GOVERNO DIZ QUE NÃO RECEBEU PEDIDO DE SISSOCO EMBALÓ PARA ENTRADA DE MILTIMILIONÁRIO SAUDITA
O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Aristides Gomes, afirmou hoje que não recebeu qualquer pedido do candidato às presidenciais Umaro Sissoco Embaló relativo à entrada no país de um multimilionário saudita.

“O Governo da República da Guiné-Bissau não recebeu nenhum pedido (formal ou informal) do senhor Umaro Sissoco Embaló para a entrada no país de quem quer que seja”, lê-se numa mensagem de Aristides Gomes nas redes sociais.
Na mensagem, o primeiro-ministro guineense pede a Umaro Sissoco Embaló para “apresentar provas de ter feito tal pedido ao Governo”.
Num comício realizado quarta-feira em Bafatá, leste da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló acusou o primeiro-ministro guineense de ter impedido a deslocação à Guiné-Bissau do “homem mais rico da Arábia Saudita”, o magnata Bin Talal, com receio que influencie a sua vitória eleitoral.
“Lamentamos o facto de o candidato Umaro Sissoco Embaló ter estado a desperdiçar as inúmeras oportunidades que vai tendo para falar aos guineenses das suas ideias e projetos enquanto pretendente ao mais alto cargo da nossa magistratura, preferindo recorrer às mentiras, calúnias e difamações infundadas”, salientou o primeiro-ministro.
Mais de 760.000 são chamados no domingo às urnas para escolher o próximo Presidente da Guiné-Bissau, entre Umaro Sissoco Embaló, apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), e Domingos Simões Pereira, apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).
A campanha eleitoral para a segunda volta das presidenciais da Guiné-Bissau teve início no dia 13 e termina na sexta-feira.

Notabanca; 27.2019

Cidadãos esperam que o vencedor da 2ª volta trabalhe para  desenvolvimento do país

Bissau, 27 dez 19 (ANG) – Os cidadãos esperam que o vencedor da 2ª volta das eleições presidenciais marcadas para o dia 29 de Dezembro, trabalhe para o desenvolvimento do país.

O desejo foi manifestado numa auscultação feita pelo repórter da ANG, com alguns citadinos de Bissau sobre os seus pontos de vista sobre o debate decorrido na quinta-feira entre dois candidatos concorrentes á 2ª volta, nomeadamente Domingos Simões Pereira, suportado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e Umaro Sissoco Embaló, suportado pelo Movimento para Alternância Democrático (MADEM- G15).

Bacar Sanhá funcionário público disse que contudo não assistiu o debate, mas no seu ponto de vista no momento, o país não precisa de pessoa inteligente ou que sabe falar bem, mas sim da pessoa com ações concretas.

“O país como a Guiné-Bissau com mais de 40 anos nunca conheceu o desenvolvimento. No momento precisamos de pessoa que vai trabalhar para que o Povo possa ver e sentir o desenvolvimento como outros Povos do Mundo”, frisou.

Por sua vez, Braima Sambu funcionário duma empresa privada, o debate foi positivo para os ambos porque mostraram os seus manifestos que permite a cada cidadão tirar ilações e votar em quem está mais preparado.

Mostrou-se satisfeito com o candidato do MADEM – G15, Umaro Sissoco Embaló por ter expressado  em crioulo, justificando que essa comunicação permite a compreensão da população em geral e sobretudo da zona rural devido a péssima qualidade do ensino do país.

Maria da Conceição Soares da Gama Correia funcionária pública criticou a postura do candidato suportado pelo MADEM-G15, sublinhando que o país precisa da pessoa qualificada para assumir o mais alto cargo da magistratura.

“O debate foi muito bom. Precisamos de pessoa qualificada para conduzir o destino do país porque o Povo quer o desenvolvimento para que possa sentir-se orgulho. Para mim, o Domingos Simões Pereira está mais preparado para desenvolver o país como os guineenses almejam”, sustentou Maria da Conceição.

Dabana Motor, professor disse que ficou desiludido com Umaro Sissoco Embaló na forma como ele não conseguiu responder muitas questões colocadas pelos moderadores do debate.

Disse ainda que o Simões Pereira está mais preparado porque mostrou o seu projeto de governação para os próximos 5 anos, ao contrário do candidato de MADEM – G15.

Por seu turno, o professor Dimítrio Cândido Lopes, o debate foi positivo porque permite os eleitores a concluir em quem pode e deve votar, acrescentando que o candidato do PAIGC saiu melhor.

Adiantou que contudo, Sissoco falou em crioulo que vai permitir a melhor compreensão da população, mas cabe os eleitores decidir quem vai ganhar as presidenciais do dia 29 próximo.

Foram unânimes em esperar que o vencedor das eleições do dia 29 deste mês seja capaz de tirar o país na situação em que se encontra.

 A 2ª volta das eleições presidenciais marcada para o dia 29 do mês corrente vai concorrer o candidato suportado pelo Partido Africano da Independência para Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira e candidato suportado pelo Movimento para Alternância Democrâtico (MADEM –G15), Umaro Sissoco Embaló. ANG/DMG/ÂC//SG

Presidenciais 2019/2ª volta

Presidenciais 2019/2ª volta

MCCI entrega acção criminal contra  Úmaro Sissoco Embalo ao Ministério Público

Bissau,27 dez 19(ANG) – O Presidente do Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados(MCCI), precedeu hoje a entrega de uma acção criminal no Ministério Público contra o candidato do Movimento para Alternância Democrática(MADEM G-15), à segunda volta das presidenciais, Úmaro Sissoco Embalo, por “incitação ao voto étnico  religioso”, durante a campanha eleitoral.

Sana Canté, em declarações à imprensa depois de ter depositado a referida acção no Ministério Público, disse que o sistemático apelo ao voto étnico religioso levados a cabo por Sissoco Embalo, coloca em causa a unidade nacional e instiga a guerra de um grupo étnico ou convicção religiosa contra os demais.

“A Guiné-Bissau é um Estado laico e composto por diversos  grupos e convicções religiosas. Por isso não podemos permitir, de forma alguma, que um candidato que pretende ser Presidente da República esteja a fazer apelo  ao votos étnicos e religiosos porque isso é inaceitável”, sustentou.

O Presidente do Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados disse que, por isso têm que responsabilizar esse candidato judicialmente.

Informou que essa prática de incitamento ao voto étnico religioso é condenável não somente pela Constituição da República como também nos termos do artigo 102 do Código de Processo Penal.

Adiantou que ele incorre  a pena de prisão que varia até 8 anos de prisão.

“Nós, até porque não precisávamos  de dar entrada à essa acção, se a justiça funcionasse correctamente, porque ao Ministério Público só bastava recolher as informações proferidas pelo candidato  nos órgãos de comunicação social e nas plataformas de campanha tendo em conta que são do conhecimento públicos, para ter a legitimidade de actuar”, disse.ANG/ÂC//SG

Publicada por ANG

Debate/Eleições Presidenciais-2ª volta

Debate/Eleições Presidenciais-2ª volta

Candidato do PAIGC promete ser um Presidente “sério” e comprometido com aspirações do Povo

Bissau, 27 dez 19 (ANG)- O candidato suportado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo-Verde (PAIGC), afirmou que, caso for escolhido como chefe de Estado, no dia 29 de Dezembro, vai ser um Presidente “sério” e comprometido com as grandes aspirações do Povo.

Domingos Simões Pereira, em declarações à imprensa após o debate com o adversário, Umaro Sissoco Embalo, na segunda volta das eleições presidenciais, organizado pela Televisão da Guiné –Bissau e a Radio Nacional, disse que será um chefe de Estado que vai ser capaz de convocar a Nação guineense à um princípio de unidade onde o mérito será promovido e o talento individual será reconhecido.

Pereira disse que foi o debate possível e que qualquer das formas serviu minimamente à democracia, porque no contexto democrático o Povo é chamado a escolher em relação aos critérios objectivos não a diferenças em termos físicos, étnicos e religiosos, mas sim a escolher em relação a preparação dos candidatos e os projectos para sociedade que apresentam.

“Eu vim com a expectativa de ter um concorrente que ia permitir que houvesse um debate de substância sobre os assuntos essenciais para os guineenses, infelizmente ficou evidente que o meu opositor não só não possui um programa como também não está interessado que haja um debate sobre questões colocadas. Contudo, foi possível passar alguma mensagem”,explicou.

DSP como também é conhecido disse que o único triunfo  do seu adversário passa por dividir o Povo, salientando que espera ter contribuído, na medida do possível, para esclarecer a opinião pública de que fez um trabalho de base ou seja, um diagnóstico social da situação da Guiné-Bissau e o manifesto apresentado é sério, e que pode de facto promover um país positivo.

Simões Pereira considerou de triste que um candidato que chega à segunda volta das eleições presidenciais, mas que continua a acreditar que está num jogo de circo pensando que isso pode lhe dar vantagem, tendo afirmado que o seu opositor está “completamente vazio” em termos de ideias.

Por seu turno, o candidato apoiado pelo Movimento para Alternância Democrática (Madem G-15), questionado sobre o balanço que faz do debate, respondeu que cabe ao Povo  tirar as ilações do desempenho dos dois concorrentes no evento.

Umaro Sissoco Embalo disse que como uma pessoa humilde não faz a auto-avaliação, frisando que sempre ajudou o Estado guineense e vai continuar a fazê-lo, porque o país precisa de um Presidente que vai ser capaz de unir todos os seus filhos.

Embalo acusou o seu opositor de ser uma pessoa que exclui os outros, e que por isso  a maioria dos candidatos mais votados na primeira volta se juntou  a ele, por ser capaz de convergir com todos.

O debate tinha como objectivo “Proporcionar aos eleitores guineenses um melhor conhecimento dos assuntos que dominam, as agendas dos dois e as diferenças na construção da mensagem politica que pretendem transmitir””.

Os dois realizam hoje, em Bissau, o último comício de campanha eleitoral. A votação é já no domingo por um universo de cerca de 800 mil eleitores.

Na primeira volta Domingos Simões Pereira arrecadou pouco mais de 40 por cento dos dos votos contra 27 por cento de Umaro Sissoco Embaló. “ANG/MSC/ÂC//SG

Guiné-Bissau: Segunda volta das presidenciais vai afetar a quadra festiva?

Pela primeira vez, Guiné-Bissau acolhe eleições na quadra festiva de Natal e do ano novo. Opiniões dos guineenses divergem quanto à eventual influência das eleições nas festas de Natal, que unem várias famílias no país.

    

 José Mário Vaz, President of Guinea-Bissa (DW/B. Darame)Guineenses numa assembleia de voto em Bissau durante a primeira volta das presidenciais de 24 de novembro de 2019

Apesar da Guiné-Bissau ser um Estado laico, o Natal é celebrado em quase todo país, tanto por famílias cristãs como de outros credos religiosos, que se juntam aos festejos. Entretanto, o Natal deste ano vai ser marcado pelas fortes movimentações políticas, na medida em que, quatro dias depois dos festejos, o país vai realizar a segunda volta das eleições presidenciais, um facto inédito na Guiné-Bissau.

Guineenses opinam

Sobre a eventual influência do processo eleitoral nas festas do Natal, os guineenses têm opiniões diferentes.

Ussumane Camará, estudante na escola de formação de professores de Bissau, considera que se vai manter a tradição de se festejar sem nenhuma anormalidade: “Não vai influenciar nada na quadra festiva, porque nós costumamos festejar o Natal e o final do ano de uma forma tranquila, pelo que penso que as eleições não vão ter influência no Natal”.

Bild-Kombo Domingos Simões Pereira und Umaro Sissoco EmbalóDomingos Simões Pereira (esq.) e Umaro Sissoco Embaló, os dois candidatos que disputam a segunda volta

A opinião é partilhada por Mustafa José Januário, também estudante. Contudo, espera que os guineenses saibam separar as coisas: “Depois da festa de Natal, temos quatro dias para as eleições, logo é só sabermos o que devemos fazer. Festejar bem o Natal e fazer uma boa escolha nas eleições.”

Mas, também há quem pense de outra forma. A vendedeira Diana Cá acredita que “as eleições vão influenciar os festejos e deveriam ser antes de 25 de dezembro, pelo menos no dia 23. Também depois da transição do ano, poderá não haver o clima de irmandade entre as pessoas, com abraços, porque um ou outro candidato perdeu as eleições”.

Implicações a vários níveis

O Sociólogo guineense Diamantino Domingos Lopes considera que haverá implicações financeiras nas famílias, no processo da distribuição dos recursos do erário público.

Lopes lembra ainda que “é um processo sociopolítico sempre conturbado, que mexe muito com a psicologia das pessoas e da sociedade”.

Wahlen in Guinea-Bissau (DW/B. Darame)

E poderá ainda afetar famílias. O sociólogo prevê que “haverá dificuldades em manter a família unida, porque muitas famílias estão envolvidas no processo da campanha eleitoral e haverá alguma dificuldade em congregar os membros para aqueles momentos tradicionais de confraternização, de partilha e de acertar as pontes e de fazer as pazes, sobre tudo de negativo que aconteceu durante o ano. Podemos ter a dificuldade de resolver no ambiente familiar, considerando o ambiente familiar.”

A capacidade de adaptação do guineense

Contudo, o sociólogo acredita que, apesar da realização de eleições em período invulgar, a sociedade guineense vai saber lidar com a situação.

“Há uma caraterística da sociedade guineenses que é ímpar: uma capacidade de adaptação fora do normal. Mesmo no momento de muita agitação e aflição social, consegue adaptar-se ao clima. O único medo é de ouvir o som das armas. Não ouvindo o som das armas, tudo é normal para um guineense”, revela Diamantino Lopes.

O Natal vai ser celebrado em plena campanha eleitoral para a segunda volta das eleições presidenciais, mas já são visiveis os sinais para o festejo de Natal.

PRESIDENCIAIS 2019 – DSP: “Eu sou capaz de garantir estabilidade à Guiné-Bissau”

POR: António Pimenta | Bissau

Domingos Simões Pereira, que representa o PAIGC, acredita ter as condições criadas para uma vitória na segunda volta das eleições na Guiné-Bissau, nas quais tem como concorrente Umaro Sissoco Embaló, candidato do MADEM-G15. A votação decorre no dia 29. Até lá, Domingos Pereira vai procurar manter a interacção com o povo, reafirmando-lhe o “projecto viável, capaz de voltar a reunir a Nação guineense”

Domingos Simões Pereira: “Eu sou capaz de garantir a estabilidade à Guiné-Bissau”

Tem criadas as condições para a vitória na segunda volta?

Quem concorre em nome ou em representação do PAIGC e consegue aglutinar outros apoios tem a obrigação de encarar a campanha nesta perspectiva. Mas as coisas não se resumem só a isso. Tudo tem a ver com a adesão do povo aos nossos projectos. Da interacção que tive com o povo, na primeira volta, não me restam dúvidas de que o povo sabe que nós somos portadores de um projecto viável, capaz de voltar a reunir a Nação guineense e projectar um futuro melhor para o nosso povo. Acredito que existem condições objectivas para uma vitória na segunda volta.

Há informações de que o voto étnico e religioso poderá continuar a pender contra si?

Se houver voto étnico, nunca será favorável ao PAIGC. Nós apresentamo-nos com representatividade nacional, com todas as cores, todas as religiões e todas as etnias.

De uma forma geral, como avalia a situação na Guiné-Bissau?

Acredito no povo guineense … acredito num amanhã positivo para a Guiné-Bissau. Sei que há muitas forças que não querem isso. Quando um país se descobre no meio de uma instabilidade é porque existe muita gente que se acomodou, acreditando que a instabilidade a favorece. Quando muita gente enriquece num período de instabilidade, tem medo da estabilidade. A estabilidade significa ordem, disciplina, ascensão por mérito e isso é que muita gente não quer e que, por causa disso, vai tentar pôr tudo em causa. Devido à degradação dos níveis de credibilidade da Administração Pública, o próprio guineense começou a não acreditar em si, a acreditar que estamos associados a alguma maldição. Mas digo que não! Somos iguais a outras nações. O que tem faltado neste país são lideranças, falta de visão estratégica para dar direcção ao país.

Há quem diga que o tráfico de drogas e interesses hegemónicos representam, na prática, o grande problema da Guiné-Bissau…

Todos esses factores contribuem para o clima de instabilidade que o país atravessa. Durante demasiado tempo, os guineenses acreditaram que a sua ascensão ou afirmação dependia da boa vontade dos outros. Nós estamos num mundo de competição. Quem tem fronteiras connosco, sobretudo terrestres, vai tentar tirar proveito desta vantagem geográfica. E nós não podemos ficar à espera que os outros sejam simpáticos connosco. Temos que ser capazes de defender os nossos interesses. Considero normal e bastante boas as relações com os nossos vizinhos mais directos. Mas não deixo de dizer que temos de defender os nossos interesses. E compreendendo que eles também defendam os deles.

Existem problemas com os vizinhos?

O problema neste momento é termos um Presidente da República que não conhece rigorosamente nada em relação ao nosso potencial e àquilo que podem ser consideradas as nossas vantagens comparativas. Continuar com a política de joelho no chão e mão estendida a pedir a doação dos nossos vizinhos já não funciona, porque, nestes casos, os vizinhos dão apenas uma mínima porção daquilo que tiram.

E no caso concreto da Constituição?

Pode ser uma das razões, mas não a causa. Tenho dito insistentemente, citando o exemplo dos EUA, que a Carta Magna não é um documento perfeito. Foi escrito por homens e sujeita a falhas. Os fundadores daquilo que são hoje os Estados Unidos da América disseram que, quando fizeram a Constituição, não tinham a intenção de fazer um documento perfeito. E não foi por desconhecimento. Queriam deixar aos homens a possibilidade de irem melhorando.

Pode explicar melhor?

Não é verdade que a revisão da constituição vai significar o fim dos problemas. Nos Estados Unidos, quando há um bloqueio à aprovação do orçamento, a sociedade está em condições de condenar ou repudiar o acto. Nós, aqui, o Presidente da República vangloria-se de ter provocado o bloqueio e de ter paralisado o país.

Por outras palavras, discorda da alteração da Constituição?

Não estou a dizer que não haja necessidade de revisão da Constituição. O que defendo é que devemos afastar-nos desta simplificação excessiva da Constituição, considerando-a uma panaceia para todos os males.

Continua por responder à minha questão.

Existem duas coisas na nossa Constituição que devem ser revistas. A primeira é tornar o nosso texto constitucional coerente. Feito num sistema de semi-presidencialismo de pendor parlamentar, onde o Presidente da República não tenha o mínimo de possibilidades de interferir nas acções do poder executivo.

Ostentação e tráfico de drogas constaram entre as críticas mais ouvidas durante a campanha para a primeira volta.

Durante esse período ou em vésperas, a Polícia Judiciária apreendeu importantes carregamentos de drogas. As pessoas envolvidas foram julgadas e condenadas. A Polícia Judiciária continua a fazer outras investigações, que, além dos responsáveis materiais, deveriam incluir outras pessoas ligadas ao tráfico.

Como caracteriza o problema das drogas na Guiné-Bissau?

É preocupante, sobretudo, devido ao nível das pessoas que envolve. Existem casos em que, depois da apreensão, líderes de partidos políticos dirigem-se à Polícia para questionar a legalidade da detenção. Outros marcam audiência com a ministra da Justiça para exigir a liberalização do material apreendido, por considerarem que a apreensão não obedeceu aos ditames previstos na lei. Outros querem impor a proibição da incineração das drogas. Algumas viaturas associadas ao tráfico de drogas têm como proprietários, na maioria, altos responsáveis políticos, que vão à Polícia de Investigação exigir a liberalização, alegando inocência no caso, o que, a priori, inocenta o envolvimento do veículo.

Como é feita a identificação dos políticos envolvidos?

Quando alguém tem 10 carros, identifica-se com 10 mulheres em 10 países diferentes, viaja em aviões privados, sem passar pelos controlos, porque evoca imunidades, pode estar associado a outras situações. Portanto, o combate ao crime organizado e ao narcotráfico deve começar por aí.

O que falta para controlar a situação?

Acho que a primeira medida seria colocar na Administração Pública e nos cargos de decisão pessoas idóneas, cujo registo criminal não passe apenas pelo “nada consta” que aparece no documento emitido pelo Ministério da Justiça. Antes do registo criminal, penso que é a sociedade que tem de avaliar as pessoas que vão funcionar nas administrações e ocupar os cargos públicos.

Podemos considerar isso a solução?

Não é propriamente a solução, mas pode ser uma via. É preciso criar as condições para assegurar que as pessoas que chegam aos postos cimeiros da administração estejam livres de qualquer suspeita. Segundo, é preciso ter um quadro legal capaz de criminalizar todos os casos e as suas causas. Seja quem for, ninguém deve utilizar, sistematicamente, a imunidade para fugir ao controlo das autoridades. Pessoalmente, nunca precisei disso e penso que ninguém deveria precisar. Mesmo na qualidade de Primeiro-Ministro, nunca viajei passando pelo salão de honra. Se dependesse de mim, as imunidades diplomáticas e parlamentares não seriam aplicadas em caso de flagrante delito.

Estará o vosso Ministério da Justiça a pensar em pedir apoio internacional para o combate a esses crimes?

Não só concordo como apoio, até porque essa iniciativa é do meu Governo. E isso não seria um caso inédito. Existem vários exemplos pelo mundo fora. Em Timor Leste, o sistema judicial esteve controlado por peritos expatriados, incluindo guineenses. Acho que a Guiné-Bissau precisa de passar por um período de transição a vários níveis, com destaque para o sector da justiça.

Um certificado de incompetência aos funcionários guineenses?
Não, não é isso! Penso que fazer uma inspecção ao nosso sistema de justiça não deve incomodar quem respeita a ordem. No fundo, a inspecção vai fazer uma avaliação neutra e equidistante de situações diversas. Os resultados dos trabalhos vão à apreciação dos órgãos de soberania, que têm a competência para tomar as decisões que se impuserem.

Mais isso inclui o tratamento de outros casos de particular complexidade, como, por exemplo, os crimes transfronteiriços?

Sim e isso é outra questão. Temos muitos crimes de sangue, que não estão devidamente esclarecidos ou concluídos. Temos os casos de Nino Vieira, Hélder Proença, Daciro Dabó, Yaya Dabó, Baptista Tagme Na Wai e muitos outros que continuam por esclarecer. Por aquilo que chegou ao meu conhecimento, muitas testemunhas nestes casos, que até manifestaram disponibilidade em colaborar com as autoridades, sentiram-se intimidadas. Por estarem a revelar algo que podia tocar outras pessoas, mas, principalmente, por não acreditarem na neutralidade do juiz de instrução que os estava a ouvir. Quando se chega a este ponto é perfeitamente normal que, para proteger a testemunha e credibilizar o processo, se pedisse a intervenção de procuradores expatriados.

O que precisa a Guiné-Bissau para pôr fim à instabilidade política reinante?

Acho que a solução passa pela eleição, para os cargos públicos e órgãos de soberania, de pessoas comprometidas com o império da lei. A democracia tem vários ingredientes, mas o maior, entre eles, reside no império da lei. Se existe lei, deve ser exercida e respeitada.

Até que ponto é o homem certo para o momento actual na Guiné-Bissau?

A democracia é a limitação dos poderes para facilitar os equilíbrios internos. Quando um homem ou mulher reclama mais poderes, além dos que tem direito, não entende a essência da democracia. Concordo que o sistema presidencialista é sempre mais exigente e mais complexo. Aceito que em África há uma tendência de dizer, “vamos simplificar”, o que significa a outorga, a uma única pessoa, de todas as competências para regular a nossa vida em sociedade. Talvez para alguns isso funcione, mas eu acredito que o semi-presidencialismo também.

Com a sua eleição, garante aos guineenses a estabilidade política que há muito anseiam?

Comigo na Presidência da República, sim, absolutamente! Eu sou capaz de garantir esta estabilidade.

O que mais o marcou no desempenho das funções como Primeiro-Ministro?

Como sabe, o Presidente assumiu-se como uma oposição ao Governo e isso pode dizer tudo.

Acha que a Guiné-Bissau estaria em condições de reconquistar as promessas de apoio que conseguiu em 2015?
Com a minha eleição à Presidência da República, tenho a certeza, estaria em condições de resgatar esses projectos e reconquistar a simpatia dos principais doadores internacionais.

Depois da vitória do PAIGC, nas eleições legislativas de 2014, o Senhor foi afastado do cargo de Primeiro-Ministro, numa altura em que ia apenas começar o mandato. Na actual legislatura, o Presidente cessante terá rejeitado a sua indicação como chefe do Executivo…

É medo, o Presidente cessante tem um medo feroz de mim, que nem ele próprio conhece as razões. O Presidente da República, quando se viu no cargo, sem saber como lá chegou, achou que devia tratar de tudo para nunca mais sair e a primeira coisa que fez, para atingir os seus objectivos, foi atacar quem lá o colocou.

Em vésperas das eleições presidenciais, em 2014, a Procuradoria da República quase impugnou a candidatura de José Mário Vaz?

A candidatura de José Mário Vaz foi um lapso do sistema de justiça da Guiné-Bissau, porque se o sistema de justiça funcionasse, ele nunca seria Presidente da República. Antes das eleições, José Mário Vaz foi detido sob suspeita de desvio de valores importantes. Na altura, um dos procuradores adjuntos entendeu que não assinou a acta de validação da detenção, porque achou que a modalidade administrativa observada não estava completamente correcta. E isso foi mal interpretado pelo juiz de instrução que deduziu que esse mesmo procurador estaria a pôr reticências em relação à transparência do processo. Vai daí o processo precipitou-se de tal forma que o Ministério da Justiça acabou por dar um registo criminal com o “nada consta” como impeditivo à sua candidatura.

Acha que existe a possibilidade de reabertura destes processos?

Esse processo continuou a andar e foi instruído. Quando o nomeou procurador-geral, o Presidente José Mário Vaz pensou que o Hermenegildo, o mesmo que colocou as reticências ao processo, estaria do seu lado, para dar um apagão ao processo. Mas, surpreendentemente, ele recusou-se a acatar as suas ordens, justificando que teria sido mal entendido, insistindo que o processo devia seguir a tramitação legal.

E como é que o Presidente José Mário Vaz reagiu a essa informação?

Diante a rejeição do procurador, o cidadão José Mário Vaz fez a requisição do processo, alegando que pretendia estudá-lo com o seu advogado. Foi nesta altura que o procurador o informou que o processo já não podia ser mexido, porque já tinha sido lançado. Só não foi chamado por causa das imunidades que goza enquanto Chefe de Estado.

De que crimes está acusado o Presidente cessante?

Tem o caso dos 12 milhões da ajuda de Angola e muitas outras coisas. Ele tem vários assuntos pendentes. Por exemplo, 14 contentores de areia pesada, com 20 toneladas cada, foram retiradas do país, pasme-se, para análises laboratoriais. Temos, também o problema da exportação da madeira. Em todos estes casos, ele aponta o meu envolvimento, quando, na realidade, é ele o principal suspeito.

Como estão as relações entre Angola e a Guiné-Bissau?

Acho as relações muito boas, mas comigo vão ser excelentes. As pessoas que as tentam instrumentalizar e comprometer não conhecem a história destas relações. Eu tive a oportunidade de me encontrar com um dos Chefes de Estado da nossa sub-região, que, na altura, questionava fortemente a presença da Missang na Guiné-Bissau, pretendendo saber como é que um país da África Austral aparece na África Ocidental, a querer ter alguma voz e funções na região.

E qual foi a resposta que deu?

Lembrei-lhe a história comum que existe entre os povos dos dois países. Muita gente não sabe que cidadãos guineenses estiveram na resistência angolana e vice-versa. Há cidadãos angolanos que são combatentes da liberdade da pátria da Guiné-Bissau. O nosso primeiro ministro da Cultura foi Mário Pinto de Andrade, angolano. O embaixador Brito Sozinho esteve a representar o MPLA na Guiné e junto do PAIGC, em Conacry.

FRANÇA E A UEMOA ANUNCIARAM UM ACORDO PARA PÔR FIM AO FRANCO CFA

FRANÇA E A UEMOA ANUNCIARAM UM ACORDO PARA PÔR FIM AO FRANCO CFA

  A França e oito países da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA) anunciaram no sábado, 21 de dezembro de 2019, um acordo para pôr fim ao franco CFA, moeda adotado desde o tempo colonial.

Esta “reforma histórica”, como lhe chamou o Presidente francês, foi anunciada ontem, durante a visita de Emmanuel Macron à Costa do Marfim.
O franco CFA vai passar a chamar-se Eco, anunciou o Presidente marfinense, Alassane Ouattara, em nome de oito países africanos: Benim, Burkina Faso, Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Mali, Níger, Senegal e Togo.

“Decidimos uma reforma do franco CFA com três alterações principais, entre as quais a mudança de nome”, “o fim da centralização de 50 por cento das reservas no Tesouro francês” e “a retirada de França das instâncias de governança em que está presente”, explicou Ouattara, em conferência de imprensa, acompanhado por Emmanuel Macron.

“O Eco terá vida em 2020, congratulo-me com isso”, disse Macron, assumindo que a França quer uma relação “descomplexada” com a África Ocidental.

A futura moeda “ECO” que vai circular em 2020, sem data precisa, nos 15 países da CEDEAO, conserva a taxa de câmbio com euro (1 euro = 655,96 francos CFA). Trata-se evitar os riscos de inflação (presente nos outros países de África), explicou o presidente marfinense Alassane Ouattara.

De referir que a Guiné-Bissau aderiu ao Franco FCA em 1997, data em que deixou de usar o “Peso”, moeda nacional adotado em 1975.

Esta moeda comum nos oitos países da UEMOA evoluiu ao longo dos tempos mas sempre conservou o seu acrónimo “CFA”. Foi inicialmente adotado por General de Gaulle em 25 de dezembro de 1945 como Franco das “Colónias Francesas de África”.

Em 1958 passou a ser designado por Franco de “Comunidade Francesa de África”. E depois das independências de países colonizados, em 1962 passa a ser até a data presente Franco “Comunidade Financeira de África”.

Por: redação/ LUSA, RFI, Le Figaro

2019PRESIDENCIAIS: ‘General’ rendido ao DSP

Na reta final da campanha, o candidato concorrente do próximo presidente da república, Domingos Simões Pereira, declarou à imprensa que se fosse eleito recorreria ao DSP para ser o primeiro-ministro.

Para os militantes, simpatizantes e apoiantes do PAIGC que estão a fazer uma campanha visivelmente vencedora as declarações do concorrente não surpreendem. Na verdade, ratificam o que todos já sabem: o outro lado não possui nomes com capacidade para a superação dos problemas do nosso povo.

“O segundo candidato olhou ao seu redor e se viu num deserto de ideias e projectos. O primeiro nome que lhe veio à cabeça como socorro foi o do Domingos Simões Pereira”, afirmou uma fonte da Direcção do APU-PDGB que apoia o Candidato Número 1.

“Os eleitores estão atentos aos riscos que seria eleger um candidato despreparado e desprovido de ideias originais que possam dar algum alento ao nosso povo”, comentou a mesma fonte.

Sobre expectativas, em número de votos nas urnas, o membro da Direcção do APU-PDGB foi categórico ao afirmar que Domingos Simões Pereira será o vencedor. “Vi um inquérito popular encomendado pelos adversários e posso afirmar que a vitória do DSP será ainda mais expressiva no dia 29 de Dezembro”, concluiu a fonte.

Tchon Na Fria, Pa Terra Ranka!

GOLPE DE ESTADO?: Sissoco abre essa possibilidade…e promete interromper as eleições

O candidato suportado pelo Movimento para Alternância Democrática (MADEM G-15), Umaro Sissoco Embalo, afirmou que pode aproveitar da história de 12 Abril para inviabilizar a segunda volta das eleições presidenciais, isto na sequência da retenção dos seus materiais eleitorais em São Domingos pelas autoridades junto à a fronteira entre a Guiné-Bissau e o Senegal.

Sissoco Embalo revela ainda que viajará neste domingo, 22 de dezembro, a São Domingos para retirar à “força” os seus equipamentos, e caso mantiver o bloqueio das autoridades competentes, ele vai mesmo interromper a segunda volta do escrutínio eleitoral na Guiné-Bissau.

“Nesta domingo, estarei em São Domingos, com os meus apoiantes, nomeadamente Nuno Gomes Nabiam, Alberto Nambeia, Braima Camara e entre outros para retirar a “força” os equipamentos em São Domingos, caso mantiverem o bloqueio, vamos interromper a segunda volta das eleições presidenciais” afirmou Sissoco Embalo.

Sissoco Embalo falava este sábado, 21 de dezembro, no sector de Buba, região de Quinará, sul do país, no âmbito da campanha eleitoral, na qual acusa o seu adversário, Domingos Simões Pereira, e o secretário de Estado da Ordem Pública, Mário Saegh, de serem os responsáveis desta intentona na fronteira que fica no norte da Guiné-Bissau.

Visivelmente desapontado com a situação, o antigo primeiro-ministro guineense pondera ainda impedir Simões Pereira de realizar o comício popular em qualquer sítio do país, se as autoridades competentes não desbloquearem os seus materiais eleitorais.

Acompanhado pelos dirigentes do seu partido e alguns dirigentes políticos de outras formações políticas, Embalo diz que não tem medo de enfrentar DSP, caso for necessário, por isso fez lembrar ao candidato suportado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo-Verde(PAIGC), que a Guiné-Bissau pertence a todos os cidadãos guineenses, e não a um grupo de pessoas.

Durante a sua intervenção em Buba, no âmbito da sua deslocação às regiões de Quinará, Tombali e Bolama, Sissoco Embalo somente falou da retenção dos seus materiais eleitorais na fronteira aos seus apoiantes e simpatizantes da sua candidatura.

A segunda volta das presidenciais na Guiné-Bissau está marcada para 29 de dezembro. A campanha eleitoral termina no dia 27.

As sétimas eleições presidenciais guineenses são tidas como cruciais para a estabilização política da Guiné-Bissau, que realizou legislativas em março.

Por: Rádio Jovem/Alison Cabral