TERRA RANKA: Guiné-Bissau e Guiné-Conakri assinam acordo

A Guiné-Bissau e a Guiné-Conakry, assinaram este sábado, um acordo para compra e venda da energia elétrica a ser produzida pelas barragens hidroelétricas de Kaletá e Souapiti na Guiné-Conakry, que fornecerão energia limpa e barata à Guiné-Bissau na ordem de 50 MW.

Da parte da Guiné-Bissau, rubricou o acordo Adriano Gomes Ferreira (Atchutchi) PCA/EAGB e, pela Guiné-Conakry, assinou Bangaly Konaté DG/EDG.Motivo de regozijo para o Governo de Aristides Gomes, representado no ato pelo Ministro dos Recursos Naturais e Energia, Engo. Issufo Baldé.

Para ele, o dia de hoje é um dia de satisfação para a população dos nosso país que, assim passará a tirar imensos ganhos a partir dessa energia elétrica que se espera, até finais de 2020, entrará no nosso território, através de um linha de interconexão de 218 Km, transportando uma tensão elétrica de 225/30 kv e, pasando por 4 subestações de transformação da energia elétrica já em fases de instalação em Ndam-Tete/Bissau, Mansoa, Bambadinca e Saltinho.

O custo tariffário inicial situa-se na ordem de 10.7 centimos dolar americano por kWh de energia.
Assistiram também a ato da assinatura deste acordo, o Alto Comissário da OMVG Lansana Fofaná e o Embaixador da Guiné-Conakry em Bissau.

SR. DINIS’ SONHA VOLTAR PARA PORTUGAL MAS COM O CORAÇÃO DIVIDIDO APÓS 57 ANOS DE GUINÉ-BISSAU

João Dinis chegou à Guiné-Bissau em 1963 para combater na guerra colonial e nunca mais voltou. Hoje diz que quer regressar a Portugal, mas com o coração dividido porque “57 anos de Guiné não se esquecem com facilidade”.
Este português, prestes a fazer 78 anos, recebe a Lusa no seu restaurante, numa das principais avenidas de Bafatá, na zona leste da Guiné-Bissau, a cerca de 140 quilómetros da capital, e para onde mudou o negócio há dez anos.
O ‘Sr. Dinis’, como é conhecido, não apenas em Bafatá, mas também em Bissau, justifica a mudança com a necessidade de dinamizar o negócio porque a zona onde tinha o restaurante “começou a ficar degradada”, “sem movimento” e “ninguém lá ia”.
Com uma vida dedicada aos negócios, João Dinis explica que começou por comprar uma escola de condução em Bafatá, no início de 1968.
Antes, trabalhou em Bissau, primeiro como funcionário da Administração do Porto e depois como instrutor de condução.
“Cheguei a ter os dois empregos, trabalhava na Administração do Porto de noite e na escola de condução de dia”, conta.
Sobre os tempos da guerra colonial, o português explica que pertencia ao Batalhão 313, companhia 49, instalada em Cacine, na região de Tombali, no sul. Mais tarde juntou-se ao “pelotão de cavalaria, que tinha a missão de abrir as estradas”, num percurso que implicava abrir caminho por vários locais e que “levou 13 meses a percorrer”.
Questionado por que decidiu ficar na Guiné-Bissau depois da independência, o português oriundo de Alvorninha, Caldas da Rainha, diz que foi desafiado por um amigo, “o Augusto”, quando faltava um dia para acabarem a comissão de serviço e voltarem para Portugal.
“Ainda lhe disse ‘estás maluco? agora que falta um dia’, mas depois palavra foi palavra, conversa foi conversa e decidimos ficar na Guiné, mas com o objetivo de ir para França, que seria mais fácil”, conta, lembrando, no entanto, que “esse plano nunca foi concluído”.
Na altura, João Dinis era solteiro. Só casou em 1971, quando foi de férias a Portugal. A sua companheira desde então, Célia, de 65 anos, é a responsável pela cozinha do restaurante Ponto de Encontro, assim chamado por inspiração no nome de um programa da SIC.
O português explica que estava em Lisboa quando viu nesse programa “uma menina da Guiné à procura do pai, que queria conhecer” e “que conseguiu encontrar ao fim de tantos anos”. Comovido com a “história bonita” da jovem guineense, decidiu dar ao restaurante o nome do programa.
João Dinis e a mulher tiveram um outro restaurante em Gabu, a 190 quilómetros de Bissau, onde viveram entre 1972 e 1976.
Agora em Bafatá, são “os petiscos”, que incluem pratos guineenses como a galinha cafriela, que atraem os clientes, sobretudo estrangeiros “que trabalham em projetos ou em ONG [organizações não-governamentais]”, a maioria portugueses e franceses.“Cá não é fácil aparecer uma pessoa da Guiné que venha almoçar ou jantar com a família”, lamenta.
Os clientes que tem “vão dando para as despesas”, mas, queixa-se, só de eletricidade paga 130.000 francos CFA (quase 200 euros) por mês. “É muito caro, mas é preciso manter o negócio”, diz.
Sobre quantos portugueses vivem em Bafatá, diz que “não são mais dos que quatro ou cinco” mesmo a morar ali. Os outros, vão “trabalhar nos projetos e depois vão”.
Segundo dados do gabinete da secretária de Estado das Comunidades, vivem na Guiné-Bissau cerca de 2.500 portugueses, embora alguns dividam a sua vida entre o país e Portugal e outros países europeus.
Residem maioritariamente na região Bissau-Biombo (73%), mas também na região Norte (Cacheu e Oio) e Leste (Bafatá e Gabu), trabalhando sobretudo nas áreas do comércio e retalho, construção civil, logística e distribuição e cooperação e desenvolvimento.
Quem entra no restaurante do ‘Sr. Dinis’ facilmente percebe a ligação a Portugal, porque basta chegar ao balcão para ver a bandeira, pendurada no centro da parede.
Dos tempos passados na Guiné-Bissau, o que recorda com mais tristeza é a morte do filho, aos 25 anos, por falta de assistência médica adequada. Foi há seis anos e a morte aconteceu na viagem de avião quando o filho estava a ser transferido para receber tratamento em Portugal.
Depois deste episódio, lembra, as outras duas filhas, mais velhas e a residirem em Portugal, garantiram-lhe que nunca mais voltam “a meter os pés na Guiné-Bissau”.
João Dinis percebe, mas mostra-se triste por não ter ninguém que dê continuidade aos negócios que tem há décadas na Guiné-Bissau.
Sobre o seu regresso ao país onde nasceu, hesita, ri-se, mas responde: “É o meu sonho”.
“É certo que ainda estou um bocadinho preso à Guiné, atendendo ao negócio que tenho cá”, diz, para logo depois dar conta do sentimento de coração dividido entre os dois países: “São 57 anos de Guiné, que não se esquecem com facilidade”.

O impacto das alianças na segunda volta das eleições presidenciais da Guiné-Bissau

Apesar do esforço dos partidos em fazer alianças, analistas advertem que transferência de votos não deve ser “automática”.

    
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O cenário político da Guiné-Bissau está a configurar-se para a disputa da segunda volta das eleições presidenciais, marcada para 29 de dezembro. Domingos Simões Pereira, o candidato do  Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) enfrentará nas urnas Umaro Sissoco Embaló, apoiado pelo Movimento para Alternância Democrática (MADEM-G15).

Enquanto se negoceiam alianças, os observadores estão céticos quanto a uma transferência automática de votos.

Bild-Kombo Domingos Simões Pereira und Umaro Sissoco EmbalóDomingos Simões Pereira, do PAIGC, e Umaro Sissoco Embaló, apoiado pelo MADEM-G15

O analista político Suleimane Cassamá acredita que as alianças políticas que estão a ser desenhadas não terão o efeito desejado. Para ele, a ideia de transferência de votos não é automática. “Não se pode pensar que vamos apoiar o fulano e [ele] já terá os votos dirigidos. Isso não vai acontecer.”

Os grupos de jovens que estiveram com José Mário Vaz e Carlos Gomes Júnior na primeira volta anunciaram apoio a Simões Pereira. Por sua vez, Gomes Júnior e Nuno Nabiam – dois candidatos derrotados na primeira volta – anunciaram que estarão ao lado de Sissoco Embaló na reta final das presidenciais.

Debates no APU-PDGB

A aliança entre Nabiam e Sissoco Embaló está a tornar-se um capítulo à parte na disputa por aliados. A aproximação entre os dois políticos não terá sido bem aceite por muitos membros da Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), partido de Nabiam. O partido poderá pronunciar-se em breve para se distanciar da atitude do seu líder.

Um integrante do APU-PDGB revelou à DW África que o apoio de Nabiam a qualquer um dos candidatos à segunda volta “deveria ter sido decidido pelos órgãos do partido”.

)Nuno Nabiam, do APU-PDGB

Para o analista Cassamá, Nabiam não conseguiu convencer o seu próprio partido a apoiar a sua candidatura na primeira volta, então “dificilmente isso ocorrerá com uma candidatura diferente”.

O acordo que consolidou a aliança entre Nabiam e Embaló foi assinado no Senegal, na terça-feira (03.12). Nuno Nabiam é o líder do APU-PDGB, partido que representa a quarta força no Parlamento e integra o atual Governo do PAIGC.

Discurso e mobilização

O analista político Bacar Camará opina que o discurso e a capacidade de mobilização dos candidatos serão fatores determinantes para a vitória na segunda volta.

“A capacidade de gerar uma narrativa que crie expetativa e repudie aquilo que se introduziu na nossa democracia: uma ameaça de fragmentação social e da nossa convivência pacífica, que é o argumento étnico-religioso.”

Na terça-feira, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) definiu por sorteio que o boletim de voto da segunda volta terá Simões Pereira na primeira posição e Sissoco Embaló na segunda.

BAD anuncia 6,9 mil milhões em ajuda para países vulneráveis em África

Os países mais pobres do continente africano vão receber 7,6 mil milhões de dólares (cerca de 6,9 mil milhões euros) em ajuda financeira internacional, anunciou hoje o Banco de Desenvolvimento Africano (BAD).

Neste sentido, os doadores do Fundo Africano de Desenvolvimento (ADF, na sigla em inglês) decidiram hoje, na África do Sul, garantir 7,6 milhões de dólares para “acelerar o crescimento económico nos países mais pobres de África e ajudar a tirar milhões de pessoas da pobreza”, refere o BAD em comunicado divulgado na capital económica sul-africana.

Segundo o banco, trata-se da décima quinta reposição realizada pelo ADF (ADF-15), que representa um aumento de 32% em relação ao ciclo anterior.

“É um forte sinal de confiança no Fundo, que é a janela de concessão do Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento”, lê-se na nota.

O ADF-15 abrange o período 2020-2022 e vai apoiar os países mais vulneráveis no continente africano “combatendo as causas principais da fragilidade, fortalecendo a resiliência e integrando questões transversais”, salienta a nota, acrescentando que “prestará atenção especial à igualdade de género, mudança climática, setor privado e promoção da boa governação.”

O investimento anunciado será direcionado especificamente para regiões como o Sahel, que terão um aumento de 23% nos recursos do ADF no próximo período, salienta o BAD.

Nos próximos três anos, acrescenta, o Fundo ampliará as suas intervenções com projetos “ousados e profundamente transformadores”, com destaque para o? Desert to Power’, que visa transformar a região do Sahel “na maior zona de produção solar do mundo, com uma capacidade de geração solar de 10.000MW e 250 milhões de pessoas conectadas à rede elétrica.”

Como parte da iniciativa, o Projeto de Eletrificação Rural de Yeleen, no Burkina Faso, deve dar acesso a eletricidade a 150.000 famílias, enquanto que o Projeto Djermaya, no Chade, gerará 10% da capacidade de energia do Chade, destaca aquela instituição financeira africana.

O Fundo Africano de Desenvolvimento compreende 32 estados contribuintes e beneficia 37 países.

De acordo com o BAD, a reposição dos recursos do Fundo é efetuada a cada três anos e entre os beneficiários contam-se “países com taxas de crescimento mais elevadas, virados para novos mercados emergentes e estados frágeis que necessitam de apoio especial para a prestação de serviços básicos”.

O comunicado destaca que desde 2010, o Fundo Africano de Desenvolvimento do BAD melhorou o acesso à eletricidade para 10,9 milhões de pessoas; forneceu infraestruturas e insumos agrícolas a 90 milhões de pessoas – incluindo 43 milhões de mulheres; melhorou o acesso a mercados e ligações entre países para 66,6 milhões de pessoas; reabilitou mais de 2.300 km de estradas transfronteiriças e melhorou o acesso à água e saneamento para 35,8 milhões de pessoas no continente africano.

Todavia, o banco não especificou os países alvo das ações descritas.

NAOM

O secretário de estado da comunidade Bacai Sanha, afirma que a sua fidelidade e o compromisso com o candidato do seu partido é irreversível

Por Nicolau Gomes Dautarim

O governante reagiu aquilo que considera de desinformação postas a circular nas redes sociais, em como teria apoiado o candidato do MADEM-G15.

Bacai Sanha disse que uma das suas fotografias publicadas ao lado dos dirigentes dos MADEM G-15, sentiu o dever de desmitir categoricamente qualquer tipo de ligação ou apoio a essa formação política ou seu candidato, afirmando que foi apenas um gesto simples de cortesia, por ter encontrado com eles num mesmo espaço e teve a amabilidade dos os cumprimentar.

Sanha disse que a sua fidelidade e seu compromisso com o PAIGC e o seu presidente DSP é irreversível e está comprometido em ajudar a eleger o arquiteto do projeto Pa Tchom Fria i Pa Terra Ranka e de certeza absoluta que no dia 29 de dezembro os guineenses terão um presidente competente e capaz de unir a sociedade, vincou o governante.

IDRIÇA DJALÓ DECLARA APOIO A DOMINGOS SIMÕES PEREIRA

O candidato às eleições presidências que figura na 9ª, Idrissa Djalo, declarou esta quinta-feira o seu apoio, nesta segunda volta, a Domingos Simões Pereira suportado pelo PAIGC.
A declaração do apoio a Domingos Simões Pereira foi anunciada durante uma conferência de imprensa que visa também fazer o balanço da primeira volta das eleições presidências.
Idrissa Djalo, derrotado na primeira volta e apoiado pelo Partido Unidade Nacional “PUN”, explicou que a razão do seu apoio a Domingos Simões pereira tem a ver com a visão do PUN em relação ao desenvolvimento nacional.
“O País precisou de estabilidade, ao longo dos 5 anos que passou não fazemos nada para a Guiné-Bissau, hoje o país não tem margem nenhum, precisamos de ganhar a confiança dos outros, o país em geral precisa de serem construídas, Estradas, Escolas, Água potável, agricultura, e todas as necessidades dos trabalhadores, todas pessoas precisam dos meios, e não vamos ver aquele dinheiro se não conseguimos estabilizar o país”
Segundo ele, a estabilização começa na estabilização da Governação e criar pontes deve-se baixar tenções, para que o mundo possa apoiar o país porque “neste contexto de conflito permanente a vítima é o povo da Guiné-Bissau, é isso que vai mover os nossos corações, a visão que temos para o nosso país, é que leva-nos apoiar Domingos Simões Pereira”
Idrissa Djalo afirmou que as eleições legislativas e as primeiras voltas das eleições presidências colocaram o país em evidências que representam perigo para a segurança do país.
“Desde o começo da democracia na correcção deste sistema esteve o dinheiro, dinheiro para compra do de consciência dinheiro para induzir as pessoas a votarem num determinado. Todos os candidatos fazem isso candidato”
Idrissa Djalo aconselhou os candidatos á segunda volta a aceitarem os resultados das urnas do dia 29 de corrente mês, e quem não estiver de acordo com alguma coisa que faça chegar as suas reivindicações através do tribunal.
Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos / Turé da Silva/radiosolmansi com Conosaba do Porto

NÃO SE DEVE FALAR DA ETNIA OU DA RELIGIÃO PARA FUNDAMENTAR OS ACTOS POLÍTICOS

Falar da etnia ou da religião na Guiné – Bissau é, sem dúvida ignorar o sacrifício que o povo guineense se submeteu para se unir na edificação da identidade guineense. Certamente, isso custou muitas vidas (luta de libertação).

Esse sacrifício devia servir da lição suficiente para que os guineenses possam esquecer de uma vez por toda a diferenciação das pessoas através da etnia ou da religião. Sem dúvida, qualquer etnia ou religião contribuiu bastante, para que este país se tornasse independente. Porque, o que está a ser vivido nestes dias é muito vergonhoso para uma sociedade democrática. Sobretudo num estado laico. Os políticos querem permanecer ou chegar a poder à todo custo. Por isso identificam-se mais com etnia, religião ou os civilizados e não civilizados para poderem tirrar o proveito político. Felizmente, o guineense é um povo maduro. Alias, não existe nenhuma etnia que não se “cruzou com a outra etnia, em termos de casamento. E, no passado já fizeram um teste em que todos se uniram e tomaram a independência.

Agora, porque é que não vão deixar de dizer que o tal é Fula e outro é Balanta etc. Para se unirem em prol de desenvolvimento do país? No meu entender, o problema da Guiné-Bissau não está na riqueza e, nem está nos quadros capacitados. O maior problema deste país está mesmo no político guineense. Mesmo que tivessem os contentores de Euro (moeda europeia) espalhados em todo canto de país, se não mudaram a forma de pensar o país para melhor, certamente, vão estragar todo o dinheiro e, nem se quer vão alcatroar, uma avenida da cidade de Bissau. Porque, se o problema estivesse na riqueza ou nos quadros capacitados! Certamente, a Guiné-Bissau estaria à frente da Suíça ou de EUA no índice do desenvolvimento humano. É bom recordar que estes países chegaram no topo onde estão, não por milagre. É sem dúvida graças ao trabalho e a união de todas as raças. Portanto, não deve haver motivo de refugiar na etnia ou na religião para permanecer ou chegar à poder. Por isso, já está na altura dos guineenses porem o interesse do país em cima do interesse pessoal ou da sua família. Só assim, é que poderão aproveitar as capacidades dos seus quadros rumo ao desenvolvimento da Guiné-Bissau.

Mutaro Djaló

Publicada por CONOSABA DO PORTO