte numa comunicação clara, direta e incisiva com recurso às línguas tradicionais, com vista a uma mudança radical de comportamentos e de hábitos por parte da população relativamente a esta doença.
“Espera-se, com a implementação desta campanha, uma maior consciencialização e aceitação da existência da doença por parte da população, ajudando a conter a propagação do vírus”, complementa Tavares.
Para finalizar, falámos com responsáveis das organizações intervenientes, entre eles Saturnino de Oliveira, coordenador do recém-criado agrupamento Tadja Fomi, que é uma iniciativa de cidadãos guineenses voluntários que pretendem angariar bens alimentares e distribuí-los a pessoas e famílias carenciadas. Conforme este responsável, a ação conta com a participação de um conjunto de pessoas de diferentes áreas que se uniu para angariar alimentos com vista a contribuir para a redução das dificuldades que as famílias vulneráveis guineenses estão a enfrentar neste momento.
De acordo com o que explicitou, os produtos conseguidos serão doados às famílias que se encontram em situação de maior vulnerabilidade económica. Em primeiro lugar, os beneficiários serão identificados através de organizações da sociedade civil, líderes comunitários e outras instâncias, com o intuito de referenciar as famílias economicamente mais necessitadas.
Oliveira afirmou que numa primeira fase apoiaram 400 pessoas em quatro bairros de Bissau e que, nesta segunda fase, a meta será de 1.200 famílias que residam nas províncias do Norte, Leste e Sul.
Nesta frente de combate ao coronavírus existem várias organizações da sociedade civil, com realce para Mulheres em Ação, que já ofereceram recipientes com torneiras, lixívia e sabão no Bairro de Mindará. Numa segunda fase, distribuíram ofertas no ilhéu do Rei, tendo os produtos sido adquiridos com os fundos provenientes dos guineenses na diáspora.
A Cruz Vermelha Nacional, é uma das pioneiras das campanhas de sensibilização e formação, fazendo parte do grupo a Nadel, a Liga Guineense dos Direitos Humanos, as organizações juvenis, entre outras iniciativas.
Por: Elci Pereira Dias
Conosaba/nô pintcha