Após 46 anos de independência: JORNALISTA JAPONÊS RECORDA OPRESSÃO DE EXÉRCITO COLONIAL E DESILUDIDO COM “AMBIÇÃO” DOS GUERRILHEIROS

02/10/2019 / OdemocrataGB / No comments

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[ENTREVISTA_setembro 2019] Jornalista freelancer japonês que cobriu a luta armada pela libertação da antiga Guiné Portuguesa nos anos 1971 e 1974, Tadahiro Ogawa, tem ainda na memória as imagens da opressão do exército colonial português, que segundo a sua explanação, semeava minas terrestres que mutilavam as populações bem como lançava bombas aéreas que queimavam as casas e matas. Lembrou ainda que uma das coisas que lhe marcou foi ver soldados mutilados e crianças a aprender a ler e escrever em barracas e sentados em pedaços de troncos.

O jornalista nipónico aproveitou a entrevista concedida ao semanário O Democrata por via telefónica com o propósito de falar sobre as suas reportagens na luta e das suas memórias publicadas em dois livros em três línguas, contudo demostrou-se desiludido com os guerrilheiros de ontem que hoje tornaram-se em dirigentes, mas que segundo ele, dois anos após a independência (1976) esqueceram-se da sua missão de zelar pelo bem-estar do povo e do país e demostraram as suas ambições com condecorações, enquanto o povo se encontrava em miséria total e sem nada para comer.

“O que me desapontou na altura foi que os guerrilheiros trocavam as medalhas ou se condecoravam, enquanto o povo vivia na miséria e nem sequer ter algo para comer. E para mim isso era insustentável  que os governantes tivessem essa ambição de comprar medalhas para os militares e dirigentes em apenas dois anos da independência, sem se preocuparem com a situação de miséria que o povo enfrentava…”, lamentou o jornalista.

Explicou ainda que para além de escrever na altura para algumas revistas japonesas, publicou  dois livros nos quais conta um pouco a história de luta de libertação através de imagens. Acrescentou neste particular que o seu primeiro livro foi intitulado “Nô Pintcha” e foi editado em três línguas no ano de 1971. O segundo livro entitulado “Camarada Independência” publicado em 1976, relatou em imagens a história da luta armada pela independência na Guiné-Bissau, Angola e Moçambique.

O Democrata (OD): Cobriu a história da luta de libertação da antiga Guiné Portuguesa (Guiné-Bissau) e Cabo Verde, enquanto repórter fotografo? 

Tadahiro Ogawa (TO): Sim. Inicialmente a ideia era ir para Moçambique em 1967, onde decorria uma intensa batalha entre as tropas portuguesas e os guerrilheiros da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). Infelizmente a direção daquele partido demorou a responder a minha carta, na qual pedia a autorização ou a colaboração de forma a poder cobrir a luta armada do povo moçambicano, por isso optei pela Guiné-Bissau que na altura  conhecida como a Guiné Portuguesa.

Enviei uma carta a direção do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) que prontamente reagiu positivamente, permitindo a entrada nas zonas libertadas e cobrir a luta do povo guineense contra os colonialistas portugueses. Eu cheguei a Guiné no mês de Maio, em 1971 por Conacri, capital da Guiné-Conacri.  

OD: Qual foi a sua motivação para cobrir a luta pela independência do povo guineense? 

TO: Eu vim a Guiné como jornalista freelancer (Fotojornalista) e o interesse na altura era fazer chegar o sofrimento do povo guineense por meios de imagens ao mundo. A luta pela libertação em territórios da colónia portuguesa em África não era conhecida no Japão, por exemplo, a luta desencadeada em Moçambique e na Guiné Portuguesa eram desconhecidas no Japão e noutras partes do mundo.

Formado na história e fotojornalista, achei que o meu trabalho poderia ajudar a dar a conhecer o sofrimento destes povos a outras partes do mundo em particular aos países mais poderosos na altura e que poderia  apoiar esses povos em luta nas suas causas e por isso tomei o engajamento de cobrir a luta destes povos. Primeiro pensei cobrir a luta desencadeada pelo povo moçambicano e inclusive fui até a Tanzânia, a fim de entrar naquele país (Moçambique) e ir diretamente à zona da luta para juntar-me aos guerrilheiros, mas não recebi a resposta à  minha carta razão pela qual optei por cobrir a luta armada travada pelos guineenses  contra as forças colonialistas portugueses.

Escrevi ao partido (PAIGC) que aceitou de imediato o meu pedido através de uma carta. Não sei porque reagiram rapidamente a minha carta, mas aceitaram. Talvez tenham percebido na altura a importância do meu trabalho para consciencializar os grandes países sobre a causa do povo da Guiné Portuguesa.

Fiz várias reportagens fotográficas da luta de libertação. Publiquei um livro sobre a história da luta de libertação da Guiné Portuguesa no qual constam imagens que mostram ao mundo o grande sofrimento dos guineenses na luta pela sua independência. O livro intitulado “Nô Pintcha” foi publicado em 1972, no Japão. Foi inscrito em três línguas, nomeadamente: Japonês, Português e Inglês.

Foram impressos mais de 700 exemplares e 50 por cento do livro impresso ficou no Japão e outra metade foi levada para Amsterdã, na Holanda (Europa) onde foi distribuído para outros países e organizações internacionais. Em Amsterdã havia uma sede de uma organização que apoiava a iniciativa da libertação das colónias portuguesas e que na altura exercia muita pressão ao governo português.

OD: Quais são os assuntos abordados no livro e quantas páginas tem o livro?

TO: O livro tem 100 páginas e continha imagens de combates bem como alguns momentos retratados dos combatentes…

OD: Porque é que intitulou o livro “Nô Pintcha – Avante”?

TO: “Nô Pintcha” é a palavra que ouvia sempre dos guerrilheiros quando caminhavam para o combate. Ouvia-se o grito de comandante ou de colega ao lado “Camaradas, Nô Pintcha” e esta expressão ficou na minha cabeça até hoje. Os guerrilheiros caminhavam a pé quilómetros nas matas com armas e munições nos ombros. Isto  marcou-me de certa forma que decidi intitular o meu primeiro livro sobre a luta de libertação da Guiné “Nô Pintcha” – uma homenagem aos guerrilheiros…

OD: Para além de publicação de livros com fotos de guerrilheiros guineenses, quais foram os outros canais que utilizou para a publicação do seu trabalho naquela altura?

TO: Escrevia na altura para várias revistas. E na segunda missão em 1974, trouxe uma máquina de fotografia de 8 mm, com o qual fazia filmagens dos acontecimentos. Lembro-me que fiz um filme documentário de 20 minutos que foi transmitido na televisão pública do Japão. Era difícil naquela altura um jornalista freelancer apresentar o trabalho aos órgãos públicos ou grandes revistas, mas eu conseguia apresentar os meus trabalhos e algumas grandes revistas também pediam-me trabalhos sobre a luta de libertação da Guiné-Bissau.

OD: Qual foi a história contada no vídeo de 20 minutos?

TO: O vídeo mostrava a vida das populações nas zonas libertadas, sobretudo das escolas e a forma como funcionavam os armazéns do povo que era para mim uma experiência particular. Também o vídeo retratou a cerimónia de entrega das credenciais dos embaixadores dos países da Europa de leste, designadamente: Roménia, Bulgária entre outros. O impressionante naquele vídeo é que antes da independência alguns países europeus acreditavam na liderança do partido e credenciavam os diplomatas para trabalharem com o partido.      

OD: O Senhor tem uma longa experiência no mundo da fotografia, o que foi particular durante a sua estadia por esta terra?

TO: Lembro-me que fiz duas viagens à Guiné Portuguesa. A primeira, como disse, foi em 1971, durante a qual fiz um mês nas matas da Guiné. Saí do Japão e passei por Argel (Argélia), depois para a Conacri e segui para a região de Boké, onde havia uma base do partido onde se concentravam as pessoas para depois partirem para a Guiné. Saí de Boké para a Guiné e entramos pela zona leste junto com os guerrilheiros.

Esta foi a primeira vez e fiquei um mês nas matas a cobrir a luta armada através de vídeos e  fotografias. A segunda vez que vim a Guiné foi em 1974 e fiquei três meses nas zonas leste e sul do país. Quero afirmar aqui que durante os 55 anos de carreira de fotógrafo, as estadias na Guiné foram as mais desgastantes e senti o meu limite físico.

OD: Esteve no país duas vezes a cobrir a luta pela libertação do povo da Guiné-Bissau. E podia dizer-nos quais foram os momentos mais marcantes para si?

TO: Não participei diretamente nos combates, mas o grande perigo que fustigou muito os guerrilheiros eram as minas terrestres! E o bombardeamento aéreo, também criou dificuldades aos combatentes…   

OD: O que lhe marcou da presença colonial portuguesa na Guiné?

TO: Apenas estive nas zonas libertadas pelo PAIGC, portanto, não assisti diretamente à presença portuguesa.  Mas foi chocante ver um soldado do PAIGC com orelhas cortadas pelas tropas portuguesas…

O que me marcou, e que até hoje está na minha cabeça é a imagem das escolas improvisadas nas matas, onde as crianças se sentavam em troncos de árvores. Não havia professores formados para ensinar aquelas crianças, mas havia pessoas que sabiam ler e escrever essas pessoas ensinavam as crianças escrever e ler.   

OD: Quais são os acontecimentos ou reuniões importantes que cobriu durante a luta. E  fez algum trabalho com Amílcar Cabral ou algum alto Comandante da luta?

TO: Fiz fotos de algumas reuniões importantes. Tenho muitas fotos da luta, mas as fotos selecionadas para a publicação foram mais de 200. Lembro-me ainda que tenho fotos de Amílcar Cabral, quando visitou a cidade de Hiroxima (Japão) em 1972, mas também tenho algumas imagens de Luís Cabral, que era alto dirigente do partido e viria a tornar-se no Presidente da Guiné-Bissau, depois da independência.  

 OD: Conhecia pessoalmente Amílcar Cabral e qual era a vossa ligação?

TO: Não tive uma relação íntima para além da profissional com Amílcar Cabral. Quero dizer que apenas tive uma relação de trabalho com os responsáveis do partido que dirigiam a luta. Eu e Amílcar avistamo-nos uma vez e foi no Japão, quando ele participou na conferência de Hiroshima (uma cidade da ilha de Honshu, no Japão, que foi amplamente destruída por uma bomba atómica pelos Estados Unidos de Améria na Segunda Guerra Mundial, em 1945).

Cabral foi convidado para tomar parte numa conferência realizada pelo governo japonês naquela altura, em 1972. Isto é, um ano depois da minha primeira missão a Guiné Portuguesa (1971). E naquele encontro falamos sobre o meu trabalho na Guiné bem como dos trabalhos de mobilização e sensibilização que o partido levava a cabo a nível interno e externo, onde o partido queria concentrar mais as suas ações.

OD: Qual é a sua opinião sobre o mosaico étnico?

TO: É uma questão complicada para responder. De maneira geral,  o povo guineense, maioritariamente agricultores, transmitia-me a força de resistência, por outro lado, as pessoas de Cabo Verde eram mais abertas e ágeis.

OD: O que acha da hospitalidade do povo guineense e da sua culinária?

TO: O povo guineense é muito hospitaleiro e nada de desagradável aconteceu.  Comia arroz e frango que os soldados preparavam para mim e sempre gostei.  É inesquecível ainda hoje o sabor do avocado, que não havia no Japão há 50 anos.

OD: Em que língua comunicava-se com os guerrilheiros e os comandantes?

TO: O partido colocou uma pessoa a minha disposição que fazia a tradução. A comunicação era sempre em Inglês. Era um jovem cabo-verdiano de nome Cláudio e confesso que não me lembro o seu apelido ou digamos o nome completo, mas foi este jovem que o partido colocou a minha disposição na primeira missão em 1971. E passados alguns anos, informaram-me no meu regresso na segunda missão (1974) que o jovem tinha desertado da luta. Não sei o que lhe fez a fugir de uma causa nobre, mas lamento…

Já na segunda missão em 1974, foram igualmente dois jovens cabo-verdianos que trabalharam comigo na tradução. Estes dois, lembro-me dos seus nomes, apenas se chamavam Eduardo e Valdumar…

Quero informar que para além do primeiro livro intitulado “Nô Pintcha” e editado em 1972, voltei a publicar outro, o segundo, que intitulei “Camaradas Independência”, que fala das façanhas da luta armada na Guiné, Angola e Moçambique, publicado em 1976.

OD: Para quando tenciona visitar a Guiné-Bissau, um país independente?

TO: Lembro que dois anos após a independência fui convidado a visitar a Guiné-Bissau pelo governo de Presidente Luís Cabral. Participei na comemoração da festa da independência, isto é 1976. Recordo que naquela festa estiveram presentes os Chefes de Estados de países amigos da Guiné-Bissau, sobretudo o Presidente da Tânzania, Julius Nyerere.

O que me desapontou na altura é que os guerrilheiros trocaram as medalhas ou se condecoravam, enquanto o povo vivia na miséria e nem sequer tinha algo para comer. E para mim isso era impossível que os governantes tivessem a ambição de comprar medalhas para os militares e dirigentes em apenas dois anos da independência, sem se preocupar com a da miséria que o povo enfrentava… 

OD: Senhor Ogawa estaria disposto a disponibilizar essas fotos para a Guiné-Bissau?

TO: Tenho muitas fotos que pretendo disponibilizar às autoridades como património de todo um povo. Não quero que as fotos sejam objeto de apropriação de um grupo de pessoas ou que se façam aproveitamento político. Se convidarem para fazer exposição e depois deixá-las, estarei disponível. Seria um prazer fazer-se acompanhar do professor Ichy [Atsushi Ichinose, professor da Universidade Sofia em Tóquio, pesquisador do crioulo guineense], (risos).

Por: Assana Sambú

Foto: Arquivo Tadahiro Ogawa

Agradecimento especial ao professor universitário, Atsushi Ichinose

5 thoughts on “Após 46 anos de independência: JORNALISTA JAPONÊS RECORDA OPRESSÃO DE EXÉRCITO COLONIAL E DESILUDIDO COM “AMBIÇÃO” DOS GUERRILHEIROS”

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