CACHEU, CAMINHO DE ESCRAVOS

 
A criação do Memorial da Escravatura em Cacheu visa resgatar a memória histórica da escravatura naquela região da Guiné-Bissau e das suas relações com os circuitos e os destinos do tráfico negreiro e assenta sobre a apropriação comunitária do Memorial e de todas as demais iniciativas previstas. O projecto do Memorial da Escravatura apresenta 3 vertentes principais:

O projecto do Memorial da Escravatura apresenta 3 vertentes principais:

  • Histórica – promovendo a investigação histórica e a difusão da temática da escravatura;
  • Cultural – promovendo a cultura e a identidade da cidade de Cacheu e da sua região e pondo em evidência as contribuições das diferentes etnias e a importância da língua crioula, que ali surgiu e se afirmou;
  • Económica – potenciando as actividades produtivas e de serviços como meio de redução da pobreza e desenvolvimento de novas atividades económicas.

A conjugação destas três vertentes permitirá afirmar este projecto, quer no plano local e nacional, quer no plano regional da África Ocidental, quer no plano internacional.Com efeito, a implantação e requalificação das infraestruturas e serviços propostos, o apoio ao desenvolvimento de estudos históricos, arqueológicos e antropológicos e a criação/inserção de Cacheu nos roteiros internacionais relacionados com a temática da escravatura constituirão uma base sólida de envolvimento e valorização da população local e, ao mesmo tempo, de afirmação nacional e internacional de uma cidade e de uma região empobrecidas e fragilizadas.O objetivo global do projecto consiste em promover a cultura, o património histórico e as expressões culturais, como um meio de desenvolvimento económico, facilitando aos intervenientes a respectiva formação e capacitação – contribuindo para uma cultura da paz, através da promoção do pluralismo cultural, do diálogo intercultural e da construção de novas identidades e cidadanias.A médio prazo, a produção artesanal e artística e a organização de circuitos turísticos históricos, culturais e ambientais, e a criação de condições de alojamento, restauração, formação de jovens e mulheres permitirão um impacto positivo na redução da pobreza.Pretende-se, designadamente,

  1. Promover o resgate e a difusão da cultura e história da cidade de Cacheu e da sua região, contribuindo especialmente para que os guineenses em geral e as novas gerações, designadamente as que estão em idade escolar, possam conhecer, valorizar e interiorizar o percurso dos que os antecederam e que, ao moldarem a maneira de ser guineense, condicionarão as suas opções futuras. As escolas do ensino primário e secundário desempenharão um papel relevante na difusão destes conhecimentos, contribuindo para desenvolver um sentimento de pertença nacional.
  2. Promover a cultura e identidade locais como meio de redução da pobreza. Os Festivais culturais, musicais, cinematográficos, gastronómicos e outros, bem como a edição de produtos culturais (CD/DVD de música tradicional e moderna, livros e brochuras, etc.), permitirão aos artistas aceder a recursos financeiros que melhorarão as suas condições de vida. Igualmente os grupos culturais tradicionais terão maior projeção e serão chamados a participar noutros eventos culturais tanto no país como no estrangeiro. As mulheres, para além das suas atividades económicas no sector informal, passarão a alargar o espectro das suas iniciativas a sectores como o alojamento e restauração para todos aqueles que visitarem a zona de Cacheu.
  3. Potenciar a diversidade cultural étnica enquanto factor de paz, desenvolvimento e unidade nacional. Na Guiné-Bissau, é fundamental a promoção da convivência interétnica, pelo que o projeto irá promover metodologias inclusivas, em que as expressões culturais diversas sejam apreciadas pela sua qualidade intrínseca e possam ser apropriadas pelas diferentes etnias. As associações culturais locais passarão a desempenhar um papel de maior protagonismo na defesa de uma cultura nacional em que os diferentes grupos sociais se revêm e reconhecem, sem que isto os obrigue a renunciar à sua que é a que melhor conhecem desde o seu nascimento. A valorização da cultura por aquilo que ela tem de global e universal, de beleza e conteúdo, levará todos e cada um a melhor apreciarem e adoptarem as manifestações artísticas de grupos sociais que não são necessariamente os seus.

Nesta perspectiva, e sem esquecer os objectivos primordiais do projecto, entendemos que a sua concretização pode igualmente contribuir para alcançar metas significativas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) estabelecidos pelas Nações Unidas.

PAIGC, APU, UNIÃO PARA A MUDANÇA E PND ASSINAM ACORDO DE INCIDÊNCIA PARLAMENTA

O Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, a Assembleia do Povo Unido, a União para a Mudança e o Partido Nova Democracia assinaram hoje um acordo de incidência parlamentar para obterem maioria no parlamento.
O acordo, assinado numa unidade hoteleira em Bissau, permite que os quatro partidos juntos obtenham a maioria dos deputados do parlamento, nomeadamente 54 dos 102 deputados eleitos para a Assembleia Nacional da Guiné-Bissau, nas eleições legislativas de 10 de março.
O objetivo, segundo o documento divulgado à imprensa, é a estabilidade governativa, mas também o “resgate dos valores da democracia, devendo ser capitalizada e ajustada ao contexto de retorno à normalidade constitucional”.
No âmbito do acordo, os quatro partidos políticos comprometem-se a “entendimentos e consensos” no parlamento guineense relativos às “reformas políticas e institucionais necessárias ao normal funcionamento do Estado de Direito democrático, nomeadamente a revisão da Constituição da República, lei-quadro dos partidos políticos, lei eleitoral, bem como das reformas profundas dos setores de defesa e segurança, administração pública e justiça”.
O acordo prevê igualmente a formação de um Governo inclusivo que “reflita o presente entendimento entre as partes”.
Segundo os resultados definitivos das eleições legislativas de 10 de março na Guiné-Bissau, divulgados na sexta-feira pela Comissão Nacional de Eleições, o PAIGC obteve 47 deputados, o Movimento para a Alternância Democrática 27, o Partido de Renovação Social 21, a Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau cinco e a União para a Mudança e o Partido da Nova Democracia elegeram um deputado, cada um.

LUSA

A LGDH felicita o PAIGC, pela sua Vitória nas eleições.

Photo de Bissau On-line.

A LGDH felicita o PAIGC, pela sua Vitória nas eleições legislativas do dia 10 de Março, e, deseja-lhe muitos sucessos na próxima governação, sobretudo, no cumprimento das promessas eleitorais .Felicita igualmente, todos os partidos políticos que participaram nesta festa democracia, com especial destaque, para aqueles que o povo confiou mandatos no parlamento. Com a publicação dos resultados definitivos pela CNE, o país encerra um ciclo de instabilidade politica e inaugura uma nova era, que deve dar primazia ao diálogo político permanente com todos os atores políticos, sociais e econômicos, com vista a resolução gradual e eficiente, dos difíceis e crônicos problemas sociais que afectam a população. Este não é o momento para amadorismo muito menos de diversão. A difícil situação conjuntural da Guiné-Bissau, convoca a todos sem exceção, para, cada um, em função das suas atribuições e competências, priorizar este país e seu povo sofredor. É absolutamente indispensável, o reforço da cooperação, interdependência e solidariedade institucional entre os órgãos de soberania, por forma a facilitar o diálogo e consensos políticos necessários em torno de grandes reformas que o país tanto necessita. Da parte da LGDH, há uma total abertura e disponibilidade, para trabalhar com as novas autoridades, em tudo quanto for do interesse dos cidadãos, sobretudo, a promoção e defesa dos direitos humanos na Guiné-Bissau. Que Deus abençoe este país e o seu povo!

LGDH

ABEL XAVIER CHAMA TRÊS JOGADORES QUE ATUAM EM PORTUGAL PARA JOGO COM GUINÉ-BISSAU


O treinador da seleção moçambicana de futebol, Abel Xavier, integrou três jogadores que atuam em Portugal na pré-convocatória para o jogo da fase de qualificaçâo para a Taça das Nações Africanas (CAN19) com a Guiné-Bissau.
Além de Zainadine Júnior (Marítimo), Witi (Nacional) e Geraldo (Amora), foram convocados mais seis jogadores que evoluem no estrangeiro: Mexer (Rennes. França), Reinildo (Lille, França), Domingues (Bidvest, África do Sul), Edmilson (Cape Town City, África do Sul), Reginaldo (Laçi FK, Albânia) e Ratifo (Pforzheim, Alemanha).
No total, Abel Xavier chamou 32 jogadores, sendo que ainda serão afastados alguns da lista final que vai viajar para Bissau.

A partida do próximo dia 23 é referente à sexta e última jornada do grupo K de apuramento para a CAN19, que vai decorrer no Egito.
Os ‘mambas’ precisam de ganhar para conseguir a qualificação, pois somam sete pontos e estão com menos um ponto do que os ‘djurtus’ e a Namíbia, que defronta a Zâmbia, última classificada com quatro pontos.
Lista dos pré-convocados:
– Guarda-redes: Guirrugo (Incomáti), Leonel (Songo) e Vítor (Costa do Sol).
– Defesas: Zainadine Júnior (Marítimo, Portugal), Agenor (Songo), Chico (Ferroviário de Maputo), Mexer (Rennes, França), Ifren (Songo), Reinildo (Lille, França), Jeitoso (Ferroviário de Maputo), Edmilson (Cape Town City, África do Sul), Jorge (Costa do Sol), Mambucho (Ferroviário da Beira) e Manucho (Costa do Sol).
– Médios: Amadou (Songo), Cremildo (Songo), Cambala (Songo), Witi (Nacional, Portugal), Nené (Costa do Sol), Nilton (Costa do Sol), Geraldo (Amora), Domingues (Bidvest, África do Sul), Jimmy (Songo), Nelson (Costa do Sol) e Raul (Costa do Sol).
– Avançados: Dayo (Ferroviário da Beira), Isac (Costa do Sol), Luís Miquissone (Songo), Maninho (Ferroviário da Beira), Telinho (Songo), Reginaldo (Laçi FK, Albânia) e Ratifo (Pforzheim, Alemanha).
Notabanca; 16.03.2019Publicada por notabanca 

SPECIAL OLYMPICS: Guiné-Bissau conseguiu 2 medalhas de ouro

Guiné-Bissau participa, nos Emirado Árabe Unidos (Abu Dhabi e Dubai), nos Jogos Mundiais Special Olympics.

Hoje, o país conseguiu um feito notável: 2 medalhas de ouro nas provas de atletismo (Novos Países), ganhas pelas atletas Fidelia Cabral e Elizandra Gomes.

Seleção Nacional Special Olympics Guiné-Bissau participa nos Jogos Mundiais Special Olympics, Abu Dhabi 2019 

A Special Olympics Guinea-Bissau (SOGB), fundado e admitido no movimento Special Olympics International em 2018, participa pela primeira vez nos Jogos Mundiais de Pessoas com Deficiência Intelectual.

Os Jogos realizam-se na cidade de Abu Dhabi (Emirates Árabe Unidos), entre os dias 14 a 22 de março.

A Special Olympics Guinea-Bissau tem por missão incentivar, desenvolver e apoiar a prática desportiva para cidadãos com deficiência intelectual, proporcionando-lhes as condições necessárias para que essa prática possa decorrer de forma continuada.

O World Games Abu Dhabi 2019 é o ano que a Special Olympics também celebra os 50 anos, e a Guiné-Bissau orgulha-se de estar presente entre as duzentas Nações presentes.

A Seleção Nacional está composta por nove pessoas:

Janice Aleluia Lopes Nunes – Diretora Nacional e Chefe de Missão 

Miguel José Gomes Sampaio – Presidente 

Blowshande Nelitinho Cabi – Psicologo Clínico 

Pedro Onofre Cabral – Treinador 

Juldmira Lopes Cabral – Treinador 

Elizandra Jacinta Moreno Garces Gomes – Atleta 

Fidelia Cabral – Atleta 

Amara Silla – Atleta 

Diniz Geraldo Cabral Júnior – Atleta 

A Diretora Nacional

Presidente da República, José Mário Vaz felicitou o presidente do PAIGC, Domingos Simões Pereira, pela vitória nas eleições legislativas e manifesta-se disponível para trabalhar com o futuro primeiro-ministro da Guiné-Bissau.

ELEIÇÕES/CARLOS LOPES: Eleições: Ex-dirigente da ONU elogia sentimento democrático

Carlos Lopes

“Nós temos uma tradição na Guiné-Bissau de ter eleições pacíficas, e essa é a parte que corresponde ao comportamento popular. Os guineenses gostam da democracia, gostam da festa da democracia, gostam de participar em eleições, têm taxas de participação muito elevadas e têm uma grande adesão dos jovens a essas formas de representatividade”, disse à Lusa o antigo responsável da ONU.

Carlos Lopes falou à margem da Conferência “África em transformação: desenvolvimento económico em tempos de incerteza”, inserida no 1.º Ciclo Internacional de Conferências em Ação Humanitária, promovido pelo ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa (IUL) e em que participou.

Ainda assim, o antigo responsável da ONU, que também é professor na Escola Nelson Mandela de Governança Pública da Universidade de Cape Town, África do Sul, considera que a alegria dos eleitores não é correspondida por parte dos políticos.

“Infelizmente, os nossos políticos líderes, muitas vezes não correspondem às espectativas. Há exceções, mas uma boa parte pensa que isto é uma espécie de batalha campal”, referiu o economista.

“Como não podem exercer essa batalha durante o período em que decorre as eleições, normalmente deixam isso para depois, e há uma grande dificuldade em respeitar resultados”, acrescentou.

Carlos Lopes acrescenta que, embora ineficiente, o processo eleitoral foi limpo, e aponta para as “suficientes garantias da observação internacional”.

Na opinião do economista, a deficiência na atualização atempada dos cadernos eleitorais, que afetou parte da população guineense, “não foi com más intenções nem com intuitos de manipulação”.

Questionado sobre a possibilidade destas diferenças afetarem a relação entre o povo guineense e a sua participação na vida política, Carlos Lopes diz existir “uma certa desilusão com o sistema político”.

“Há muita personalização e pouca institucionalização. As instituições devem fazer o seu trabalho, normalmente quer-se ter muito protagonismo pessoalizado. Acho que isso é mau, mas acho que é um reflexo um pouco da debilidade institucional do país”, concluiu.

Os resultados eleitorais das eleições legislativas de domingo indicam que o Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC) alcançou 47 mandatos, o Madem-G15 27, o Partido da Renovação Social (PRS) 21, a Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU/PDGB) 5, a União para Mudança (UM) e o Partido da Nova Democracia (PND), um deputado, cada um.

O PAIGC já anunciou um acordo de incidência parlamentar para governar com a APU/PDGB, UM e PND, pelo que deverá garantir apoio da maioria dos deputados eleitos.

O segundo e o terceiro partido, Madem e PRS respetivamente, celebraram igualmente um acordo parlamentar.

A Guiné-Bissau vive desde 2015 uma crise política, que teve início com a demissão de Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, do cargo de primeiro-ministro, depois de o partido ter vencido as eleições de 2014 com maioria.

Desde então foram nomeados vários primeiros-ministros.

Domingos Simões Pereira deverá ser indicado como primeiro-ministro, mas agora apenas com o apoio de uma maioria relativa. Lusa